sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Peri: um herói brasileiro

O livro "O Guarani", de José de Alencar, além de ser presença obrigatória em listas de leituras para exames vestibulares, deveria ter influenciado mais a produção cultural brasileira, especialmente por que é um relato interessante sobre o heroísmo de um homem genuinamente brasileiro.
O livro se transformou em filme e em ópera, mas isto não influenciou nossa produção cultural ao ponto de ter feito com que meninos e meninas da minha geração tenham reconhecido, no herói da história, uma figura equivalente ao Homem Morcego ou ao Super-Homem. Apesar de coragem, habilidade e força descomunais, o índio Peri não se tornou um herói brasileiro, mas merecia revistas em quadrinhos, séries de televisão e outras presenças importantes.
O livro de José de Alencar tem, como cenário, a região em que se localiza a divisa dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, e o nosso herói é uma espécie de protetor de uma das moradoras do lugar, a jovem Cecília, a quem ele chama de Ceci. A história se refere ao território ocupado por um fidalgo português, de quem o índio tornou-se amigo depois de salvar a vida de sua filha Cecília. O enredo tem um homem mau, representado por um italiano que já foi padre; e aventureiros subordinados ao pai da mocinha.
A história foi publicada, em capítulos, por um jornal da cidade do Rio de Janeiro e, depois, foi transformada em livro. A publicação em capítulos e o livro são do ano de 1857. O autor José de Alencar é responsável por outras publicações de um estilo que ficou conhecido com "indianista" por destacar o protagonismo indígena na cultura brasileira. Os habitantes de nossa terra, até a chegada de Pedro Alvares Cabral, figuram como personagens importantes de vários dos livros de Alencar.
A publicação pode ser adquirida pela internet, através do link https://www.estantevirtual.com.br/busca?utf8=%E2%9C%93&type=q&new=&q=O+Guarani, e os valores variam de R$ 3,00 até R$ 1.990,00.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

A importância da articulação das lutas

Hipocrisia I - Todos os partidos políticos, de repente, se tornaram defensores dos direitos das mulheres. Para cumprir a obrigatoriedade de preencher suas chapas proporcionais com, pelo menos, 30% de mulheres, as legendas precisam ter presença feminina em seus quadros de filiados, e a propaganda da televisão, na maioria dos casos, é um mero instrumento para alcançar esse objetivo eleitoral, sem qualquer compromisso permanente com a luta das mulheres.

Hipocrisia II - Outro aspecto recorrente na propaganda dos partidos políticos é o combate à corrupção. Motivados pelo discurso midiático, lideranças partidárias engrossam o coro da exigência de punições exemplares, mas não propõem nenhuma medida duradoura para a solução do problema.

Democracia I -  O golpe de 2016 buscou consagrar o espaço institucional e torná-lo impermeável a qualquer mudança mais profunda. Com exceção da esquerda, os atores políticos são os mesmos de outros tempos, e o objetivo do golpismo é manter a possibilidade de domínio do poder econômico sobre o espaço público, afastando qualquer possibilidade de aprofundamento da democracia.

Democracia II - O espaço institucional favorece a interferência midiática e o controle do poder econômico. As classes populares, já excluídas pelo modelo econômico, não têm meios para pressionar os poderes públicos e, com isso, o que ocorre é um aprofundamento da exclusão social. A ofensiva do golpismo contra os direitos trabalhistas é um exemplo de como isto pode acontecer.

Massacre - O sistema capitalista, responsável pelo enriquecimento de uma minoria cada vez mais influente, não dá mostras de esgotamento e, ao contrário disso, vem se fortalecendo. A hegemonia do sistema financeiro é flagrante, e cortes de gastos públicos são decretados com o objetivo de produzir superávits sucessivos, capazes de atender os interesses do mercado financeiro.

Esperança - Os movimentos sociais populares e os sindicatos de trabalhadores, diante deste cenário, vem reagindo de forma isolada e localizada. A resistência tem conseguido amenizar algumas medidas supressivas de direitos, mas ela é insuficiente. A esperança é que aconteça uma articulação das lutas capaz de impor uma situação diferente.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Mídia e ideologia

Sonegação legitimada - Uma novela de televisão, aparentemente inofensiva, é reveladora do papel da mídia tradicional na consciência das pessoas. O enredo do folhetim se refere ao roubo de uma alta soma em dinheiro, efetuado por empregados de um grande hotel da cidade do Rio de Janeiro. Na ficção, a ação só foi possível porque o dono do dinheiro exigiu o pagamento da quantia fabulosa em dinheiro vivo, para evitar a tributação dos valores. A polícia promove uma perseguição implacável às pessoas que teriam realizado o roubo. O crime de sonegação fiscal, por outro lado, é esquecido. 

Personagens - A figura simpática de Marcos Caruso serve para inocentar o crime de sonegação fiscal de seu personagem, e tornar lugar comum a expressão "o crime de rico a lei o cobre", buscando legitimar o perdão dado pelo governo sem voto aos grandes devedores. Na outra ponta do enredo, o grupo de empregados acusado pelo roubo continua sendo perseguido de forma implacável, segundo o texto, "por ter roubado o esforço de uma vida inteira". A novela não se refere à origem da fortuna surrupiada, mas é certo que parte ela só foi possível por causa do trabalho dedicado e cotidiano dos que são chamados de ladrões.

Expropriação - Seria pedir demais que a Rede Globo de Televisão se dispusesse a defender a legitimidade de ações que resultem na devolução de bens e direitos a seus legítimos donos. O enredo destaca a ganância individual e se nega a apontar qualquer tipo de consciência coletiva dos empregados acusados pelo roubo. O recado dado no folhetim é claro ao apresentar, de um lado, um sonegador confesso e impune; e de outro lado, um grupo de trabalhadores com sonhos individuais de riqueza, prestes a cair nas garras da polícia.

Apologia - É bom que fique claro que o objetivo desta postagem não é fazer qualquer tipo de apologia ao crime, mas apresentar uma reflexão de como a ficção televisiva é capaz de influenciar a opinião pública, através da apresentação de histórias que destacam a impunidade dos mais ricos, o que pode induzir a população a tolerar delitos graves como a sonegação fiscal.   

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

A demonização do PT e a luta de classes

Exceção - Não é incomum, ao longo da história brasileira, que as classes dominantes tenham tomado medidas para reorganizar a exploração do trabalho, mantendo o conteúdo essencial do capitalismo. São raros e localizados os episódios de protagonismo dos trabalhadores e das classes populares. O processo político sempre foi hegemonizado pelo poder econômico, de modo a legalizar as situações de exclusão social e de favorecimento dos interesses do capital privado. A tentativa mais duradoura de inverter essa lógica foi construída pelo PT que, fundado em fevereiro de 1980, pretendeu estabelecer um novo tipo de protagonismo para a história política do país.

Poder econômico - O PT foi bem sucedido em seu principal objetivo. Trabalhadores e militantes de movimentos sociais populares se transformaram em protagonistas da política brasileira. O melhor exemplo disso é o presidente Lula, sindicalista operário que se elegeu, por duas vezes, presidente da república. Mas isto não aconteceu sem a influência nefasta do poder econômico. A arrecadação financeira entre os militantes do PT não seria suficiente para dar conta das inúmeras despesas de campanha, e o Partido dos Trabalhadores recorreu a doações privadas e empresariais para se viabilizar eleitoralmente.


Caixa 2 - Na visão empresarial, doações eleitorais sempre representaram investimentos no futuro. Para o PT, o financiamento eleitoral significaria um comprometimento programático. A crescente exigência de contrapartidas transformou o Partido dos Trabalhadores em refém da concessão de favores. O desenvolvimento ambientalmente sustentável, com distribuição de renda, sempre pareceu um programa possível de ser assimilado por empresários brasileiros. O uso de doações privadas nas campanhas eleitorais do PT, no entanto, ultrapassou os limites da legalidade, com a utilização do artifício do "caixa 2". O débito de favores também cresceu, o que gerou uma situação politicamente insustentável.

Golpe - O que motivou o golpe de 2016 é que o comprometimento mínimo tornou-se minoritário no empresariado, dominado por interesses do mercado financeiro e do capitalismo internacional. A luta de classe se instalou, mais claramente, na política institucional. O discurso anticorrupção foi dirigido, seletivamente, contra o PT, com consequências desastrosas. Empresários passaram a financiar o golpismo, e hoje sustentam o governo sem voto. O combate à corrupção, que serviu para atacar o PT, não é usado para incriminar figuras públicas alinhadas ao golpismo, e está em andamento um processo de desmoralização generalizada de delações, com base na suposta montagem de depoimentos que incriminam autoridades do governo comandado por um presidente ilegítimo.  

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Golpismo, economia e política

Economia I - Se a reforma da previdência for aprovada, além do óbvio retrocesso, isso vai significar que os objetivos dos que apostaram no "impeachment" da presidenta Dilma Roussef terão sido alcançados. O evidente sentido econômico do projeto golpista, de reduzir os gastos do poder público para fazer frente a despesas da dívida pública, no entanto, não observa o limite estrito da política econômica. Há um avanço ideológico e político que vai muito além da supressão de direitos dos trabalhadores e da eliminação de políticas públicas de inclusão social e de distribuição de renda. O que o golpismo pretende, no fundo, é legitimar os interesses do desenvolvimento do capitalismo, sem qualquer garantia de bem estar social para os trabalhadores e para as classes populares.

Economia II - Números positivos da economia não escondem que os ganhos do desenvolvimento serão transformados em lucros para empresas privadas e em ganhos para o mercado financeiro. Mesmo os indicadores supostamente favoráveis aos trabalhadores, como a diminuição do desemprego, só estão sendo possíveis por causa do subemprego, agora oficializado, depois da votação de mudanças na legislação trabalhista.

Política - A reforma do sistema eleitoral deve se limitar ao estabelecimento de restrições a coligações partidárias nas eleições proporcionais. Não devem ocorrer modificações na forma de eleição dos parlamentares, e o sistema atual deve continuar do mesmo jeito. Não deve ser aprovada também uma destinação orçamentária para as campanhas eleitorais, o que pode implicar na volta do financiamento empresarial e privado das eleições. O contraditório é que empresas e empresários continuarão comprando parlamentares através do pagamento de propina, dinheiro que será obtido com o sobrepreço de obras e serviços.

Meio ambiente - O governo sem voto, que funciona sob as ordens do golpismo, está avançando sobre áreas de terras consideradas como de preservação permanente. A ofensiva está desalojando comunidades tradicionais e pretende legalizar ocupações ilegais existentes nesses locais. O objetivo das medidas é favorecer a lucratividade privada e, ao mesmo tempo, premiar atividades que se encontram na clandestinidade, como a mineração em áreas de terras que devem ser preservadas.

Privatizações - Em outra frente de ataque aos direitos da maioria da população, governos e administrações pretendem repassar para a exploração privada diversos bens públicos. O favorecimento ao capital privado é evidente e, neste caso, não há a circulação de dinheiro suspeito, mas o desvio de finalidade declarado e aberto. Ao invés de servir ao conjunto da população, bens públicos passarão a ser utilizados para a obtenção de lucros privados.     

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Dom Casmurro de Machado de Assis

Uma das referências mais importantes da literatura brasileira, o livro foi escrito por um neto de escravos que teve poucas chances de frequentar a escola regular, e que se instruiu por conta própria, em razão de seu enorme interesse por literatura. Machado de Assis se casou com Carolina de Novais, sem o consentimento da família dela, muito provavelmente por causa de suas origens. 
Foi ela que apresentou a ele as literaturas de Portugal e da Inglaterra, o que contribuiu para o amadurecimento do escritor, que se tornaria fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, e que teria um enorme reconhecimento do público e da crítica. Quando de sua morte, em setembro de 1908, o sepultamento foi acompanhado por uma multidão. Boa parte das inúmeras edições do livro tem a capa ilustrada com a fotografia do escritor. 
O livro se refere, basicamente, a suspeitas de uma hipotética traição conjugal. O motivo da suspeita é a semelhança física do filho do protagonista com um seu amigo. A desconfiança faz com que Bentinho se separe da mulher. A mãe do menino, acusada de adultério, morre na Europa, para onde se mudara depois da separação. A história de Capitu, com o decorrer do tempo, se tornou a principal referência do livro.
O protagonista do livro, depois de deixar mãe e filho na Europa, retorna ao Brasil, tornando-se o macambúzio e triste Dom Casmurro. A crítica, contida na história, é sobre a amargura causada pelo ciúme. A primeira publicação de "Dom Casmurro" é de 1899, mas sua leitura continua atual. Não é incomum sabermos de situações de tristeza e de amargura, provocadas por desconfianças que, muitas vezes, não se comprovam. O livro trata da desconfiança e do ciúme, mas não apresenta qualquer comprovação de que a traição realmente tenha acontecido. 
No caso de Bentinho, a desconfiança foi provocada pela semelhança física de seu filho Ezequiel com o amigo Escobar. Nos inúmeros casos contemporâneos, não são incomuns que as suspeitas sejam potencializadas por mensagens de SMS ou por outros meios eletrônicos. O escritor buscou contar uma história que nos ensina, até os dias de hoje, que um dos princípios básicos de uma relação afetiva saudável e feliz é a confiança. 
O livro pode ser encontrado no site Estante Virtual, através do link https://www.estantevirtual.com.br/busca?qt=Dom+Casmurro&q=machado+de+assis+dom+casmurro&produto=0&b_order=rel&agrupar=1&f=1 e um resumo da história da publicação pode ser lido no Guia do Estudante, acessando o endereço eletrônico http://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/dom-casmurro-resumo-obra-de-machado-de-assis/.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Reflexos do ódio

Insanidade - A realidade da educação não é fácil de enfrentar. Nas periferias das grandes cidades não são incomuns os episódios de brigas entre alunos, de ameaças a educadores e de agressões a professores. A veiculação de notícia sobre a agressão de um aluno contra uma professora, caso registrado em Santa Catarina, provocou comentários generalizados que são reveladores sobre os reflexos do desenvolvimento de uma cultura de ódio e de intolerância. Houve até quem aprovasse a atitude condenável do adolescente, numa atitude que pode estimular a repetição de episódios semelhantes.     

Reflexos I - O ódio, mais evidente nas redes sociais, é responsável por um comportamento coletivo insano e pelo desenvolvimento de ideologias que são contrárias ao desenvolvimento humano. O sentimento não é somente causador de pronunciamentos, estúpidos e descabidos, sobre agressões. Também contribui para o reconhecimento político de figuras públicas que, por seu comportamento odioso, deviam estar relegadas a um espaço reservado ao esquecimento.

Reflexos II - O crescimento da simpatia por figuras públicas como Jair Bolsonaro é um dos reflexos do desenvolvimento da cultura do ódio, mas a insanidade, desgraçadamente não se limita a isso. O golpe de 2016 foi justificado pela legitimidade das ruas, em nome de um ódio exacerbado em relação ao PT. Muitos dos que se declararam contra o presidente Lula e a presidenta Dilma, e que ocuparam as ruas para apoiar o "impeachment", não tiveram a dimensão das consequências do golpe. Parte dos seguidores do "Pato da Fiesp" serão penalizados por um retrocesso inimaginável.

Reflexos III - O desenvolvimento da cultura do ódio também contribui para o aumento da exclusão social. Ao legitimar o golpismo, os seguidores do "Pato da Fiesp" também apoiaram, ainda que sem saber, o corte de gastos públicos que vai resultar na eliminação de programas sociais e de políticas públicas de inclusão social e de distribuição de renda. Os reflexos futuros desse tipo de sentimento podem ser ainda mais graves, pois, em geral, resultam na legitimação do preconceito e do cometimento de de atos oficiais violentos. 

O futebol e a defesa da vida

Espetáculos - Sempre gostei de ir a estádios de futebol. As torcidas sempre me fascinaram. Mais do que as disputas das partidas, as cenas d...