sábado, 26 de maio de 2018

A restauração da democracia

Desabastecimento - A disseminação do caos, especialmente nas grandes cidades, é um dos aspectos preocupantes da paralisação nacional do transporte de cargas. O locaute acontece por uma combinação entre motoristas autônomos e empresas transportadoras, com o apoio explícito de usuários do transporte rodoviário de cargas. Na origem da disseminação das notícias falsas estão os interessados (e beneficiários) da situação caótica e incontrolável. A falta de mercadorias nos pontos de venda é evidenciada pela corrida desenfreada de consumidores à procura de produtos, e isso pode aumentar o apoio da opinião pública ao movimento.

Golpe - Os grandes veículos de comunicação, ao se limitarem à exposição de imagens de supermercados e postos de combustíveis lotados, alimentam a mentira, e incentivam a ação insana de parte da população. O objetivo midiático é evidenciar o caos para favorecer o aprofundamento do golpe. O problema que originou o movimento é real, do mesmo modo que as altas das tarifas do transporte público em 2013, mas as consequências da paralisação podem ser muito trágicas para o conjunto da população.

Perigo - A total falta de legitimidade do governo sem voto fica mais evidente com a disseminação do caos. Não está descartada a possibilidade de que o presidente ilegítimo seja destituído do cargo, o que favorece o discurso de defensores explícitos do autoritarismo. Um acordo, assinado entre integrantes do governo sem voto e entidades que se dizem representativas dos caminhoneiros, pode não ser cumprido. A divulgação midiática (da gravidade da situação), pretende evidenciar o visível fracasso do golpe parlamentar, criando condições para a viabilização de uma intervenção militar.

Democracia - As medidas, implantadas pelo governo sem voto, não contam com o apoio da maioria da população brasileira. O golpismo pretende implantá-las assim mesmo, ainda que, para isso, tenha que recorrer a meios violentos. A restauração da democracia, com a imediata libertação do presidente Lula (com sua consequente participação nas eleições de outubro), é o caminho para a revogação de medidas supressivas de direitos e de favorecimento dos interesses do capital internacional. 

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Os caminhoneiros e a luta ideológica

Imagens - Informações sobre o desmonte de políticas públicas de inclusão social, sobre a implantação de medidas que visam atrair investidores internacionais e anúncios de cortes de gastos públicos para beneficiar banqueiros estão acompanhadas de imagens do presidente ilegítimo, mesmo na mídia alternativa, embora não tenham sido poucas as manifestações populares contra o golpismo.

Dificuldade - O sistema de comunicação democrático e popular, formado por sites e blogs que destacam informações corretas, que funcionam como contraponto à disseminação da mentira promovida pela mídia tradicional, acabou por evidenciar a imagem do presidente ilegítimo, quando seria mais razoável a exposição de fotos de mobilizações contrárias ao governo sem voto.

Caminhoneiros - Uma das prováveis consequências da paralisação nacional dos caminhoneiros é a falta de mercadorias. A dependência generalizada de combustíveis, que são transportados por caminhões e carretas, também pode causar paralisações no transporte coletivo de pessoas. O caos generalizado deve ser amplificado por causa da falta de legitimidade do governo sem voto, e a conjuntura política pode ser dominada por um grupo que envolve trabalhadores e empresários do setor de transporte de cargas e empresas do agronegócio.

Corporativo - A greve dos caminhoneiros pode provocar paralisações em toda a sociedade. Nesta sexta feira muitos empregados terão dificuldades para chegar aos seus locais de trabalho, mas não estão previstas assembleias de trabalhadores para debater a pertinência de uma greve geral contra o governo. Caminhoneiros e empresas de transporte de cargas querem a redução (ou eliminação) de tributos. Empresas que se utilizam dos serviços de transporte de cargas exigem uma redução no valor dos fretes. É muito provável que as demandas e reivindicações dos trabalhadores e das classes populares sejam ignoradas pelo governo sem voto e repudiadas pelos líderes da paralisação.

Ideologia - Os caminhoneiros em greve (e seus apoiadores) estão comprometidos com um conteúdo ideológico que privilegia a acumulação individual de dinheiro e patrimônio. Participaram ativamente das manifestações que resultaram no golpe de 2016. Muitos deles são apoiadores declarados de candidaturas identificadas com ideias autoritárias. São disseminadores confessos de notícias falsas pela internet. Não é improvável que as balas que mataram Marielle e Anderson, e as que atingiram a caravana do presidente Lula, tenham sido disparadas de armas que eles carregam nos seus porta-luvas. 

Suicídio - Há, na esquerda, um pensamento que desconsidera o conteúdo ideológico das mobilizações e, por causa disso, pode julgar que os motoristas de caminhão possam se transformar em aliados contra o golpismo ou contra o capitalismo. A avaliação voluntariosa não procede. Pode ser perigosa uma aliança com os caminhoneiros, ainda que momentânea e conjuntural. A esquerda corre o risco de, no meio da batalha contra o capitalismo, levar um tiro na nuca e, com isso, pode estar decretando a própria morte.           

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Seletividade antipetista

Autoritarismo - A seletividade antipetista é uma obviedade evidente. Não são poucas as denúncias e suspeitas de corrupção contra golpistas, sempre tratadas com parcimônia pela mídia tradicional, e que, muito raramente, resultam em condenações e prisões. O autoritarismo em vigor pratica uma regra segundo a qual integrantes do PT são culpados sem a necessidade de provas, enquanto que os golpistas são tratados, sempre, como inocentes.

Tesoureiros - O tratamento desigual e tendencioso se inicia com a ausência de informações, na mídia tradicional, sobre os ocupantes dos cargos de tesoureiro em outros partidos políticos. A opinião pública não sabe o nome dos responsáveis pelas finanças de MDB, PSDB ou DEM. São fartas as notícias sobre os tesoureiros do PT, sempre acompanhadas de notícias negativas (nem sempre comprovadas) e de exigências de punições exemplares.

Operadores - A visão seletiva também é recorrente quando os grandes veículos de comunicação se referem a operadores financeiros. Relações suspeitas de integrantes do golpismo com empresas privadas só são reveladas quando acontecem declarações bombásticas de operadores financeiros abandonados por seus aliados, como aconteceu recentemente com um dos arrecadadores de recursos financeiros do PSDB.

Impunidade - A tendência midiática em favorecer o golpismo é tão flagrante que a apresentação de denúncias de corrupção contra integrantes do MDB, do PSDB ou do DEM tem se tornado uma inutilidade. O resultado das denúncias, na maioria das vezes, é o esquecimento. A mídia tradicional se especializou, por outro lado, na apresentação de notícias requentadas, sempre contra petistas, quando existem denúncias e suspeitas contra golpistas.                 

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Senso comum e ideologia

Dirceu - O anúncio midiático da volta de José Dirceu à prisão é um artifício dos grandes veículos de comunicação para encobrir o envolvimento de golpistas em denúncias e suspeitas de corrupção. As notícias negativas sobre figuras públicas do PT funcionam como tentativas de demonstrar a inocência de golpistas. No caso de Dirceu, no entanto, a ideia midiática é a de criminalizar o conjunto do PT e a esquerda. Ele é uma liderança importante, e a sua detenção é uma tentativa inútil de aprisionar ideias de mudança e de transformação da sociedade, defendidas por Zé Dirceu, e assimiladas por militantes e ativistas do PT e da esquerda.

Criminalização - O objetivo do golpismo, de criminalizar o PT e a esquerda, se dirige, também, aos movimentos sociais populares. A tragédia recente, com o incêndio e desabamento de um prédio no centro de São Paulo, foi noticiada de modo a culpar as vítimas e, posteriormente, serviu para que as lideranças do movimento de moradia fossem atacadas. A intenção do golpismo vai além da punição individualizada dos que discordam da lógica perversa do capitalismo. O que os golpistas pretendem é impedir que qualquer movimento anticapitalista tenha reconhecimento diante da opinião pública.

Especulação - Os grandes veículos de comunicação buscam forçar uma divisão no PT e na esquerda. A insistência em relação a um inexistente "plano B" chega a ser irritante. O cálculo eleitoral de governadores, que carecem de um palanque para suas campanhas, não é incompatível com a defesa da candidatura do presidente Lula. As candidaturas presidenciais de partidos políticos aliados ao PT não ignoram o fato de que a possibilidade real de vitória eleitoral da esquerda em 2018 é com a candidatura do presidente Lula.

Condenações - O golpismo aposta no entendimento limitado de que existe uma infalibilidade do judiciário. É muito difundida a ideia de que réu condenado (e preso) é, necessariamente, culpado. O raciocínio, não é uma unanimidade na opinião pública e na população. O presidente Lula continua liderando todas as pesquisas de intenção de voto, ainda que esteja preso e que tenha sido condenado. Isto significa que as decisões judiciais não gozam de credibilidade junto à população, e que podem ser modificadas.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Seletividade revoltante

Rapidez - A seletividade antipetista acaba de fazer mais um serviço ao golpismo. O companheiro Maninho, conhecido militante do PT de Diadema, está preso, acusado injustamente de tentativa de homicídio. A decisão judicial acontece com rapidez espantosa. Os fatos que deram origem à acusação ocorreram no dia 5 de abril. Um maluco provocador tentou investir contra o Instituto Lula, e foi contido por militantes do PT. Entre os petistas que enfrentaram as provocações estavam Maninho e Leandro (também militante do PT de Diadema e filho dele). Depois de ser contido, o maluco provocador foi atropelado e, por causa disso, foi conduzido a um hospital.

Acusação - A acusação contra os companheiros Maninho e Leandro é completamente descabida. A sentença cita a necessidade de punir exemplarmente comportamentos violentos, e isso pode significar, para antipetistas e para pessoas desinformadas, um sinal de que a impunidade não deve ser tolerada. A decisão, no entanto, revela um comportamento tendencioso do poder judiciário, que é muito mais rigoroso contra os petistas. A mesma celeridade de policiais e juízes não se verifica em relação a agressores armados, como os que atacaram a caravana do presidente Lula e os que mataram a vereadora Marielle Franco e seu motorista.

Exemplo - É revoltante que a decisão judicial pretenda mostrar os militantes do PT como agressores perigosos. Para alcançar esse objetivo, a juíza que proferiu a decisão contou com o apoio explícito da mídia tradicional. A punição foi noticiada com estardalhaço, e em rede nacional, com o objetivo claro de atacar o PT. Nós, os petistas somos bons exemplos para mais de 20% da população do país, enquanto que o poder judiciário é desaprovado por mais de 90% do povo brasileiro.

Ódio - A intenção da decisão judicial e da divulgação midiática é a de alimentar o discurso de ódio que, felizmente, ainda é minoritário em nossa sociedade. A falta de credibilidade do judiciário e da mídia, no entanto, não impedem a eficácia de suas investidas. O cuidado, para todos os petistas e para a esquerda, é saber, sempre, que seremos atacados e, conscientemente, dialogar sobre isso com a população. A insanidade odiosa da ofensiva golpista será derrotada porque a verdade está do nosso lado. 

quarta-feira, 16 de maio de 2018

O enfrentamento do golpe

Câmbio - As variações cambiais são determinantes no comércio entre países diferentes e empresas. A atual alta do dólar, por exemplo, é um critério pelo qual o comprador, no mercado internacional, vai levar um volume maior de mercadorias por cada dólar investido. Se isto é aplicado na aquisição de uma empresa como a Petrobrás (ou dos produtos que ela fabrica), a lógica é exatamente a mesma. Com a alta da moeda norte americana, a estatal, e os produtos comercializados por ela, poderão ser adquiridos com uma quantidade menor de dólares. 

Poder econômico - As variações cambiais não acontecem por intervenções mágicas e abstratas de origem desconhecida. São determinadas por interferência direta dos que detém uma grande quantidade de dinheiro. A alta acontece quando há pouca moeda em circulação. Nessas condições, acontece uma espécie de leilão, em que o proprietário da moeda define o comprador conforme a oferta que recebe. A moeda mais forte, neste caso, é trocada por uma quantidade maior de reais, e por uma quantidade maior de mercadorias, ou de ações de uma empresa.

Golpismo - O mercado financeiro só consegue fazer valer suas regras com o uso do autoritarismo, com o emprego de força militar, quando julga necessário. O incentivo insano a guerras e o financiamento de golpes fazem parte, assim, de uma espécie de rotina perversa do capitalismo. O golpe de 2016, no Brasil, observa, rigorosamente, essa lógica. A interrupção brusca do mandato legítimo da presidenta Dilma Roussef e a prisão arbitrária do presidente Lula são partes essenciais do golpe, e se tornaram necessárias para a implantação de medidas supressivas de direitos e para a entrega de riquezas brasileiras ao mercado internacional.

Mobilização - A defesa da soberania nacional será uma motivação importante para a luta pela democracia. A combinação de palavras de ordem pela libertação do presidente Lula, com a mobilização em defesa da Petrobrás e das riquezas brasileiras, será, certamente, fator decisivo para os petroleiros e para todo o povo brasileiro. Mas ainda vai faltar uma motivação específica para os movimentos sociais populares e para os sindicatos de trabalhadores. A mobilização permanente vai depender, sempre, da combinação da luta pela liberdade do presidente Lula com as lutas específicas de cada movimento social.    

segunda-feira, 14 de maio de 2018

A luta contra o golpismo

Democracia - É óbvio que a normalização democrática, com a libertação do presidente Lula e com o restabelecimento do direito de ele concorrer às eleições, é o objetivo mais importante deste momento da conjuntura. A união de figuras públicas, oriundas de projetos políticos diferentes, é um indicador importante de que o conteúdo mais importante das mobilizações em andamento é o restabelecimento da democracia.

Soberania -  Um sinal importante do avanço do golpismo é o desmonte da Petrobrás e as facilidades oferecidas a investidores internacionais para a exploração do petróleo brasileiro. Os golpistas também pretenderam suprimir direitos dos trabalhadores e viabilizar uma completa reforma do aparato estatal, com o objetivo de produzir sucessivos superávits, que servirão, posteriormente, para o pagamento da dívida pública, cujos títulos estão em poder do mercado financeiro.

Limites - Os protestos contra a prisão arbitrária do presidente Lula e a luta unificada pela recomposição da democracia devem ultrapassar os limites do espaço institucional e do calendário eleitoral. Embora exista uma possibilidade real de revogação de medidas supressivas de direitos (em caso de vitória do presidente Lula nas eleições de outubro), se não houver uma forte mobilização popular em defesa dos direitos suprimidos e em defesa da soberania nacional, será muito difícil que a revogação aconteça por decreto presidencial.

Mobilização - O exemplo recente dos servidores municipais de São Paulo deve servir de referência para o enfrentamento com o golpismo nacional. O prefeito fujão da maior cidade do país quis implantar um sistema de previdência municipal específico, que penalizaria o funcionalismo e, teoricamente, economizaria recursos públicos. A mobilização do funcionalismo provocou um recuo da base legislativa do prefeito, e ele ficou sem ter como viabilizar a votação. Se não tivesse ocorrido a movimentação dos servidores, a possibilidade é que tivéssemos tido um pouco mais de uma dezena de votos contra o prefeito tucano. O conteúdo mais importante do enfrentamento com o golpismo, portanto, deve ser a mobilização.     

O futebol e a defesa da vida

Espetáculos - Sempre gostei de ir a estádios de futebol. As torcidas sempre me fascinaram. Mais do que as disputas das partidas, as cenas d...