quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Pela democracia e pela libertação do presidente Lula

Ampliação - A luta pela libertação do presidente Lula vem se ampliando, na medida em que o apoio ao governo fascista vem diminuindo. O apoio ao presidente fascista já não é mais o mesmo da época da sua posse. Centrais sindicais, partidos políticos e movimentos sociais populares vem intensificando as manifestações públicas, mas ainda estamos falando com um público abertamente favorável a nossas ideias e propostas e militante dessas ideias. 

Periferia - É preciso iniciar, com urgência, um contato mais direto com a população, especialmente na periferia das cidades, principalmente porque é necessário combinar as demandas da população mais pobre com a luta democrática mais geral. É a forma que teremos para disputar o conteúdo do amplo movimento que se ensaia contra o "coiso

Identificação - A oposição de parte dos seus antigos apoiadores se concentra na figura esquisita do "coiso", mas não há nenhuma diferença programática com ele. Os mesmos que reconhecem os exageros do governo federal em relação à proteção aos seus filhos e aliados corruptos, falam pouco sobre a perseguição aos índios, aos negros e às mulheres. Também não existe oposição aos cortes de gastos públicos na educação, na saúde e na seguridade social.

Justiça - Há uma composição muito semelhante entre os que defendem o presidente Lula. Há um entendimento generalizado sobre a urgência da libertação do líder popular, mas, de modo muito parecido com o que acontece com os ex-apoiadores do "coiso", é comum ouvirmos (como vem dizendo o ministro Gilmar Mendes) sobre a necessidade de que o presidente Lula seja submetido a um "julgamento justo", mas, ao menos até agora. ninguém assumiu publicamente a necessidade de cancelamento da sentença arbitrária que o condenou. 

Liberdade - A libertação do presidente Lula, com o cancelamento da sentença arbitrária que o condenou, implicaria na revogação de medidas tomadas pelo governo fascista (como a reforma da previdência e a supressão de direitos), e pode significar o reconhecimento do golpe, o que significaria revogar, também, medidas implantadas desde a destituição da presidenta Dilma. 

Disputa - Somente os sindicatos de trabalhadores e os movimentos sociais populares podem dar conteúdo programático à palavra de ordem "Lula livre" e disputar a direção com os arrependidos que, ainda que sejam contra o presidente fascista, não discordam das medidas do governo federal. 

Protagonismo - Ao unificar as lutas por direitos trabalhistas, por melhores salários, por mais e melhores empregos, pela manutenção do Serviço Único de Saúde (SUS), por mais vagas nas creches e escolas, pela melhoria do transporte público e pela ampliação da rede de solidariedade com as mulheres e os jovens, a população vai estar combinando a luta pela democracia com o atendimento de seus interesses e, com isso, vai estar assumindo a frente da luta pela libertação do presidente Lula, se credenciando a ocupar o lugar de destaque na luta pela democracia.           

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Metalúrgicos de São Paulo: 40 anos da greve de 1979

Metalúrgicos - Neste final de semana participei do Grande Encontro dos Metalúrgicos de São Paulo, para celebrar os 40 anos da greve de 1979, quando ocorreu o assassinado o operário Santo Dias da Silva. A ideia é recuperar os acontecimentos de quatro décadas atrás, especialmente porque não existem registros escritos da paralisação e, para boa parte das pessoas, é como se a greve não tivesse acontecido.

Prisões - Na véspera do início da paralisação, mais de 300 metalúrgicos foram presos em vários pontos da maior cidade do país. O objetivo da repressão era impedir que o movimento se iniciasse. Mesmo assim, a paralisação começou e, no segundo dia da greve, o assassinato do operário Santo Dias da Silva revelou outro aspecto da intervenção violenta da polícia. Ele foi assassinato com o objetivo de disseminar o medo entre os grevistas, mas, ainda assim, o movimento cresceu.

Sindicato - A diretoria do sindicato dos metalúrgicos de São Paulo da época foi claramente contra a greve, mas o posicionamento dos diretores da entidade também não foi suficiente para impedir que a greve acontecesse. O movimento foi dirigido, nas regiões, por comandos de greve, formados por lideranças escolhidas nas fábricas, e a Comissão de Salários, responsável pelas negociações com a Federação das Indústrias, foi presidida pelo operário Pedro Pereira do Nascimento (Pereirinha), escolhido em assembleia dos trabalhadores metalúrgicos.

Repressão - O forte aparato repressivo, engrossado pela ação de diretores do sindicato, não foi suficiente para frear a disposição de luta da categoria dos metalúrgicos da cidade de São Paulo. A tentativa de espalhar o medo entre os grevistas também não obteve sucesso, e isso fez com que o movimento ganhasse apoio da sociedade civil, e a greve teve a duração de treze dias, o que viria a influenciar outras categorias de trabalhadores no enfrentamento com o peleguismo e com o governo autoritário.
Presente - A prisão de mais de 300 trabalhadores, na véspera da greve; o comportamento pró-patronal da diretoria do sindicato dos metalúrgicos de São Paulo; e a forte repressão policial não foram suficientes para inviabilizar o movimento e, mesmo depois de transcorridos 40 anos, a influência daquele momento histórico está presente. Muitas das lideranças daquela greve, por exemplo, ocupam postos importantes nas direções de partidos políticos de esquerda e em movimentos sociais populares.

Futuro - Os desafios do futuro vão ser enfrentados, com coragem e determinação, pelos movimentos sociais populares e pelos trabalhadores. As práticas que foram experimentadas na greve de 1979 sempre servirão de referência para as pessoas que se organizam para resistir e serão muito importantes para guiar todas as nossas iniciativas.  

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Reflexões e desafios

Reencontro - No último sábado, dia 28 de setembro, militantes metalúrgicos da região sul da cidade de São Paulo se reuniram para mais uma etapa da celebração dos 40 anos da greve de 1979. Também participaram da atividade muitas pessoas que, mesmo nunca terem pertencido à categoria profissional, contribuíram de modo importante para que a paralisação acontecesse. Durante a greve foi assassinado o operário Santo Dias da Silva, mas, a truculência policial não foi suficiente para impedir que o movimento acontecesse. 

Reflexão - O reencontro das pessoas serviu para celebrar os 40 anos do momento especial que vivemos juntos, mas, ao mesmo tempo, teve o papel de refletir sobre os desafios que temos pela frente. A ditadura que foi enfrentada (e derrubada) pelos movimentos grevistas do final dos anos 70 do século passado tinha o mesmo conteúdo ideológico do governo fascista que hoje está em Brasília e que será derrotado. O tempo fez com que nossos cabelos ficassem grisalhos e alguns de nós têm dificuldades para andar, mas nunca nos afastamos do pensamento ideológico que nos animou, há quatro décadas, a realizar a greve que desafiou, ao mesmo tempo, o governo autoritário, o peleguismo e o patronato fascista.

Equilíbrio - Existem, aproximadamente, 20% de pessoas que defendem ideias retrógradas como a volta dos negros para as senzalas, a eliminação física de índios e de povos da floresta, a subordinação das mulheres aos homens e a punição violenta de todas as pessoas que tenham orientação sexual diferente da heterossexualidade; outro percentual, também aproximado, de 20%, é formado por pessoas que defendem ideias progressistas, como a autodeterminação de negros e mulheres, a fixação na terra de índios e de povos da floresta e a liberdade de orientação sexual. 

Indiferença - Há uma quantidade muito grande de pessoas, algo em torno de 60%, que não se posiciona publicamente, e cuja indiferença, desgraçadamente, favorece ações violentas contra negros, contra mulheres, contra homossexuais, contra os índios e povos da floresta. A omissão acaba por multiplicar (e legitimar) episódios de violência contra seres humanos. É assim que mortes e agressões acabam sendo perpetradas por fazendeiros, garimpeiros e madeireiros na região amazônica; e por racistas, machistas e homofóbicos nas grandes cidades.

Organização - A ideologia progressista é organizada por partidos políticos da esquerda brasileira, com destaque para o Partido dos Trabalhadores. O pensamento conservador não tem uma organização visível, mas está arraigado na sociedade. É mais simples convencer as pessoas de ideias retrógradas porque elas já existem. O "coiso" não é a única pessoa que defende ideias desumanas. Seus eleitores declarados e os que preferem se esconder atrás da cortina da neutralidade são, igualmente, imbecis e contribuem, ainda que involuntariamente, para a escalada do fascismo.

Convencimento - Convencer a enorme quantidade de pessoas que se declaram neutras é uma tarefa urgente da esquerda. Não é possível conviver com o avanço do fascismo, legitimado pela indiferença de parcela significativa das pessoas. Na sociedade capitalista, escolher ficar em cima do muro acaba por resultar na aprovação dos atos do sistema. 

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Irredutíveis e vitoriosos

Celebração - Participei, neste domingo, de encontro de militantes da zona leste, convocado para celebrar os 40 anos da greve dos metalúrgicos da cidade de São Paulo em 1979. Foi emocionante reencontrar companheiros e companheiras que fizeram parte de nossa história de lutas. A emoção do reencontro foi um momento especial, mas é importante destacar que o mais significativo, em todos os relatos, foi a lembrança de momentos em que estivemos juntos.

Dificuldades - O tempo que passamos juntos, desde o final dos anos 70 do século passado, serviu para moldar um conjunto de valores e costumes que nos acompanha por toda a vida, onde quer que se esteja. Foi a convivência com a oposição sindical metalúrgica de São Paulo que nos fez generosos e solidários.  O momento conjuntural é difícil, mas a situação que vivemos, na época da greve de 1979, também não era fácil. Apesar de todas as dificuldades, estamos vivos para contar a história que passou e para enfrentar os desafios do futuro.

Vitórias - Dos relatos apresentados, pode-se concluir que, apesar da violenta repressão, fomos vitoriosos. Não existe nenhum outro caso no sindicalismo, em que os principais líderes da paralisação tenham sido presos e que, mesmo assim, ela tenha acontecido.

Apoio - É importante destacar a participação ativa dos apoiadores do movimento. Integrantes de movimentos sociais populares e membros da igreja católica progressista (Pastoral Operária, Pastoral da Juventude e Comunidades Eclesiais de Base, por exemplo) tiveram papel decisivo no movimento.

Memória - Decorridos 40 anos, algumas ausências importantes devem ser lembradas, sempre. Fazer memória dos que morreram deve ser um compromisso com os amigos e familiares dos que se foram, mas, principalmente, precisa se tornar um hábito de ressuscitar, em cada momento, o conteúdo mais importante de nossas vidas, que é a luta por um mundo melhor e mais justo.

Zona sul - No próximo dia 28 de setembro é a vez dos militantes da zona sul da cidade de São Paulo se reunirem para celebrar os 40 anos da greve de 1979. O encontro será especialmente importante porque vai reunir lutadores da mesma região onde morou e trabalhou o operário Santo Dias da Silva, assassinado durante a paralisação. A reunião vai acontecer na sub-sede de Santo Amaro do Sindicato dos Químicos (Rua Ada Negri, 127) a partir das 9 horas, um local que funcionou, durante certo tempo, como sede da CUT Zonal Sul, uma das heranças organizativas da mobilização do final dos anos 70 do século passado.   

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Ideologia, democracia e disputa política

Socialismo - Nunca acreditei que o capitalismo fosse capaz de fazer a felicidade das pessoas. Minha orientação ideológica, portanto, tem a ver com uma escolha de bom senso. Penso que os seres humanos podem viver melhor se a renda e a riqueza for distribuída de modo igualitário. 

Liberalismo - Sempre achei que os autointitulados liberais são, ideologicamente, partidários da teoria do "quem pode mais chora menos". Ao apregoarem a liberdade, eles buscaram justificar a ideia estúpida de que todos os seres humanos são livres para escolherem a exploração capitalista como situação ideal para suas vidas.

Exclusão - A ideologia liberal é responsável, historicamente, por absurdos que podem ter, como resultado, a eternização da exclusão social. A meritocracia, um dos exemplos dessa teoria, é um resumo dessa pretensão. 

Resistência - Movimentos sociais populares e sindicatos de trabalhadores, liderados por militantes de esquerda, produziram um mundo em que, embora ainda vigore o capitalismo, a situação foi se tornando mais razoável, sem que a exploração do trabalho e e exclusão social fossem exterminadas totalmente.

Democracia - As mobilizações populares e sindicais só puderam acontecer, com mais vigor e intensidade, nos períodos de democracia formal. A democracia é a situação ideal para o desenvolvimento da luta anticapitalista e, ao mesmo tempo, é o cenário em que podemos disputar a consciência das pessoas para o projeto socialista.   

Fascismo - O autoritarismo sempre é utilizado pelas forças conservadoras para barrar os avanços da civilização humana. É inevitável, em um ambiente democrático, que ideias de igualdade e de justiça social ganhem defensores e adeptos. 

Golpe - Para impedir esse avanço ideológico perigoso, o capitalismo sempre teve o poder do dinheiro para comprar aliados e, com isso, dar uma aparência de democracia aos seus interesses imediatos. Foi assim, por exemplo, no golpe de 2016 e na prisão arbitrária do presidente Lula.

Alinhamento - Em termos programáticos, muitos dos que se declaram adversários do "coiso" pensam exatamente igual a ele, o que pode reduzir o ponto comum da frente democrática a uma hipotética derrubada do governo fascista, com sua substituição por um outro governo, sem a revogação de medidas como os cortes de gastos públicos e de direitos dos trabalhadores, mas com a manutenção de prerrogativas democráticas.  

Futuro - As contradições e os limites do capitalismo fazem com que tenhamos aliados conjunturais que só são úteis no presente e em determinados pontos. O governo fascista está perto de uma desaprovação recorde, e alguns dos que o apoiaram no início já buscam se descolar dele. 

Conteúdo - Isto não significa que eles mudaram de opinião sobre o essencial, especialmente sobre o conteúdo programático que prevê cortes de gastos públicos, supressão de direitos e eliminação de programas de inclusão social e de distribuição de renda. 

Continuidade - Os movimentos sociais populares e os sindicatos de trabalhadores não arredam pé do restabelecimento da democracia, mas, ao mesmo tempo, não aceitam a redução de direitos e de programas sociais. Sabemos que a revogação dessas medidas só será possível com a anulação da sentença que resultou na prisão arbitrária do presidente Lula

   


  

   

   

sábado, 31 de agosto de 2019

Tristezas e certezas

Mortes I - Quando soube das mortes mais recentes, me convenci que a geração de mulheres e homens que enfrentou a ditadura implantada pelo golpe de 1964 (e que resiste ao fascismo) está indo embora. Salvo algumas excepcionalidades (tem gente que vive mais de 100 anos), ou algum acidente fatal, nos despediremos de muitas pessoas nos próximos tempos.

Certeza - O que me conforta e anima é saber que a história é eterna e a luta é permanente e contínua. Os que se foram deixaram lições e referências importantes. Choraremos pelos que morrerem, mas seguiremos em frente.

Mortes II - Estive hospitalizado, alguns dias, e um companheiro me mandou um recado para que eu não morresse, especialmente porque "estamos perdendo muita gente". Quando fui avisado da morte do Reginaldo Moraes, quem me deus a notícia triste, a Claudia Santiago, disse que ele tinha combinado com ela de "não morrer". A combinação durou quatro anos, tempo que o Régis demorou pra seguir o mesmo caminho do Vito Giannoti. Quero dizer ao companheiro Webster Bravo que não tenho a intenção de morrer. Vou ficar por aqui pra lutar e pra resistir. 

Tristeza - Vai ser difícil me despedir de companheiros queridos (hoje fiquei sabendo da morte do Toshio), mas eu pretendo insistir na teimosia de viver, e serei persistente (e resistente) em relação ao capitalismo e ao fascismo. Tenho certeza de que, quando eu morrer, os que ficarem continuarão lutando para mudar o mundo. Estou certo de que o futuro da humanidade será o socialismo.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Teimosia petista e oportunismo direitista

Democracia - A luta democrática sempre teve valor estratégico para o PT e para a esquerda. Fora do ambiente democrático não há espaço para a mobilização dos trabalhadores e das classes populares. E sem esse espaço de mobilização, a convivência com o capitalismo sempre é muito mais difícil. 

Ataques - Nossa convicção democrática, no entanto, nunca impediu que fôssemos chamados de inimigos da democracia. Não foram poucas as vezes em que a esquerda foi acusada de criar (ou de incentivar) alternativas fascistas, pelo simples fato de teimarmos em existir.

Ideologia - O golpe de 2016 pretendeu criar um senso comum que confundisse a defesa de avanços civilizatórios com a defesa de ideias e propostas socialistas. A desinformação generalizada fez um estrago imenso, e defensores da civilização humana se viram, de uma hora para outra, acusados de serem comunistas, abortistas e comedores de criancinhas.

Oportunismo - A aparente neutralidade de algumas figuras públicas contribuiu para acirrar um sentimento antipetista e, em sintonia com os artífices do golpe, alguns oportunistas buscam, nessa conjuntura, se apresentar como alternativa política ao avanço da esquerda e ao desenvolvimento do PT. Para a opinião pública, esses isentos dizem enfrentar a direita, mas sempre pretenderam disputar a referência popular construída pela esquerda brasileira, ao longo da história do país.

Reafirmação - Não há como aferir a origem da teoria estúpida e infundada de que teria sido o PT o principal responsável pelo surgimento do "coiso". Também seria insensato apontar inimigos e adversários pela estupidez, mas, em todo caso, é importante reafirmar que não abrimos mão de nossa existência. Os que desejam o fim do PT e o sepultamento das ideias socialistas são admiradores (explícitos ou disfarçados) do modelo excludente vigente no capitalismo. 

O futebol e a defesa da vida

Espetáculos - Sempre gostei de ir a estádios de futebol. As torcidas sempre me fascinaram. Mais do que as disputas das partidas, as cenas d...