segunda-feira, 18 de maio de 2020

Disputa institucional e ação direta

Direitos - É inegável a participação da esquerda nas mudanças que aconteceram no mundo, ao longo da história. No Brasil, desde a redemocratização, tivemos papel importante no combate ao racismo, na luta contra a homofobia e no enfrentamento de todos os preconceitos. Tivemos atuação importante, também, na luta por moradia digna, por terra para quem trabalha nela e pelos direitos dos trabalhadores.

Democracia – O Partido dos Trabalhadores, fundado em fevereiro de 1980, esteve sempre na frente da luta democrática, e isso contribuiu, decisivamente, para que valores democráticos fossem disseminados na população brasileira. É possível afirmar que boa parte dos avanços se devem à atuação do PT e da esquerda.

Influência – É necessário admitir, contudo, que a política tradicional e o sistema capitalista, durante todo o tempo, buscaram influenciar as deliberações e as ações do PT e da esquerda. As consequências disso podem ser verificadas na ênfase à nossa atuação institucional, em detrimento do reforço à ação direta dos movimentos sociais populares e dos sindicatos de trabalhadores.

Neoliberalismo – O avanço de políticas neoliberais ocorre em todo o mundo e, no Brasil, o desmonte dos poderes públicos, com crescentes privatizações e com o desmonte de políticas públicas de inclusão social, vem acontecendo desde a “distensão lenta, gradual e segura”, tendo tomado uma forma mais incisiva com o golpe de 2016 e com a eleição do “coiso”.

Amenização – No contexto da pandemia, fomos eficientes para amenizar alguns dos efeitos do coronavírus, com o socorro emergencial de R$ 600 e, mais recentemente, provocamos o recuo do prefeito de São Paulo, que pretendeu estabelecer uma “quarentena para os carros” e, ao modificar o rodízio na cidade, condenou a população a viajar em ônibus e trens lotados.

Limites - Não fomos eficazes, no entanto, em disseminar valores humanitários e generosos. Estamos sendo superados por argumentos de seguidores do “coiso”, que valorizam o individualismo e desprezam a vida. Também não conseguimos, no espaço institucional, impedir os avanços do capitalismo liberal. Em plena pandemia, por exemplo, o governo fascista conseguiu aprovar uma ajuda aos bancos, no valor total de R$ 1,2 trilhão.

Desafios – O desafio mais importante do PT e da esquerda, neste momento, é conseguir fazer a combinação entre as ações institucionais e o movimento concreto. O conteúdo programático anticapitalista pode ser eficaz para disseminar valores humanitários e generosos e, ao mesmo tempo, pode ser eficiente para barrar as iniciativas do fascismo.

Combinação – As disputas eleitorais municipais, por exemplo, devem acontecer com a apresentação de propostas concretas como a revogação imediata do corte de gastos públicos, mas, ao mesmo tempo, devem privilegiar os movimentos sociais populares e as demandas das periferias. a única possibilidade de modificar o cenário desfavorável para as classes populares é a articulação da disputa institucional com a ação direta dos movimentos sociais.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Enfrentamento do capitalismo e construção da igualdade

Mudanças - Fui alertado, outro dia, sobre o excesso de otimismo de meu raciocínio político nessa época de pandemia. É certo que o mundo nunca mais será o mesmo, mas também é evidente que não existe força política capaz de instituir uma organização econômica diferente do capitalismo liberal.

Abandono - O presidente fascista pode cair, mas o motivo de sua queda não será a oposição progressista e de esquerda, mas a ausência de aliados que vão, pouco a pouco, abandonando o barco governista. O conteúdo de parte dos opositores liberais do "coiso" (ex-aliados) é muito parecido com o que vem sendo implantado pelo governo fascista.

Manutenção - O fato de não haver uma força política de esquerda, amplamente organizada nas classes populares, é um indício de que a política tradicional pode hegemonizar a transição, assegurando que as medidas implantadas desde o golpe de 2016 tenham sustentação política e soluções de continuidade.

Substituição - O cenário mais provável no mundo, depois da pandemia, é o aprofundamento da força do mercado financeiro, com o enxugamento dos poderes públicos e a ampliação das privatizações. Os ocupantes atuais de mandatos eletivos podem ser substituidos, mas o sistema capitalista, com poucas variações, deve ser mantido.

Dificuldade - A conjuntura política da reabertura, nas décadas de 70 e 80 do século passado, foi determinada por greves e mobilizações de categorias operárias e por sindicatos de trabalhadores que já não existem mais do mesmo jeito que existiram naquele período. Manifestações recentes tiveram a participação, quase que exclusiva, de sindicatos de servidores públicos e de dirigentes de movimentos sociais populares.

Valores - A forte presença operária, ainda que tivesse conteúdo classista e libertário, não conseguiu estender suas conquistas para o conjunto das classes populares. Os avanços alcançados nunca foram transformados em valores humanitários e, desgraçadamente, parte das pessoas assimilou outros valores, como racismo, misoginia, homofobia e xenofobia.

Conteúdo - A luta de classes, mais explícita naquele período, cumpriu a tarefa importante de aproximar os trabalhadores dos bairros das periferias das grandes cidades. Isso possibilitou, por exemplo, o desenvolvimento de lutas reivindicatórias por creches e contra o custo de vida, mas, infelizmente, não conseguiu influenciar o pensamento dominante.

Limites - A limitação da influência do movimento operário, determinada pela distensão lenta e gradual, impediu que pudéssemos dar dimensão mais ampla às conquistas que alcançamos, em cada categoria profissional. Os trabalhadores, organizados em sindicatos, lutam pela manutenção dos seus direitos, mas as pessoas que moram nas ruas, sem qualquer representação, não têm como se defender.

Hegemonia - Todos os dias, no noticiário, assistimos o relato do sobe e desce das bolsas de valores, com a nominação dos nomes de empresas com o respectivo valor de face de suas ações. E isso acontece, normalmente, mesmo em tempos de pandemia. Nunca vimos a divulgação do valor da mão de obra do trabalho humano. O capitalismo reforça a exploração da mão de obra humana e prioriza lucros empresariais, em detrimento de vidas humanas.

Otimismo - Mesmo diante da perspectiva de que o capitalismo liberal consiga impor uma agenda de aprofundamento da exclusão social, continuo otimista com relação ao futuro. Vai dar um pouco de trabalho inverter essa pauta, mas acho que vai valer a pena. Sou anticapitalista porque acho que esse sistema não tem nada a oferecer para os seres humanos. Prefiro pensar que a solidariedade vai vencer o egoísmo e que vamos construir um mundo em que haja justiça social e igualdade.                   

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Golpismo, capitalismo e genocídio

Antipetismo - O ministro que acaba de pedir demissão fez parte, desde o início, da estrutura do golpe e, por sua participação na criminalização do PT e da política, foi premiado com o cargo. Os golpistas pretendiam afastar o candidato mais competitivo do PT, mas não sabiam que isto poderia resultar na eleição do "coiso". O grupo integrado pelo ex-juiz de Curitiba se sustentava no discurso anti-corrupção, viu crescer sua influência quando indicou o ministro e, ao mesmo tempo, quando conquistou a simpatia de massa que possibilitou apoios que ultrapassaram o momento eleitoral.

Rompimento - Os apoiadores do governo fascista sempre tiveram, como ponto de unidade, o antipetismo. O juiz de Curitiba que virou ministro fez parte de um dos grupos de apoio do "coiso", no segundo turno mas, inicialmente, o golpe era somente contra o PT. O nome a ser apoiado, posteriormente, dependia de viabilidade eleitoral, com a única condição de ser contra o PT, e isto se aplicava ao "coiso", embora ele não tenha sido o candidato de Sérgio Moro no primeiro turno.

Naufrágio - Os sinais de que o barco pode afundar estão claros e evidentes. Todos os dias sabemos de notícias novas sobre apoiadores do "coiso" que abandonam a embarcação. Os jornalistas Reinaldo Azevedo, Mirian Leitão e Merval Pereira; os artistas Lobão e Carlos Vereza; e os mandatários públicos Alexandre Frota e Ronaldo Caiado são alguns exemplos da debandada. Restam, ainda, ao lado do "coiso", seus seguidores mais fiéis que, além de serem antipetistas, também acreditam em absurdos como a ideia estúpida de que a terra é plana.

Alianças - A aproximação de figuras públicas da política tradicional, como Roberto Jefferson e Waldemar Costa Neto, por outro lado, pode garantir algum tempo de sobrevivência ao governo fascista, mas, ao mesmo tempo, significa que a política econômica deve continuar intacta. O apoio parlamentar será viabilizado, com o apoio da mídia tradicional, para aprofundar medidas de arrocho fiscal e para suprimir direitos dos trabalhadores. A aliança com a política tradicional pode servir, também, para a derrubada de projetos progressistas como a taxação das grandes fortunas e o socorro aos estados e municípios.

Conteúdo - As imbecilidades do "coiso" e de seus seguidores continuarão a ser disseminadas pelas redes sociais, e têm a pretensão de justificar o afrouxamento do isolamento social, viabilizando a implantação de medidas ultraliberais. Os progressistas e a esquerda seguirão resistindo contra o fascismo, mas terão, como principal obstáculo, as regras institucionais que favorecem o governo e a concordância da totalidade dos antipetistas com o programa econômico de arrocho fiscal. O absurdo da discordância com a ciência será justificado, na mídia tradicional, pela necessidade de sobrevivência da economia capitalista.

Números - Sabemos que os números de mortos e de infectados está muito aquém da realidade. Na cidade de São Paulo, por exemplo, há uma proibição explícita de que funcionários da saúde pública divulguem os números reais. No caso dos servidores públicos, que são estáveis, há um constrangimento com base na hierarquia funcional do serviço público; mas no caso dos funcionários das OS's, o silêncio á conseguido através de frequentes ameaças de demissão.

Proteção - Uma das situações mais graves da guerra contra o covid-19 é sentida pelos trabalhadores e trabalhadoras da saúde. Os equipamentos de proteção individual (EPI's) são insuficientes e os profissionais da saúde estão arriscando suas vidas. Não existe, em larga escala, nenhuma iniciativa para que as empresas passem a produzir máscaras cirúrgicas, aventais e luvas para atender, prioritariamente, essas pessoas. O governador de São Paulo, mesmo anunciando apoio específico de algumas empresas, não deu nenhum passo no sentido de negociar com entidades representativas do empresariado para que as fábricas sejam colocadas à disposição do combate ao covid-19.

terça-feira, 21 de abril de 2020

Ideologia neoliberal e pandemia

Desinformação - A ignorância sobre o significado de socialismo e de comunismo é utilizada, calculadamente, para intervir na situação pós pandemia, quando somente um estado autoritário pró-capitalista será capaz de impedir avanços civilizatórios que podem relativizar o avanço do neo-liberalismo. Há um entendimento consensual de que o mundo nunca mais será o mesmo, e algumas atitudes do conservadorismo pretendem impor limites nas mudanças que, certamente, vão acontecer depois da pandemia. 

Ofensiva - O desmatamento das florestas e a escalada do aquecimento global sempre foram negligenciados pelo capitalismo. As limitações escritas em acordos internacionais sempre foram desrespeitadas e, em alguns casos, foram contrariadas deliberadamente. A tragédia do coronavírus coloca em cheque essas atitudes, e a situação só não vai significar a queda do sistema porque não existe, neste momento, uma força anticapitalista organizada para forçar a implantação de um outro modelo de funcionamento da economia.

Democracia - As reações ultraconservadoras miram o futuro, mas tentam influenciar o presente. As atitudes e posicionamentos do "coiso", quando defende o fim do isolamento, têm o objetivo de consolidar a pauta conservadora de seu governo e, ao mesmo tempo, procura consolidar uma pauta que atende os interesses imediatos do capitalismo. Não se trata apenas de se opor às loucuras do "coiso", que teima em afrontar a ciência, mas de resistir às tentativas de legitimar a invasão de terras pertencentes aos povos tradicionais.  

Eleições - O calendário eleitoral brasileiro prevê que os mandatos dos prefeitos e vereadores sejam renovados em outubro próximo. Não sabemos, ainda, se o calendário será mantido, mas, de todo modo, como partido organizado nacionalmente, o PT tem que estar preparados para essa batalha. Os posicionamentos do "coiso", as atitudes midiáticas de autoridades locais e a inivisibilidade do Partido dosTrabalhadores tornam ainda mais urgente que estejamos preparados. 

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Ignorância armada

Violência - O comportamento dos seguidores do "coiso"sempre foi violento. Não há novidade em ameaças contra pessoas e instituições, proferidas em nome do ocupante atual do cargo de presidente da república e, para esses imbecis, todos os que discordam das ideias e comportamentos estúpidos do seu "mito" são considerados comunistas ou petistas.

Intimidação - Não são poucas as tentativas de amedrontar os que discordam do "coiso", e as atitudes, em geral, ocorrem através de palavras covardes e anônimas, proferidas nas redes sociais. Também são feitas ameaças telefônicas e até atos de violência reais, como o que vitimou a vereadora Marielle Franco e Anderson Gomes.

Ódio - Manifestações de ódio, especificamente contra o PT e a esquerda, foram incentivadas pelos grandes veículos de comunicação. Atos de intolerância contra homossexuais e imigrantes foram tolerados e noticiados como coisa normal. O incentivo ao ódio e a normalização de pronunciamentos imbecis acabou resultando na ampliação de atitudes que, mais recentemente, se estenderam a qualquer pessoa que discordar do "coiso".

Ignorância - A eleição do "coiso" oficializou um comportamento que já existia em algumas pessoas. Com o resultado eleitoral, que favoreceu o conservadorismo, a estupidez e a imbecilidade passaram a ser defendidas e praticadas. O comportamento do atual presidente da república em relação à disseminação do coronavírus é um exemplo de como isso funciona.

Lógica - A troca de comando do ministério da saúde é uma clara opção em defesa da ignorância, mas existem limites que são difíceis de ultrapassar. O novo ministro fez questão de dizer que está alinhado com o "coiso" mas, ao mesmo tempo, teve que assumir que não pode haver nenhuma mudança brusca no isolamento horizontal. É muito difícil, para qualquer pessoa, admitir que estudos científicos devem ser ignorados.

Emprego - A defesa da ignorância não se restringe a comportamentos e pronunciamentos imbecis. Ao defender o emprego, o "coiso" quis aprofundar o compromisso com os cortes de gastos do poder público e o fortalecimento do capital privado. O objetivo do uso da ignorância, neste caso específico, serve para legitimar a política econômica ultraliberal do governo fascista.

sábado, 11 de abril de 2020

Pandemia e capitalismo

Exclusão I - A tragédia do coronavírus está revelando a existência de um contingente de mulheres e homens que ainda não são contados pelos indicadores econômicos. São pessoas que trabalham por conta própria, mas que não têm registro de microempreendedor individual nem contribuem de forma autônoma com a previdência pública. Podem haver até 20 milhões de seres humanos nessa situação.

Exclusão II - Os números oficiais sobre o desemprego e a quantidade de pessoas que desistiram de procurar trabalho podem estar longe de representar a realidade da exclusão social do Brasil. A situação é muito mais grave do que a que é divulgada, com frequência, pelos grandes veículos de comunicação. É diante dessa realidade que o governo fascista pretende facilitar, ainda mais, a lucratividade dos muito ricos e dos banqueiros.

Revelações - A crise do coronavírus está servindo para revelar o tamanho da lucratividade dos negócios do capitalismo no Brasil e no mundo. Os anúncios de doações bilionárias demonstram que os capitalistas ganharam muito dinheiro com a exploração do trabalho humano. Os números só não são maiores porque os bancos e empresas do mercado financeiro vem se esquivando de fazerem doações substanciais e, no caso do Brasil, vem sendo favorecidos por medidas governamentais.

Trabalho - O discurso oficial, em defesa do afrouxamento do isolamento, também revela uma característica essencial do capitalismo. Ao defender a medida, o "coiso" revelou a evidência inegável de que é impossível que a matéria prima se transforme em objeto útil sem que seja transformada pelo trabalho humano. Mesmo os que discordam dele, e tentam amenizar o desastre, olham para um futuro em que a exploração do trabalho e a lucratividade dos negócios vão depender das pessoas que, para realizar as tarefas do trabalho, serão mais úteis se sobreviverem.
  
Imbecilidades - Pronunciamentos, absurdos e imbecis, que já foram considerados como retrógrados e ultrapassados, ganharam espaço e habitam, hoje, a consciência de muitas pessoas. É revoltante que um comunicador faça a sugestão de que sejam implantados campos de tratamento para doentes; é ultrajante que um ministro se refira a servidores públicos como parasitas; e é triste que pessoas comecem a pensar que ser ignorante é uma virtude. O mais trágico, entretanto, é saber que esses absurdos contam com a aquiessência de pessoas que, conscientemente, defendem essas ideias.

Legitimidade - É insuportável que essas ideias estapafúrdias sejam legitimadas pelos grandes veículos de comunicação como se fossem normais. É usual que esses comportamentos condenáveis sejam apresentados, pela mídia tradicional, como contraposição a ideias socialistas e libertárias. A defesa de retrocessos é intolerável e não pode ser apresentada como se fosse uma coisa normal.

Futuro I - O sistema que vai emergir, depois da pandemia de coronavírus, infelizmente não será, ainda, um modelo socialista. Não temos força suficiente para implantar uma forma de organização econômica muito diferente do capitalismo. É certo, no entanto, que alguns exageros sejam superados e que, com isso, a humanidade retome o caminho dos avanços civilizatórios alcançados até aqui.

Futuro II - Não é improvável que algumas figuras ultraliberais, como o "coiso", sejam removidas por um auto-intitulado "capitalismo humanizado", mas as ideias neo-liberais de enxugamento da máquina pública continuarão a ser defendidas pelos que, hoje, fazem a defesa da utilização do aparato estatal para o enfrentamento da crise. Devemos estar juntos no combate aos absurdos e imbecilidades, mas devemos ter a clareza de que a remoção desses obstáculos não vai representar o fim da sociedade baseada na exploração do trabalho humano.

Tarefas I - Os militantes da causa da igualdade têm, neste momento, tarefas conjunturais muito importantes, que não podem ser postergadas. Os representantes dos interesses do capitalismo liberal precisam ser enfrentados, em todos os momentos, com a denúncia permanente de que, com a justificativa de socorrer a economia, os defensores do neo-liberalismo estão tentando implantar medidas de favorecimento do mercado financeiro e dos muito ricos.

Tarefas II - Ao mesmo tempo devem ser apresentadas proposições claras de socorro aos excluídos, com a especificação da origem dos recursos financeiros a serem utilizados nas políticas públicas de inclusão social, como o fortalecimento da saúde pública extensiva a todas as pessoas; a taxação das grandes fortunas, a expropriação dos lucros dos bancos e empresas do mercado financeiro e a emissão de moeda para custear os investimentos públicos. Devemos insistir também no fortaalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).   

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Contraposição

Polarização - O enfrentamento entre os governadores e o "coiso" pode resultar numa interpretação equivocada da conjuntura e, com isso, pode justificar posicionamentos que valorizam uma parte dos adversários políticos dos trabalhadores e do povo. A discussão fulanizada não vai definir nossos aliados e parceiros. O que vai resolver quem está do lado dos trabalhadores e do povo será o encaminhamento de providências concretas para que a crise seja superada.

Pirotecnia - O barulho feito, em alguns casos, está muito longe de atacar a raiz do problema. Um exemplo disso é que, na cidade de São Paulo existem inúmeros prédios que já foram hospitais, totalmente abandonados, apenas aguardando valorização no mercado imobiliário. O prefeito tucano prefere se colocar ao lado da especulação e mostrar, várias vezes, o hospital de campanha que a administração está montando em um estádio de futebol, ao invés de determinar, com a rapidez e a agilidade que o momento exige, a desapropriação de imóveis abandonados.

Mídia I - Sobre a montagem dos hospitais de campanha há, ainda, uma enorme injustiça. Ao invés de mostrarem o trabalho das pessoas que estão montando os equipamentos, os grandes veículos de comunicação preferem exibir o testemunho de autoridades que falam dos hospitais de campanha como se fossem ininciativas exclusivas das autoridades. Os trabalhadores e trabalhadoras das obras são meros coadjuvantes do noticiário.

Mídia II - Outra omissão da mídia se refere ao caráter privado dos equipamentos que estão sendo montados. O hospital de campanha do estádio de futebol, por exemplo, pertencerá a um hospital particular, e como não existe notícia sobre uma intervenção mais direta do poder público sobre empresas privadas, tudo leva a crer que a população pobre será secundarizada, mais uma vez, em nome de interesses empresariais.

Mídia III - Ao colocar o "coiso" e os governadores em pólos opostos, a mídia tradicional pretende tirar a legitimidade do imbecil que ocupa (momentaneamente) o cargo de presidente da república e, ao mesmo tempo, tem o objetivo de destacar a atuação de figuras públicas que, igualmente antipetistas, podem ser apresentadas como mais responsáveis. É interessante verificar que, na crise do coronavírus, o último presidente tucano foi entrevistado várias vezes e, enquanto isso, o presidente Lula e a presidenta Dilma foram ignorados.

Socorro emergencial - A divulgação da notícia sobre o socorro emergencial aos mais vulneráveis também é omissa em relação a experiências exitosas de várias administrações e também não se refere ao fato inegável de que a origem da ideia foi um projeto apresentado pelo Partido dos Trabalhadores. É revoltante verificar que a mídia tradicional, em época de crise, continua tentando legitimar uma narrativa antipetista, e que essa atitude midiática reforça o discurso dos seguidores do "coiso".

Cumplicidade - O comportamento violento dos fascistas é conhecido. Recorrer à disseminação de notícias falsas e ao uso de ameaças contra adversários e inimigos tornou-se prática usual do "coiso" e dos seus seguidores. Essas características são anormais e intoleráveis. Quem busca normalizar as atitudes participa dos mesmos crimes e tenta fixar o debate político entre essa prática condenável e um tratamento, supostamente, humanizado. Essa fronteira perigosa e hostil aos seres humanos precisa ser superada.          

O futebol e a defesa da vida

Espetáculos - Sempre gostei de ir a estádios de futebol. As torcidas sempre me fascinaram. Mais do que as disputas das partidas, as cenas d...