segunda-feira, 1 de outubro de 2018

O conteúdo do fascismo

Ausência - As manifestações das "Diretas Já" e do "Fora Collor" ocorreram, praticamente, sem que houvesse contraponto. Não houve quem defendesse, explicitamente, o colégio eleitoral e a eleição indireta; e, com exceção de uma ruidosa "tropa de choque" no parlamento, Fernando Collor também não teve advogados. A situação permitiu a viabilização da "transição conservadora" e contribuiu para que a destituição do então presidente ocorresse sem grandes traumas, com a posse de seu vice.

Inclusão - Em 2002 uma proposta democrática e popular, finalmente, conseguiu maioria nas urnas e, com a primeira eleição do presidente Lula, o governo federal iniciou a implantação de um projeto totalmente oposto aos dos seus antecessores, o  que contribuiu, de modo decisivo, para a sua reeleição e para a vitória eleitoral da presidenta Dilma Roussef. Desde 2003, o governo buscou amenizar as desigualdades sociais de nosso país, e as políticas públicas federais atacaram o déficit habitacional, os baixos salários e as dificuldades de acesso ao ensino superior.

Civilização - O período de tempo dos governos do PT coincidiu com a consolidação de alguns avanços civilizatórios importantes. Foi nesse período, por exemplo, que as mulheres, os homossexuais e os negros fortaleceram sua presença na sociedade e conquistaram espaço institucional para apresentação de suas demandas e reivindicações. É óbvio que os governos do PT favoreceram a presença dessas demandas, incorporando, na sua estrutura, instrumentos oficiais de defesa de direitos das mulheres, dos negros e dos homossexuais, mas isto seria muito difícil se já não existissem organizações feministas, de combate ao racismo e de enfrentamento da homofobia.

Golpe - A ofensiva conservadora que culminou no golpe de 2016 teve, como objetivos importantes, o desmonte de políticas públicas de inclusão social e a interrupção da adesão do governo democrático e popular aos avanços civilizatórios. A intenção do golpismo sempre foi a economia de recursos financeiros, mas o movimento conservador nunca se limitou a isso. Grandes empresas financiaram o golpe com o interesse explícito de promover cortes de gastos públicos e, assim, viabilizar sucessivos superávits a serem utilizados para o pagamento da dívida pública, mas os conservadores nunca descartaram o autoritarismo.

Mídia - Para alcançar seus objetivos, o conservadorismo brasileiro sempre contou com o apoio da mídia tradicional. O noticiário seletivo sobre corrupção política sempre pretendeu condenar o PT e, ao mesmo tempo, sempre buscou inocentar figuras públicas da política tradicional. Um dos candidatos à presidência da república, além de defender ideias absurdas e estapafúrdias, nunca foi citado no noticiário como acusado de corrupção. Além de inocentá-lo previamente, os grandes veículos de comunicação sempre buscaram legitimar as ideias retrógradas dele.

Assustador - É improvável que o "coiso" vença as eleições presidenciais, mas já é apavorante a simpatia conquistada por ele junto à população, especialmente porque seu capital eleitoral foi obtido, principalmente, por causa do discurso autoritário, machista, misógino e homofóbico. O ódio antipetista se revestiu de conteúdo, e pode nos assombrar por bastante tempo.

#EleNão - O noticiário deste final de semana não poderia ignorar as multidões que se reuniram, em todo o país, para protestar contra o conteúdo autoritário, machista, misógino e homofóbico do "coiso". Como era impossível deixar de informar, os grandes veículos de comunicação optaram por dar tratamento semelhante ao estúpido e, com isso, se igualaram a candidaturas que se apresentam contra ele, mas que, ao mesmo tempo, também atacam o PT. Ao assumirem a postura de legitimar ideias fascistas, os grandes veículos de comunicação estão promovendo as ideias do "coiso", incentivando o ódio e cultivando o fascismo.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Boatos e mentiras

Boatos - Um dos artifícios do antipetismo é a utilização de boatos para enfrentar uma iminente derrota. O presidente Lula já foi dono de uma "mansão" no bairro do Morumbi e, se fosse eleito em 1989, mandaria confiscar bens pessoais. Mais recentemente, diante de uma iminente (e inevitável) vitória eleitoral do PT, o presidente Lula foi acusado de que iria implantar o terceiro mandato, em benefício próprio.

Mentiras - O boato sobre a "mansão" pretendeu confundir o presidente Lula com os ricos moradores do bairro onde se localizaria a hipotética residência; o do "confisco de bens" teve a intenção de assustar a classe média que, na ocasião, correu para votar em Fernando Collor e afastar o fantasma do "perigo comunista"; e o do "terceiro mandato" buscou convencer a opinião pública de que, no governo, os mandatários do PT agem para se beneficiar pessoalmente.

Indulto - O boato mais recente se refere à possibilidade de que o futuro presidente Fernando Haddad liberte o presidente Lula através de "indulto presidencial". A informação não tem nenhum fundamento. Libertá-lo através desse instrumento seria reconhecer uma culpa que não existe. O ideal é que o poder judiciário reconheça que errou ao condenar o presidente Lula sem qualquer prova, e que decida pela sua libertação. 

Objetivo - O boato recente tem a intenção de disseminar a ideia estapafúrdia de que o futuro presidente Fernando Haddad teria, como única tarefa, decretar a liberdade do presidente Lula. A prisão arbitrária e sem provas é uma violência, mas não será a revogação de uma decisão que vai corrigir os inúmeros problemas do poder judiciário, que precisa de uma completa reforma.

Andamento - O processo em relação ao presidente Lula está em andamento, e vários recursos ainda serão examinados. Para o bem da verdade e para a aplicação efetiva da justiça, é imprescindível que aconteça o reconhecimento de que a condenação aconteceu sem qualquer prova.

O Povo Feliz de Novo - Diferentemente de qualquer boato, o futuro presidente Fernando Haddad vai assumir o cargo, em primeiro de janeiro de 2009, para retomar os programas sociais suprimidos pelo golpe. A mentira só serve aos boateiros golpistas de sempre. A boataria tem, também, o objetivo de alimentar os argumentos dos antipetistas.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Fascismo, golpismo e unidade

Violência - O mais perigoso dos desdobramentos da cultura de ódio é o crescimento e a legitimação de comportamentos autoritários e violentos, especialmente contra os excluídos. A invasão da polícia, em um local de acolhida para moradores de rua, é um sinal de que a pregação odiosa também reforça a sensação de impunidade já existente no comportamento de autoridades da segurança pública.

Linchamento - Os confrontos contra imigrantes venezuelanos, no norte do país, revelam uma outra face da cultura de ódio. Além de incentivar manifestações de intolerância em relação a estrangeiros, o discurso fascista pretende legitimar as ações violentas que resultaram na morte de um refugiado e, com isso, apoiar a política dos Estados Unidos da América do Norte em relação ao governo democraticamente eleito do país vizinho. É revoltante que exista uma espécie de concordância tácita, de parte da população, com os atos violentos.

Comportamento - A invasão de página produzida e administrada por mulheres é apenas um aspecto do comportamento perigoso dos seguidores do candidato da direita. Eles se especializaram em usar as redes sociais para disseminar suas ideias e projetos, e se utilizam de todos os recursos para alcançar seus objetivos. Uma tática utilizada por eles é a da provocação. Não são poucos os casos em que os degenerados invadem perfis pessoais e grupos identificados com a luta contra o fascismo somente para causar irritação em quem lê e revolta em quem se sente invadido.

Perigo - A menos que o antipetismo vista o uniforme do fascismo e viabilize seu sucesso eleitoral, é improvável que o candidato da direita vença a eleição. Suas ideias e projetos representam um exagero, mesmo para o conservadorismo brasileiro. É necessário reconhecer, por outro lado, que a propaganda fascista já foi longe demais em seus objetivos. Ao disseminar o ódio aos estrangeiros, aos negros, aos pobres, às mulheres e aos homossexuais, o discurso fascista conseguiu reunir um conjunto de imbecis que, mesmo que pensasse da mesma maneira antes, nunca tinha se sentido parte de um time.


Unidade - Não foram poucas as vezes, na história brasileira, em que tivemos que aceitar o "menos pior" para evitar um "mal maior". Já recuamos, muitas vezes, em nossos objetivos imediatos, em nome da unidade para evitar o caos. Os defensores da candidatura presidencial do PDT tentam reeditar essa lógica, mas o apelo à unidade, neste caso específico, não deve fazer efeito, especialmente porque a candidatura de Fernando Haddad é a única que pode reverter as medidas do golpismo. Os pedetistas de sempre e os defensores conjunturais da candidatura presidencial de Ciro Gomes serão aliados valorosos na luta contra o fascismo, mas o PT não abre mão de ser o protagonista principal desse enfrentamento. 

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Democracia e projetos para o país

Exclusão - O processo eleitoral brasileiro é responsável pela exclusão (ou sub-representação) de setores importantes da população. As mulheres, mesmo sendo mais da metade da população, têm uma representação de cerca de 10%  no parlamento. Os índios, legítimos donos da terra brasileira, ao longo da nossa história, tiveram somente um parlamentar eleito, o então cacique Mario Juruna, que foi deputado federal pelo PDT.  

Poder econômico - Outro aspecto danoso da democracia representativa brasileira se refere ao domínio do poder econômico. Entre os parlamentares existem inúmeros empresários (ou representantes deles), e a presença de trabalhadores é muito pequena. O resultado disso é que, em votações importantes, como a da supressão dos direitos trabalhistas ou do pacote do veneno, o resultado é sempre favorável aos interesses empresariais.

Projetos -  A disputa eleitoral privilegia a fulanização e secundariza o debate sobre projetos para o país. Parte considerável dos partidos políticos funciona, quase que exclusivamente, como legenda de aluguel, e cumpre o papel de viabilizar a participação eleitoral de pessoas sem posicionamento ideológico declarado.

Ideologia - A falta de posicionamento ideológico, no entanto, nunca inviabilizou o alinhamento político com os interesses das classes dominantes. Na votação do impeachment, por exemplo, a maioria dos parlamentares que votaram contra a presidenta Dilma Roussef pertence a pequenos partidos que, isoladamente, contam com poucos parlamentares, mas que, alinhados com o objetivo imediato das elites, possibilitaram que o golpe obtivesse apoio parlamentar.

Discrepância - Partido político com capilaridade suficiente para estar presente em todos os lugares, o PT também colhe os frutos do trabalho cotidiano de mulheres e homens que, nos sindicatos de trabalhadores e nos movimentos sociais populares, trabalham pelo fortalecimento da legenda. A representação parlamentar do PT, no entanto, não corresponde aos números das pesquisas. O levantamento estatístico mais recente aponta que o PT é o preferido de 29% da população, mas a quantidade de deputados do partido é de pouco mais de 10% das cadeiras. 

Democracia - O cenário atual, desgraçadamente, dificulta a implantação de reformas mais profundas. É previsível a vitória eleitoral de Fernando Haddad, mas é improvável que ele tenha maioria parlamentar para revogar medidas do golpismo e para governar para a maioria da população. Parece difícil a eleição de uma bancada numerosa de deputados federais e de uma grande quantidade de senadores, que apoiem os projetos do PT para o país. Diante desse impasse, a única saída será a mobilização permanente, capaz de tornar prática a certeza de que "a luta faz a lei".

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Enfrentar o fascismo

Perigo - Ainda não é possível saber o resultado da eleição presidencial, mas é assustador que um candidato defensor do ódio esteja bem colocado nas pesquisas de intenção de voto. É um sinal perigoso de que existe, na sociedade brasileira, uma quantidade de pessoas que, ideologicamente, se alinham com posicionamentos que contrariam os mais elementares avanços da civilização humana.

Extremismo - O ideário extremista dialoga com o pensamento conservador clássico, mas vai além dessa ideologia, para defender, sem qualquer tipo de disfarce ou melindre, o armamento indiscriminado das pessoas, o racismo e a homofobia. O discurso político é exagerado mas, desgraçadamente, coincide com o pensamento de um percentual razoável de brasileiros e brasileiras.

Imbecilidade - O comportamento do candidato extremista pode ser qualificado como imbecil, mas ele expressa uma fração considerável de mulheres e homens que não ousariam ofender a filha do Gilberto Gil nem se dirigiriam a uma deputada federal dizendo que ela não merece ser estuprada. Palavras e atitudes odiosas, infelizmente, acabaram conquistando a "concordância tácita" de uma quantidade de pessoas que equivale a cerca de 20% do eleitorado, e é esse o provável resultado que ele obterá nas urnas.

Tragédia - O comportamento odioso, no entanto, não se restringe ao espaço político ou à disputa eleitoral. Não é improvável que o sucesso das ideias de ódio tenha motivado as atitudes violentas contra imigrantes venezuelanos. Não é impossível que o pensamento imbecil seja o principal motivador do comportamento antipetista de uma quantidade razoável de pessoas.

Desastroso - É assustador imaginar que o portador desse comportamento odioso possa chegar ao segundo turno das eleições e, por encarnar o antipetismo, recebendo o apoio da grande mídia e da política tradicional, saia vitorioso nas urnas. O absenteísmo, incentivado pela desmoralização pública do espaço político, pode contribuir para que o portador de ideias estapafúrdias e contrárias aos avanços da civilização humana, se torne presidente da república.

Fascismo - São poucas as alternativas para evitar que aconteça o pior. Mesmo que ele não vença a eleição, as ideias e comportamentos de ódio, ao final do pleito, terão conseguido adesão significativa. A contraposição mais ao avanço do fascismo só pode ser feita por uma ampla frente democrática, com conteúdo que incorpore os avanços civilizatórios já alcançados pela humanidade.

Dificuldades - Por ir além do calendário eleitoral e por centralizar sua atuação em conteúdos que se apresentem, claramente, contra o avanço do fascismo, sempre será difícil reunir um grande número de pessoas. A necessidade de formação da frente antifascista, no entanto, é uma condição de sobrevivência para a esquerda, para os sindicatos de trabalhadores e para os movimentos sociais populares.      

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Expulsões e linchamentos

Fascismo - Confesso que demorei alguns dias pra entender o comportamento dos moradores de cidade do norte do Brasil, que investiram, violentamente, contra refugiados de um país vizinho, com o objetivo de expulsá-los. O mesmo mal estar também acontece comigo quando sei de algum linchamento. A maioria do povo brasileiro cultiva a hospitalidade e a acolhida com todos os estrangeiros. Também somos, majoritariamente, amantes da justiça e do direito de defesa, e qualquer atitude que se assemelhe a selvageria não tem a aprovação da maioria do povo brasileiro. 

Mídia - Atitudes violentas contra estrangeiros e linchamentos públicos, felizmente, são episódios pontuais que só se espalham pela população por causa da ação midiática, especialista em apresentar fatos isolados como se eles fossem uma tendência generalizada. A disseminação de notícias sobre atitudes insanas, uma especialidade da mídia tradicional, pretende reforçar a campanha eleitoral de um dos candidatos à presidência da república.

Duplicidade - No caso específico dos venezuelanos, os grandes veículos de comunicação têm dois objetivos quando divulgam o episódio isolado com destaque, . O primeiro deles é o de disseminar uma cultura de ódio que não combina com a população brasileira, mas que, desgraçadamente, está presente no debate eleitoral. O outro objetivo midiático é motivado pelo engajamento no combate ao governo da Venezuela, que o governo dos Estados Unidos da América do Norte pretende derrubar.

Repúdio - A maioria do povo brasileiro não concorda com os atos violentos insanos mostrados na televisão. Também é reprovável um alinhamento automático com o governo dos Estados Unidos da América do Norte. Somos solidários e acolhedores em relação a todas as pessoas. Seremos suficientemente civilizados para impedir que novos acontecimentos desagradáveis se repitam e, ao mesmo tempo, seremos sensatos para não permitir que essa onda de ódio se espalhe pelo país. 

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Seletividade, palavras e manchetes

Parcialidade - A seletividade antipetista da mídia tradicional é conhecida. Os ataques ao PT se tornaram rotina, e é por causa disso que há uma espécie de senso comum contra a política. O noticiário genérico sobre corrupção é sempre encerrado com informações negativas sobre alguma figura pública do PT. Ainda que as notícias sejam antigas ou repetidas, isso contribui para crescimento do senso comum de "a corrupção foi inventada pelo PT".

Seletividade -  Nesta semana, no entanto, esse comportamento antipetista se superou. Depoimento do presidenciável tucano à Lava Jato nem chegou a ser noticiado. Informação positiva sobre o PT, (a decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU assegurando o direito do presidente Lula ser candidato) ocupou exatos 15 segundos no Jornal Nacional. O mesmo telejornal usou mais de um minuto para dar voz a quem se contrapõe à liminar da ONU.

Gramática - Há expressões, palavras e modos de escrever que induzem o leitor a um entendimento (ou desentendimento) sobre determinado assunto. Quem escreve, por conta própria ou a mando de alguém, busca usar artifícios que ajudam no convencimento de quem lê. Uma expressão muito utilizada na mídia tradicional se refere a quem já ocupou cargo público, e o designa como "ex" alguma coisa, com o objetivo de colocar a pessoa em um lugar distante (no passado), para negar (subliminarmente) a possibilidade de seu retorno.

Passado - Os grandes veículos de comunicação se especializaram em se referir ao presidente Lula como "ex-presidente". A influência da expressão é tão grande que, muitas vezes, nos vemos repetindo isso, quando escrevemos ou quando falamos. O uso generalizado da expressão é responsável, também, pelo surgimento, com relativo sucesso, de figuras públicas que são apresentadas, na mídia tradicional, como novidades. A obsessão em superar o passado, para a mídia tradicional, se resume em qualificar o PT como principal representante de um pretérito "indesejável".

Amostra - Nos últimos dias, assistimos uma demonstração clara de como induzir a opinião pública a um entendimento de interesse das elites. Os grandes veículos de comunicação, quando se referiram à decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU a favor do direito do presidente Lula participar da eleição de 2018, dedicaram pouco espaço para a divulgação da decisão do organismo internacional, e veicularam opiniões de figuras públicas que se contrapõem à liminar.

Maneiras - A seletividade antipetista da mídia tradicional, no entanto, não se limita ao de tempo no noticiário da televisão ou ao espaço em jornais, revistas e sites. O modo de veiculação das notícias sempre tem a intenção de disseminar o entendimento da classe dominante e do golpismo e, no caso da decisão da ONU isso aconteceu de várias maneiras.

Teimosia - Houve uma insistência em eliminar o caráter imperativo da liminar que, embora não tenha tido origem em nenhum tribunal, é uma decisão que deve, obrigatoriamente, ser cumprida, uma vez que o Brasil é signatário de tratados internacionais que impõem a adoção de todas as medidas constantes da decisão. O comportamento midiático se assemelha a legitimar ações de países e organizações beligerantes. Os grandes veículos de comunicação limitam as consequências de uma provável desobediência ao previsível "vexame internacional", como se isso fosse pouco ou nada importante.

Manchetes - Outro aspecto do comportamento midiático que merece ser destacado se refere às manchetes sobre o episódio. Em todos os casos, a decisão foi apresentada, pela mídia tradicional, com o adendo de uma opinião contrária. Houveram situações em que os discordantes ocuparam lugar de destaque na chamada da reportagem, como se posicionamentos de ministros do governo sem voto ou de integrantes do Ministério Público Federal fossem mais importantes do que o conteúdo da liminar.          

O futebol e a defesa da vida

Espetáculos - Sempre gostei de ir a estádios de futebol. As torcidas sempre me fascinaram. Mais do que as disputas das partidas, as cenas d...