domingo, 19 de maio de 2019

Derrotar os cortes e o golpismo

Cortes - As manifestações contra os cortes de investimentos públicos na educação, ocorridas em todo o país, na quarta feira da semana passada, representam uma amostra do descontentamento em relação a medidas adotadas pelo governo fascista, sob encomenda do golpismo. 

Golpismo - Os cortes orçamentários não se limitam ao setor educacional, devendo atingir, também, diversos outros setores da vida brasileira. O objetivo do golpismo sempre foi o de produzir sucessivos superávits para resgatar papéis públicos em poder do mercado financeiro. 

Origens - A mobilização contra a redução de gastos públicos pode não ser suficiente para barrar a ofensiva do fascismo, especialmente porque os cortes se baseiam em emenda constitucional aprovada ainda durante a gestão do golpista Michel Temer. A origem dos cortes estava prevista na emenda constitucional que congelou os gastos públicos por vinte anos.

Consequências - Com a finalidade de cumprir a meta imposta pela emenda constitucional, prefeitos e governadores escolheram o caminho de penalizar os mais pobres. Não são poucos os municípios, por exemplo, que implantaram novos sistemas previdenciários para os servidores públicos e que cortaram convênios com entidades sociais populares.

Recessão - A redução de gastos públicos terá, também, como consequência, uma brutal recessão econômica. Muitos municípios dependem de investimentos públicos e vários pequenos negócios dependem da renda dos beneficiários da previdência social. Não será surpresa o encerramento de atividades do pequeno comércio, como bares e salões de beleza.

Agravamento - Se a lógica golpista não for enfrentada (e vencida), a situação pode piorar ainda mais, uma vez que estamos no início do período de duas décadas previsto na emenda constitucional. Não será suficiente revogar (ou reduzir) os cortes de gastos da educação. Isto representa apenas uma parte do problema. Será necessário revogar a emenda constitucional que deu origem aos cortes.

Conservadorismo - A pauta conservadora, repetida exaustivamente pelo "coiso" e por seus auxiliares, não tem a pretensão somente de dialogar com setores atrasados da sociedade, mas, essencialmente, pretende justificar a economia de gastos públicos com políticas públicas específicas para as mulheres, para os negros, para os homossexuais e para todos os excluídos e marginalizados. 

Mobilização - Somente a mobilização do conjunto das massas populares pode forçar a fixação de prazos e condições que não signifiquem o corte drástico de políticas públicas e de programas sociais, e que não impliquem na eliminação de direitos. As manifestações de estudantes, professores e servidores da educação devem ser consideradas como ponto de partida para a construção de mobilizações mais vigorosas e generalizadas.

Lula livre - Para revogar as medidas do golpismo é imperativo que o presidente Lula seja libertado, mas, para que isso aconteça, será necessária uma mobilização muito maior do que a que fomos capazes de produzir até o momento. A especificidade das manifestações pode impedir (ou reduzir) cortes em determinados setores, mas pode não ser suficiente para reverter a política global de enxugamento dos poderes públicos. 

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Unidade e luta democrática

Manifestações - No Brasil inteiro, nesta quarta feira, manifestações de protesto ocuparam praças e ruas contra os cortes de gastos propostos pelo governo fascista. O motivo mais importante das manifestações foram os cortes no setor da educação, uma clara demonstração de comprometimento negativo do futuro. Se os cortes dos investimentos na educação forem efetivados, é possível prever que as futuras gerações não terão acesso à educação se não puderem pagar as altas mensalidades de uma escola particular.

Mercado - Os cortes de investimentos públicos não se limitam à educação. O governo fascista pretende economizar recursos financeiros em vários outros setores, para resgatar papéis públicos em poder do mercado financeiro. O golpe de 2016 e a prisão arbitrária do presidente Lula foram financiados com o objetivo de interromper a implantação de políticas públicas de justiça social, para restabelecer o poder do mercado financeiro, verdadeiro governante do país, que apenas usa o "coiso" e seus ministros como representantes institucionais.

Unidade - A força das manifestações pode produzir uma nova realidade, capaz de retomar as políticas de distribuição de renda interrompidas pelo golpe de 2016. O desafio mais importante da conjuntura atual é produzir a unidade política necessária para a superação do autoritarismo, implantado pelo golpe de 2016 e pela fraude nas eleições de 2018. A retomada do projeto que vinha sendo implantado pressupõe a libertação do presidente Lula, o que vai significar, também, o fortalecimento do Partido dos Trabalhadores. A unidade que deve ser construída para a conquista do retorno do país à civilização tem, como condição mais importante, a aceitação dessa realidade futura, sob pena de, se não o fizer, reforçar o fascismo e, por consequência, os interesses do mercado.

Juventude - A presença de crianças e jovens nas manifestações de quarta feira precisa ser destacada, e entendida como parte da tarefa de construção da luta contra o fascismo. Ainda que a forte influência dos protagonistas do futuro possa ser interpretada apenas como defesa do interesse específico pela educação pública de qualidade, é essencial que tenhamos a iniciativa de dialogar com essa demanda, incluindo-a na luta mais global contra o capitalismo. A disposição para lutar por um futuro melhor deve estar, sempre, ao lado da luta pela manutenção (e ampliação) dos direitos já conquistados.

sábado, 11 de maio de 2019

Heróis, heroínas e oportunismos.

Cerimônia - Na última segunda feira, no Rio de Janeiro, aconteceu uma cerimônia que eu tenho o orgulho de ter ocorrido no meu tempo. Perdemos, na semana passada, a cantora Beth Carvalho, e ela ganhou, sete dias depois da sua partida, uma homenagem que é digna de registro. No lugar de uma missa de sétimo dia, sambistas e companheiros da cantora realizaram, no Circo Voador, o "samba de sétimo dia", em memória da sambista.

Registro I - Participei, nesta semana, do lançamento do livro "Um bispo contra todas as cercas", de autoria da jornalista e escritora Ana Helena Tavares, que tem a intenção de contar a história de vida de Pedro Casaldáliga, o bispo dos pobres e oprimidos da prelazia de São Felix do Araguaia. Ao cumprimentar a Ana, ela me agradeceu por aproximá-la de Dom Valdir Calheiros (bispo emérito de Volta Redonda), e me contou que foi através dele que ela iniciou o caminho que a conduziria a Pedro Casaldáliga.

Registro II - Agradeço à Ana Helena pela lembrança, mas acho que é muito importante que o trabalho dela se espalhe pelo país, para que possamos evitar que, no futuro, os heróis do presente a serem estudados nas escolas, não sejam mais os ungidos pelas elites brasileiras, mas que sejam, prioritariamente, os que são adorados pelo povo, como é o caso de Pedro Casaldáliga.

Registro III - Jornalistas e escritores de tempos passados não registraram histórias como a de Pedro Casaldáliga e, se o fizeram, os escritos se perderam. Como resultado disso, desgraçadamente, os heróis reconhecidos pelos livros de história são assassinos que se tornaram heróis por interferência direta das elites. A única (e honrosa) exceção é Zumbi dos Palmares, herói da liberdade e representante das classes populares na luta pelo fim da escravidão. Esperemos que, no futuro, figuras como Beth Carvalho e Pedro Casaldáliga sejam lembrados como heróis e referências positivas para os protagonistas do futuro.

Oportunismo I - É revoltante o uso de problemas pessoais e psicológicos, por parte de religiosos inescrupulosos. Sempre tive essa impressão, mas, recentemente, a situação se agravou. Com o intuito de convencer as pessoas sobre projetos políticos difíceis de serem defendidos, padres e pastores se utilizam da sua autoridade religiosa para defender o conformismo e a subserviência e, também, para defender candidaturas e projetos que representam o contrário da solidariedade e generosidade defendidas por Jesus Cristo.

Oportunismo II - Alguns dos defensores do "coiso" fizeram campanha para ele usando esse artifício. Não há como negar o êxito da empreitada. Muitos dos eleitores do "coiso" foram convencidos por religiosos. A fragilidade psicológica se tornou alvo fácil para o oportunismo, que esconde programas e projetos, e apresenta possibilidades inexequíveis, travestidas de candidaturas como a do atual presidente do país. 

terça-feira, 30 de abril de 2019

Unidade pra lutar, e Lula Livre para seguir lutando

Coerência - Na minha vida de militante já enfrentei muitas disputas eleitorais. Ganhei algumas e, em muitas vezes, fui derrotado. Nas derrotas, no entanto, me senti orgulhoso de estar do lado certo da história. Detestaria ter me mudado para os lados do pelego Joaquinzão nas várias disputas sindicais como metalúrgico. Não me alinhei com Franco Montoro em 1982 nem com Fernando Henrique Cardoso em 1985. Eles não eram inimigos, mas, representavam, em eleições da época, a oposição que podia vencer as eleições. Para votar e para fazer campanha preferi escolher Lula para governador em 1982 e Suplicy para prefeito em 1985.

Instituições -  Os insucessos não devem conduzir, nunca, ao desânimo. Sempre devem servir de motivação para corrigir eventuais erros e limitações, e seguir em frente, rumo a outras disputas. Para o projeto socialista, a participação nos sindicatos, nos parlamentos e nos governos deve servir para ampliar o espaço democrático formal, e assim, potencializar o protagonismo dos trabalhadores e das classes populares. Em muitas ocasiões, todavia, nos deslocamos da agitação e propaganda para o espaço institucional, o que limita a ação dos movimentos sociais populares e, muito pior, coloca os movimentos sociais populares a serviço da governabilidade.

# Lula Livre - O presidente Lula é um símbolo importante das lutas dos trabalhadores brasileiros. A prisão arbitrária do líder operário é uma tentativa de impedir que essa simbologia se explicite ainda mais, e ultrapasse o limite eleitoral. É inegável que o presidente Lula venceria a última eleição presidencial se pudesse concorrer. Sua pessoa física é o resumo das lutas dos trabalhadores e do povo nas últimas décadas. Foi isso o que o conservadorismo quis impedir com a prisão arbitrária. A solidariedade ao presidente Lula é proporcional à representação conquistada por ele como líder sindical e como presidente da república. Seu pronunciamento mais recente (uma entrevista de mais de duas horas) ganhou o mundo, e suas palavras circularam entre as pessoas que o admiram e que mantém a referência nele.

Primeiro de Maio -  Em todo o mundo, o Dia do Trabalho é celebrado como demonstração de força das pessoas que, no capitalismo, só tem a propriedade das suas mãos. As demandas dos trabalhadores sempre se somaram com as reivindicações dos movimentos sociais populares. Apesar de os governos sempre terem tentado revestir a celebração de um cunho festivo, as manifestações sempre tiveram conteúdo de luta anticapitalista. Neste ano de 2019, a luta mais importante, em todo o Brasil, é a defesa da previdência pública, como contraposição à proposta de reforma que pretende sepultar as possibilidades de aposentadoria dos trabalhadores e reduzir benefícios. Os trabalhadores também ocuparão as praças e ruas para defender mais e melhores empregos e para lutar pela valorização permanente dos salários.

Unidade - A pauta principal da luta contra a reforma do sistema previdenciário vai reunir centrais sindicais que nem sempre estiveram juntas. A unidade no enfrentamento contra as propostas do governo fascista representam uma possibilidade concreta de derrotar os que defendem os interesses do governo e dos banqueiros. Unidade na luta, no entanto, não pode significar capitulação em outros pontos. Estarei no Anhangabaú, com a consciência da importância da luta unificada, mas, ao mesmo tempo, sem abrir mão, um milímetro, da luta pela libertação do presidente Lula, símbolo mais importante das lutas dos trabalhadores nas últimas décadas. Unidade pra lutar contra a reforma da previdência, Lula Livre para seguir lutando e, principalmente, muita consciência socialista para continuar insistindo na luta por um mundo melhor e mais justo.     

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Razão e transformação

Racionalismo - Sempre tive a característica de encarar, racionalmente, tudo o que acontece comigo e com o mundo. Não acredito em castigo aplicado por Deus em qualquer hipótese. Minha convicção tem origem na fé de que Deus é bom, e a bondade divina não pressupõe qualquer tipo de castigo. Creio que os atos de qualquer pessoa sempre terão consequências (boas ou ruins) e, por causa disso, penso que as situações que vivemos são resultantes dos atos que cometemos.

Consequências - No decorrer da minha vida namorei bastante, me casei duas vezes e mantive diversas relações estáveis. É natural que, por causa disso, eu seja o pai biológico de muitos filhos e filhas, e eu não tenho conseguido dar a atenção que essas crianças crescidas merecem. Desde a adolescência eu consumi muitos cigarros de papel. É natural que, como consequência, eu tenha doenças respiratórias. Fui um consumidor inveterado  de bebida alcoólica. Não será nenhuma surpresa que eu tenha doenças do fígado e do aparelho digestivo.

Paralelo - Do mesmo modo que eu enxergo minha vida pessoal é que eu avalio a história. Os avanços da civilização humana sempre dependeram (e continuam dependendo) da ação cotidiana de mulheres e homens. Iniciativas e atitudes do passado foram determinantes para a situação que vivemos hoje. Ações e comportamentos do presente serão decisivos para que, com o decorrer do tempo, tenhamos uma forma de organização da sociedade mais justa e mais fraterna. Os protagonistas do futuro, nossos descendentes, terão orgulho de nossa geração se formos insistentes (e persistentes) na luta por igualdade e por justiça social. 

História - A nobreza se considerou representante de Deus no mundo, e impôs regras e leis que sempre para favorecer seus interesses, com a falsa justificativa de que as benesses das famílias reais e imperiais agradavam a Deus. Desde que a burguesia derrotou a nobreza, e implantou o modelo capitalista de funcionamento da sociedade, o que se verificou foi a valorização da divindade do mercado, com a consequente secundarização dos seres humanos. Reis e rainhas provocaram a própria ruína, em nome de Deus. O capitalismo, em nome do mercado, pretende provocar a morte dos seres humanos, para favorecer uma minoria. Os arruinados de outros tempos não tiveram o apoio popular necessário para se manter no poder. Os mercadores da morte, desgraçadamente, ainda contam com o apoio de parte da população.

Continuidade - O poder da nobreza durou muitos séculos. É esperado que o poder do capitalismo permaneça, ainda, por bastante tempo. O poder de reis e imperadores foi derrotado porque, ao longo da história, mulheres e homens enfrentaram a situação e lutaram por mudanças. O capitalismo vai ser superado pela luta permanente e contínua de todas as pessoas que acreditam num mundo melhor e mais justo para todos e todas. A transformação da estrutura da sociedade é uma luta permanente.        

sábado, 30 de março de 2019

Mobilização

Ditadura nunca mais - A anunciada comemoração do dia 31 de março é um incentivo para participar do ato político marcado para acontecer no local onde funcionou, durante a ditadura, um dos aparelhos da repressão. O local da manifestação, na Rua Tutoia, é coberto do simbolismo da resistência ao autoritarismo, e ele deve ser transformado em memorial para homenagear pessoas que foram assassinadas por resistir à tirania praticada pelo regime iniciado com o golpe de 1964. 

Em todos os lugares - Decidi não me deslocar até a Vila Mariana, e participei de um outro evento, no bairro do Grajaú, em comemoração ao mês das mulheres, onde o regime sanguinário e assassino também foi lembrado. O motivo da minha escolha é simples. É preciso que a consciência contra o autoritarismo e em defesa da democracia se espalhe por todos os lugares. É essencial que todas as mulheres e homens se mobilizem para defender o estado democrático de direitos, condição importante para que os trabalhadores e as classes populares se tornem protagonistas do futuro.

Repúdio e mobilização - Combater a estupidez de comemorar a violência é necessário e urgente. A ideia imbecil do "coiso" e de seus seguidores não pode ser bem sucedida. O memorial em homenagem às vítimas do autoritarismo deve ser defendido, mas, principalmente, a mobilização em defesa das liberdades democráticas deve ser assegurada, em todos os lugares. A melhor homenagem aos torturados e mortos pela ditadura será a luta permanente em defesa da democracia.

segunda-feira, 11 de março de 2019

História, verdade e protagonismo

Carnaval - A vitória da Mangueira premiou o enredo que reescreveu a história de nosso país, dando destaque a denúncias que não são citadas na historiografia oficial. Como sabemos, a história é sempre contada pelos vencedores e, na sociedade em que vivemos, tornou-se rotina a apresentação de criminosos como heróis. A classe dominante sempre contou sua história, omitindo personagens populares e exaltando os que serviram aos seus interesses. Foi assim, por exemplo, que aprendemos que os bandeirantes desbravaram o Brasil, quando, na verdade, eles ampliaram as fronteiras através do assassinato de índios e da usurpação de terras pertencentes aos que foram mortos por eles.

Autoritarismo - A ditadura, instalada pelo golpe de 1964, já foi chamada, por um grande jornal, de "ditabranda", e se essa interpretação passar para a história, pode dar razão ao "coiso", que pensa que o autoritarismo da época fez mal em "só torturar e não matar". O desfile da Mangueira restabeleceu a verdade quando citou o companheiro Stuart Angel Jones, assassinado durante sessão de tortura num quartel militar. A irmã dele, a jornalista Hildegard Angel, se apresentou, num carro alegórico, para demonstrar o instinto assassino dos golpistas de 1964.

Marielle - Um ponto muito importante do desfile da Mangueira foi a referência à vereadora carioca, assassinada, muito provavelmente, por milicianos, cujo crime continua, ainda, sem qualquer punição. O enredo incorporou o sentimento coletivo de defesa da democracia, de apuração desse crime violento e de punição dos culpados. Nascida na favela, a vereadora assassinada é porta voz dos interesses do povo pobre e oprimido. Ao homenageá-la, a Mangueira reafirmou os pressupostos da sua luta e, ao mesmo tempo, ajudou a disseminar a ideia de que o brutal assassinato de Marielle não vai impedir a apresentação das demandas e reivindicações da maioria da população.

Democracia - A supressão de direitos é o objetivo principal do golpismo e do fascismo. É muito importante que as manifestações de sindicatos de trabalhadores e de movimentos sociais populares sejam intensificadas. Mas isso pode não ser suficiente para novas conquistas. É essencial que a resistência seja combinada com a defesa da democracia e do direito de organização, com a apresentação de novas demandas e reivindicações. O fator principal das políticas públicas defendidas e implantadas pelo PT é o protagonismo dos excluídos, e esse poder de iniciativa pode ser potencializado pelo exercício cotidiano da democracia.

O futebol e a defesa da vida

Espetáculos - Sempre gostei de ir a estádios de futebol. As torcidas sempre me fascinaram. Mais do que as disputas das partidas, as cenas d...