quarta-feira, 6 de junho de 2018

Padre Amaro inocente

Absurdo - Os motivos que levaram o Padre Amaro a ser preso foram armados por latifundiários e defensores dos interesses deles e, desde que ele foi detido, a armação tem ficado mais evidente. Para se ter uma ideia do absurdo, entre as acusações contra ele está a de "associação criminosa", mas, como ele é o único acusado, não existe como ele ter se associado a ele mesmo para o suposto cometimento de qualquer crime. 

Judiciário - Uma desembargadora do Tribunal de Justiça do Pará negou liminar (decisão antecipada) no pedido de Habeas Corpus apresentado pelos advogados do Padre Amaro e, nesta segunda feira, o próprio HC também foi rejeitado, por unanimidade, pelos desembargadores do mesmo tribunal. A decisão é reveladora de que o plano, preparado por latifundiários, conta com participação do poder judiciário. As acusações não foram provadas e, ainda assim, o Padre Amaro continua detido.

Criminalização - O Padre Amaro é o continuador do trabalho da religiosa Dorothy Stang, assassinada em 2005. Na mesma penitenciária onde ele está detido também se encontra preso o mandante do assassinato da freira. O episódio é revelador do comprometimento do judiciário com os interesses das classes dominantes. As acusações são absurdas e não existem provas. 

Seletividade - A prisão do Padre Amaro é um triste exemplo da seletividade existente na sociedade brasileira. Acusações, apresentadas em depoimentos de fazendeiros e latifundiários, sem qualquer prova, levaram o Padre Amaro para a prisão. O mandante do assassinato de Dorothy Stang ficou doze anos longe da cadeia, até ser condenado e preso, o que só aconteceu depois de manifestações em todo o país e de pressões de organismos internacionais de defesa dos direitos humanos. 

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Qualquer maneira de amor (...) vale amar

Orgulho - "Gente bonita, luta pela cidadania, pela liberdade do Lula, lembrança de Marielle, autoestima elevada à enésima potência". O amigo Luiz Hespanha, com imagens e palavras precisas, descreveu bem o clima da vigésima segunda Parada do Orgulho LGBT. Como bem resumiu um cartaz registrado pelas lentes mágicas do jornalista, "todo amor é certo, errado é não amar".

Diversidade - O preconceito nunca foi maior do que a tolerância. Mais recentemente, com a realização anual da Parada do Orgulho LGBT, a exclusão passou a ser combatida de modo mais eficaz, mas os desafios continuam. Ainda existem pronunciamentos preconceituosos e ainda acontecem ações violentas, mas, mesmo amplificadas pela mídia tradicional, essas atitudes isoladas estão perdendo espaço para a generosidade.

Democracia - A Parada do Orgulho LGBT de 2018 teve o costumeiro componente de defesa da diversidade sexual, mas, ao mesmo tempo, também apresentou a defesa da democracia. O bloco "Lula Livre" marcou presença no evento, demonstrando que a liberdade é uma prioridade da luta por um mundo melhor e mais justo.

Alegria - A magia das lentes do fotógrafo, que captou a contagiante alegria da festa é uma demonstração de que a tolerância é uma conquista de mulheres e homens que colocam o amor na frente de todas as suas atitudes, e reafirma o poder das pessoas na construção de uma sociedade sem preconceitos. Os obstáculos que estiverem à nossa frente serão superados. A igualdade e a justiça vão prevalecer sobre a truculência de brucutus que têm compromissos com um passado que dará lugar a um futuro feliz e colorido.     

sábado, 2 de junho de 2018

As novas mídias e os desafios da esquerda

Digital - As redes sociais tiveram papel importante na convocação das manifestações de 2013 e, recentemente, contribuíram de forma decisiva para a paralisação do transporte rodoviário de cargas. Os grandes jornais e as emissoras de televisão continuaram a ter função, especialmente na disseminação das informações, mas as comunicações entre os caminhoneiros, responsáveis por bloqueios em vários pontos do país, ocorreram através de mensagens do WhatsApp. O preço alto do óleo diesel foi o combustível das mobilizações, e a paralisação foi viabilizada através de mensagens do aplicativo. 

Motivações - Mesmo com a influência importante de aplicativos da mídia digital, é inegável que o que iniciou as mobilizações de 2013 foi o anúncio do aumento das passagens do transporte coletivo, e o que causou a revolta dos caminhoneiros foi o preço do óleo diesel. Os aplicativos, ainda que sejam importantes, por sua agilidade e alcance, não surtiriam o mesmo efeito se não houvessem motivações importantes na origem das mobilizações.

Contraponto - O presidente Lula sofre uma perseguição midiática implacável há algum tempo. Mesmo assim ele se mantém à frente em todas as pesquisas de opinião pública. O contraponto à mídia golpista é feito por sites e blogs da mídia alternativa, e também pelo trabalho diário de ativistas e militantes. É essencial, nessa resistência, a atuação de movimentos sociais populares e de sindicatos de trabalhadores, que enxergam na figura pública do presidente Lula as possibilidades de interrupção da ofensiva de supressão de direitos e as chances de ampliação de programas e políticas públicas de inclusão social e de distribuição de renda. 

Dificuldade - Ainda não conseguimos encontrar palavra de ordem que cumpra o papel de ligar a defesa da libertação do presidente Lula com as demandas da maioria da população. O mais próximo que chegamos disso está na defesa da soberania nacional, através da palavra de ordem "O petróleo é do Brasil", mas isto serviu para mobilizar os petroleiros e motivar os representantes institucionais da esquerda e nacionalistas, sem ter contagiado, ainda, a população brasileira.

Desafio - Um dos principais desafios da esquerda, neste momento difícil, é o de se apropriar das facilidades de comunicação oferecidas pelas novas mídias. Mas a dificuldade mais importante está na elaboração política de uma palavra de ordem que seja capaz de motivar as mobilizações do futuro. A tecnologia digital pode ajudar na disseminação da palavra de ordem, mas o nosso maior problema ainda é de conteúdo.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Golpismo e mercado financeiro

Petrobrás - A saída de Pedro Parente da presidência da Petrobrás não significará, ao menos imediatamente, nenhuma mudança na política de preços da estatal. Ele será substituído, muito provavelmente, por um executivo de carreira da companhia, mas os preços do petróleo e derivados continuarão a ser determinados pelo mercado internacional, verdadeiro dono da empresa. A demissão de Pedro Parente contribuiu para a queda dos preços das ações, o que pode ampliar o controle exercido pelo mercado financeiro sobre os destinos do petróleo brasileiro.

Bolsas - O nome de Pedro Parente é ligado aos interesses do mercado. Demissionário da Petrobrás, ele deve assumir cadeira de dirigente da empresa de alimentos que controla as marcas Sadia, Perdigão e Qualy. Com a demissão, as ações da estatal do petróleo despencaram, enquanto que os papéis da empresa privada de alimentos tiveram sua maior alta. O presidente ilegítimo, responsável pela nomeação de Pedro Parente, continuará a fazer de tudo para agradar os interesses dos grandes bancos. A manutenção da política de preços do petróleo é uma das condições do golpismo para continuar apoiando Michel Temer.

Governabilidade - Com o golpe de 2016, o mercado financeiro assumiu papel decisivo na governabilidade do país. A relativa independência dos governos do presidente Lula e da presidenta Dilma em relação ao mercado financeiro fez com que os bancos financiassem o golpismo, e o governo sem voto está cada vez mais próximo dos banqueiros. Dependendo do resultado eleitoral de outubro, pode acontecer uma ofensiva ainda maior na redução de direitos dos trabalhadores e na eliminação de programas sociais. Exceção importante na lógica mercantilista, o presidente Lula continua preso em Curitiba, mas segue sendo o líder de todas as pesquisas, e é a esperança de que a política econômica anti-povo não seja legitimada nas urnas.   

terça-feira, 29 de maio de 2018

Pesquisas e manipulações

Pesquisas - A divulgação dos números de pesquisa de intenção de voto para a presidência da república tem a pretensão de substituir os resultados de levantamento, divulgado anteriormente, diminuindo a vantagem do presidente Lula para os demais candidatos. Os números divulgados anteriormente, levantados pelo Instituto Vox Populi, indicam um percentual superior a 39% para o presidente Lula, maior do que a soma de todos os outros candidatos que, juntos, naquele levantamento estatístico, totalizam 30%. 

Diferenças - A divulgação mais recente, do Ibope, aponta o presidente Lula com 23%, diante de 19% do segundo colocado. Há uma diferença essencial entre as duas pesquisas. Para chegar ao percentual de 39% para o presidente Lula, o Intituto Vox Populi realizou duas mil entrevistas, em 121 municípios de todo o país. O percentual de 23% foi obtido pelo Ibope a partir de 1008 entrevistas, realizadas somente no estado de São Paulo. 

Manipulação - O suposto objetivo é apresentar os números como se eles se referissem a um mesmo espaço geográfico, o que não é verdade. A provável manipulação, no entanto, pode não ser tão eficaz. Se o presidente Lula tem 23% das intenções de voto somente no estado de São Paulo, é evidente que o percentual seria bem maior se o levantamento estatístico tivesse abrangência nacional. A tentativa midiática, de manipular o eleitorado contra o presidente Lula, não tem nenhuma garantia de funcionar e, ao contrário disso, pode reforçar sua evidente maioria no eleitorado brasileiro.  
      

A disseminação do caos e o contraponto democrático

Omissão - Os petroleiros marcaram uma greve para esta quarta feira. A decisão da Federação Única dos Petroleiros (FUP) tem o objetivo principal de defender a soberania nacional e o estabelecimento de uma nova política de preços para os combustíveis. Os operários petroleiros, em sua imensa maioria, são defensores ou participantes ativos do movimento Lula Livre. Muito provavelmente por causa dessa opção política, e também em razão da defesa intransigente da soberania nacional, as informações da paralisação dos petroleiros estão sendo totalmente ignoradas pelos grandes veículos de comunicação. A mídia tradicional, assim, se revela partidária do golpe e dos interesses de investidores e acionistas da Petrobrás.

Golpismo - O comportamento midiático não pode ser considerado como surpresa. Desde o início do processo que resultou na destituição da presidenta Dilma Roussef, a mídia tradicional se alinhou com os interesses do golpismo. Nos episódios que resultaram na prisão do presidente Lula, há um esforço midiático para reforçar os argumentos de ódio e uma visível contribuição com a seletividade antipetista. Os grandes veículos de comunicação sempre estiveram a serviço do capital. Ao disseminar (e amplificar) o caos, a mídia tradicional pretende reforçar os argumentos dos que defendem a intervenção militar. Ao esconder mobilizações legítimas dos trabalhadores (como as dos petroleiros de todo o país) parte da imprensa tem a intenção de reforçar, na opinião pública, a ideia de que a população é refém da paralisação dos caminhoneiros.

Contraponto - Não há como esperar qualquer mudança de comportamento da mídia tradicional. A única saída para divulgar mobilizações legítimas dos trabalhadores e para explicitar uma situação alternativa ao caos generalizado é o reforço da mídia independente. É urgente a consolidação de uma rede de comunicações que divulgue as manifestações dos petroleiros e de outras categorias profissionais que se opõem ao golpe. Essa contraposição pode disputar a opinião pública, e estabelecer um espaço de debate plural e democrático, capaz de conduzir a um exame mais racional e humanitário sobre a conjuntura atual e, ao mesmo tempo, capaz de desfazer o discurso autoritário, que dissemina o caos.  

segunda-feira, 28 de maio de 2018

A paralisação dos caminhoneiros e o recrudescimento do golpe

Generalização - Um dos sinais do descrédito com a política é o alto número de votos nulos e brancos e de abstenções, em todas as eleições. Outro sinal importante é a falta de partidos políticos com credibilidade, diante da população. A única exceção é o PT, com 20% de simpatia, segundo pesquisa recente. Outros partidos políticos, em segundo lugar, ficam próximos de 5%. Há partidos políticos que não chegam a ultrapassar 1% da simpatia popular. A soma dos votos nulos e brancos e das abstenções ultrapassa 36%.

Descrédito - A paralisação do sistema de transporte de cargas, uma combinação da mobilização legítima de caminhoneiros autônomos com os interesses corporativos de empresas do setor, é uma demonstração de onde esse descrédito generalizado pode conduzir. A falta de legitimidade do governo sem voto só piora a situação. Acordos negociados não são cumpridos e bloqueios nas estradas continuam acontecendo. A circulação de combustíveis é assegurada pela escolta de veículos do exército. A população, em geral, apoia a paralisação. Não são poucos os locais em que são coletados (e distribuídos) alimentos em apoio aos caminhoneiros.

Gravidade - O impasse é revelador de que a ausência de legitimidade dos governos pode ser responsável por uma situação imprevisível. Quem paga o pato é o povo. Há uma tendência do governo federal de conceder isenções de tributos para caminhoneiros autônomos e para empresas de transporte de cargas, e isso deve implicar no aumento da carga tributária para o conjunto da população. A medida é impopular, mas o presidente ilegítimo não se importa com isso. Não precisou de nenhum voto pra chegar ao cargo que ocupa, nem é candidato a qualquer cargo na eleição de outubro próximo.

Golpismo - O desabastecimento generalizado pode favorecer o recrudescimento do golpismo. O presidente ilegítimo já anunciou a convocação das Forças Armadas para atacar os bloqueios. Em estados como São Paulo, as polícias militares estão de prontidão para atuar na repressão aos caminhoneiros. A legitimidade que falta ao espaço democrático pode servir como um argumento a mais para os defensores da intervenção militar. 

O futebol e a defesa da vida

Espetáculos - Sempre gostei de ir a estádios de futebol. As torcidas sempre me fascinaram. Mais do que as disputas das partidas, as cenas d...