segunda-feira, 25 de junho de 2018

A defesa da democracia, a luta contra o capitalismo e a fé católica

Ditadura - Nos anos posteriores ao golpe de 1964, as organizações populares e sindicais foram dizimadas pelo autoritarismo. Sindicatos de trabalhadores foram dominados por interventores, nomeados pela ditadura; entidades de bairro foram dominadas por pessoas de confiança do regime; partidos políticos de esquerda foram proscritos e militantes comunistas, socialistas e democratas foram empurrados para a clandestinidade. 

Afinidades -  A resistência contra o autoritarismo contou com o apoio imprescindível da Igreja Católica. Muitas reuniões aconteceram em salões paroquiais e militantes cristãos se tornaram, também, defensores e participantes da luta contra o autoritarismo. O enfrentamento e a proximidade produziram, também, conversões de comunistas (tradicionalmente ateus) ao cristianismo. O decorrer do tempo resultou no aprofundamento das afinidades, de modo que, hoje, é possível dizer que existem muitos cristãos que também são comunistas, e muitos comunistas que também são cristãos.

Decisivo - A inconformidade com as injustiças reuniu católicos e comunistas. A proximidade foi potencializada pela atuação de integrantes da hierarquia da igreja católica, como Dom Paulo Evaristo Arns, cardeal arcebispo de São Paulo. O papel decisivo do líder católico não se limitou a favorecer a convivência entre comunistas e cristãos. Ele ficou conhecido como cardeal da liberdade, bispo dos oprimidos e bispo dos presos políticos. Foi o principal organizador da publicação "Brasil Nunca Mais", com relatos das prisões e torturas nos porões da ditadura.

Filme - Nesta sexta feira, dia 29 de junho, às 19 horas e 30 minutos, um pouco da história do cardeal poderá ser vista no filme documentário de Ricardo Carvalho "Coragem - As muitas vidas de Dom Paulo Evaristo Arns". A exibição, seguida de debate, vai acontecer no Centro Cultural do Grajaú (Rua Professor Oscar Barreto Filho - Parque América). Será uma ocasião especialmente importante de reunir mulheres e homens que dedicam suas vidas à luta pela transformação social. Será também um momento de reflexão para todas as pessoas que sonham com um mundo melhor e mais justo.

domingo, 24 de junho de 2018

Sensacionalismo e medidas contra o povo

Violência - O noticiário sensacionalista da mídia tradicional é o principal responsável pela disseminação de uma sensação de insegurança individual, o que faz aumentar a demanda por aumento do policiamento ostensivo e alimenta a desconfiança entre as pessoas, especialmente na periferia. Paralelamente a isso, a exibição sistemática de cenas de violência reforça a falsa percepção de que moradores dos bairros populares são (todos) bandidos.

Necessidades - A onda midiática sobre insegurança faz com que sejam tomadas inúmeras iniciativas oficiais no sentido de ampliar a rede de policiamento ostensivo, o que implica, desgraçadamente, no corte de investimentos em políticas de inclusão social e educacional. As demandas e reivindicações das classes populares, no entanto, são muito diferentes das que aparecem na televisão. No extremo sul da cidade de São Paulo, por exemplo, o atendimento da saúde pública é sofrível, as condições de moradia são insuportáveis e o transporte coletivo é um tormento diário.

Dificuldade - Os moradores dos bairros da periferia, infelizmente, ainda não conseguiram articular suas reivindicações específicas e locais com a luta geral por mais democracia. Os moradores do Jardim Varginha, no extremo sul da cidade de São Paulo, aguardam a chegada do trem da CPTM há anos, mas vem sendo enrolados por sucessivas administrações tucanas do governo do estado. A prefeitura tucana da capital fechou uma unidade básica de saúde no Jardim Mirna, também na região sul da cidade, deixando a população sem atendimento.

Desmonte - O golpismo brasileiro é mais conhecido por ter surrupiado o mandato conquistado nas urnas pela presidenta Dilma Roussef. O golpe foi aprofundado com a prisão do presidente Lula. A face mais perversa do golpe, no entanto, não se resume a essa ofensiva na política geral. O golpismo ataca, todos os dias, os direitos dos trabalhadores e da população da periferia.

Redução - A diminuição de gastos públicos, uma das medidas do governo sem voto, atinge diretamente a existência de equipamentos públicos, como a unidade básica de saúde do Jardim Mirna (fechada para economizar recursos), e o adiamento da implantação de estruturas de transporte nas periferias das grandes cidades, como a estação Varginha da CPTM. O golpismo é dirigido, essencialmente, a satisfazer exigências do mercado financeiro e, para isso, penaliza a maioria da população.


  

terça-feira, 12 de junho de 2018

Celebrar o amor

Datas - Sempre tive resistência em relação a datas criadas pela publicidade para potencializar as vendas do comércio. O Dia das Mães deveria homenagear mulheres que têm a coragem de gerar a vida e de criar seus filhos; o Dia dos Pais deveria lembrar que homens participam da geração e da educação de protagonistas do futuro; e o Dia das Crianças deveria celebrar as gerações futuras e o compromisso com um mundo melhor. As datas respectivas vem se tornando meras ocasiões para a venda de perfumes, de peças de vestuário e de brinquedos.

Namorados I - Em relação ao Dia dos Namorados o apelo comercial é evidente. A data foi criada por um publicitário para potencializar as vendas do comércio, em um período do ano em que as coisas são especialmente difíceis para as vendas. Chega a ser irritante a insistência da propaganda, que busca reduzir a celebração do amor à compra de presentes. 

Namorados II - Neste caso específico ainda há a fixação da data em junho, na véspera do Dia de Santo Antonio, um estudioso de textos bíblicos, em contrapartida ao Dia de São Valentim, um bispo que foi executado por celebrar casamentos, contra as ordens de um soberano, que queria que os homens permanecessem solteiros para que pudessem servir, exclusivamente, a seus projetos militares.

Rendição - A resistência em relação ao calendário comercial não produz em mim uma repulsa automática ou qualquer indiferença em relação a essas datas. Em maio estive em Itaquera. para abraçar a Maria Júlia pelo Dia das Mães; em agosto vou me lembrar, com saudades, do seo Benedito; e em outubro vou me lembrar de filhos, filhas e netos, que serão eternamente crianças, embora já tenham crescido bastante.

Namorada - Neste 12 de junho não serei indiferente à mulher que escolhi para me acompanhar durante a jornada da minha vida, e vou me lembrar dela durante todo o dia. A tentativa da publicidade, de reduzir a data a uma ocasião para a compra de presentes não vai me impedir de fazer do dia de hoje uma ocasião de celebrar o amor que sinto por ela. Será o momento de reafirmar o compromisso comum com um mundo melhor e mais justo, e de renovar os sonhos que sempre cultivamos. A Angela Ramos da Silva Paula merecerá todas as mesuras e gentilezas e, certamente, celebrará comigo a certeza de que os nossos sonhos e projetos para o futuro são os mesmos.         

domingo, 10 de junho de 2018

Absenteísmo e democracia II

Desalento - Há um sentimento generalizado de desilusão com a política, incentivado pela mídia tradicional, que pode ser o principal inimigo da retomada da democracia. Eleições suplementares, realizadas recentemente, tiveram índice de absenteísmo preocupante. Somados com os votos brancos e nulos e as abstenções, os votos perdidos totalizaram mais de 50%. O principal beneficiário do desalento é o golpismo, para quem a falta de legitimidade dos eleitos é o mais um motivo para que eles sejam mantidos reféns do poder econômico.

Arbitrariedade - A prisão do presidente Lula tem o objetivo único de excluí-lo da disputa eleitoral, e é um fator de aprofundamento da ilegitimidade do pleito. Líder absoluto em todas as pesquisas, o pré-candidato do PT  representa a esperança de milhões de brasileiros e brasileiras, e a tentativa de exclusão é mais um golpe contra a democracia.

Desafio - O movimento pela libertação do presidente Lula, assim, vai se tornando muito maior (e mais importante) do que a luta contra uma evidente arbitrariedade. As manifestações contra a prisão injusta, que ocorrem em vários pontos do país, também serão espaços de reafirmação dos compromissos com a democracia.

Manifestações - Neste último final de semana começaram a acontecer, na cidade de São Paulo, atos políticos e culturais em defesa da libertação imediata do presidente Lula. Convocados pelo #Comitê Popular Lula Livre, as manifestações têm o objetivo principal de "contestar a prisão e mostrar indignação em relação a essa injustiça".  No próximo sábado, dia 16 de junho, o ato acontece no bairro do Grajaú, na Praça Alfredo Alves de Oliveira, perto do Pronto Socorro Maria Antonieta.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Pesquisas e manipulação

Pesquisas - O Instituto Paraná Pesquisas é conhecido por tentar influenciar o eleitorado e a opinião pública contra o PT. Em 2014, nas eleições presidenciais, pesquisa realizada por eles, às vésperas das eleições, apontava uma vantagem de 8% para o candidato tucano contra a presidenta Dilma Roussef. O resultado do levantamento estatístico falso não se confirmou nas urnas. 

Derrota - O tucano foi derrotado e, depois de contestar o resultado da eleição e, com isso, dar início ao processo que resultou,  em 2016, no golpe parlamentar que destituiu a presidenta Dilma Roussef, Aécio Neves mergulhou no ostracismo. O Instituto Paraná Pesquisas, continua reforçando o antipetismo. Em 2018, seus levantamentos estatísticos falsos estão a serviço de Jair Bolsonaro.

Ausência - Em notícias, que citam o instituto paranaense como fonte, é corriqueira a insistência na não citação da candidatura do presidente Lula. Mesmo quando esta citação acontece, o ponto de partida é uma situação inexistente. Em pesquisa recente, o Instituto Paraná Pesquisas pesquisou a intenção de voto em dez estados brasileiros, e concluiu que Bolsonaro venceria a eleição em quatro deles. 

Separatismo - O pressuposto é totalmente falso. As eleições presidenciais, no Brasil, são nacionais, e não são consideradas as totalizações por estado, que só servem a discursos separatistas e à propaganda de candidaturas que, não conseguindo maioria dos votos a nível nacional, alcançam esse resultado apenas em alguns estados do país. 

Estados Unidos - O modelo de eleição estadual é utilizado nos Estados Unidos da América do Norte, e gera a distorção de eleger presidentes sem que ele tenha obtido, nas urnas, a maioria dos votos nacionais. É isso o que torna possível, por exemplo, que Donald Trump seja o presidente norte-americano, mesmo sem ter tido a maioria dos votos no conjunto daquele país.

Tendencioso - Os números também são suspeitos por se referirem a somente dez estados brasileiros. O país é formado por vinte e sete. A divulgação das informações apuradas na pesquisa é outro fator de falta de confiabilidade do levantamento estatístico. O jornal curitibano "Gazeta do Povo", conhecido apoiador de Bolsonaro, é um dos veículos de comunicação que reproduzem os resultados da pesquisa tendenciosa.  

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Absenteísmo e democracia

Arbitrariedade - A prisão arbitrária do presidente Lula é uma tentativa de destruição da democracia representativa. Sem a participação do líder de todas as pesquisas pré-eleitorais, o pleito perderá legitimidade, e o eleito terá compromisso exclusivo com os interesses do golpismo, como acontece, atualmente, com o governo sem voto.
Protesto - Os resultados de eleições fora de tempo, ocorridas recentemente, indicam um aumento importante na quantidade de votos nulos e brancos e de abstenções. A soma de votos perdidos chegou a 55% em Teresópolis (RJ) e a 53% em Ipatinga, onde ocorreram eleições para prefeito; e foram de 49% na eleição para governador do estado do Tocantins. 

Legitimidade - Os resultados, embora deem a impressão de protesto, significam que os eleitos, uma vez em seus cargos, não terão legitimidade para a implantação de projetos e programas de interesse público e coletivo, mas estarão comprometidos com as parcelas do eleitorado que os elegeram e com oligarquias que exercem o poder real nessas localidades.

Criminalização - A divulgação de notícias é seletiva, e as punições, em vários casos, desabam sobre figuras públicas do PT ou da esquerda, e sobre lideranças de movimentos sociais populares. Mesmo quando são apresentadas denúncias e suspeitas contra tucanos e assemelhados, os grandes veículos de comunicação divulgam, também, informações negativas sobre petistas, como tentativa de incentivar a opinião pública a pensar que foi o PT que inventou a corrupção.

Bom senso - O sistema representativo atende mais aos interesses das classes populares e dos trabalhadores, uma vez que, no debate democrático é maior a possibilidade de prevalecer o bom senso, e isso tende a favorecer o bem geral da população. A ausência de democracia beneficia, sempre, o poder econômico que, com isso, pode fazer o que quiser com o espaço institucional. 

Ausência - Participar da disputa democrática, no capitalismo, pode legitimar decisões e deliberações contra a maioria da população, mas se ausentar totalmente desse espaço pode favorecer ainda mais os interesses das classes dominantes. O ideal é que a esquerda saiba combinar a atuação institucional com a realização de ações diretas, como no caso recente dos servidores públicos municipais de São Paulo. 

Mobilização - Sem a formidável mobilização dos trabalhadores, uma reforma no sistema de aposentadorias e pensões do funcionalismo municipal seria aprovada facilmente pela Câmara Municipal, pois os autores do projeto têm maioria folgada no poder legislativo. A realização de greves e manifestações forçou o adiamento da votação.      





     

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Padre Amaro inocente

Absurdo - Os motivos que levaram o Padre Amaro a ser preso foram armados por latifundiários e defensores dos interesses deles e, desde que ele foi detido, a armação tem ficado mais evidente. Para se ter uma ideia do absurdo, entre as acusações contra ele está a de "associação criminosa", mas, como ele é o único acusado, não existe como ele ter se associado a ele mesmo para o suposto cometimento de qualquer crime. 

Judiciário - Uma desembargadora do Tribunal de Justiça do Pará negou liminar (decisão antecipada) no pedido de Habeas Corpus apresentado pelos advogados do Padre Amaro e, nesta segunda feira, o próprio HC também foi rejeitado, por unanimidade, pelos desembargadores do mesmo tribunal. A decisão é reveladora de que o plano, preparado por latifundiários, conta com participação do poder judiciário. As acusações não foram provadas e, ainda assim, o Padre Amaro continua detido.

Criminalização - O Padre Amaro é o continuador do trabalho da religiosa Dorothy Stang, assassinada em 2005. Na mesma penitenciária onde ele está detido também se encontra preso o mandante do assassinato da freira. O episódio é revelador do comprometimento do judiciário com os interesses das classes dominantes. As acusações são absurdas e não existem provas. 

Seletividade - A prisão do Padre Amaro é um triste exemplo da seletividade existente na sociedade brasileira. Acusações, apresentadas em depoimentos de fazendeiros e latifundiários, sem qualquer prova, levaram o Padre Amaro para a prisão. O mandante do assassinato de Dorothy Stang ficou doze anos longe da cadeia, até ser condenado e preso, o que só aconteceu depois de manifestações em todo o país e de pressões de organismos internacionais de defesa dos direitos humanos. 

O futebol e a defesa da vida

Espetáculos - Sempre gostei de ir a estádios de futebol. As torcidas sempre me fascinaram. Mais do que as disputas das partidas, as cenas d...