segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

O futebol e a defesa da vida

Espetáculos - Sempre gostei de ir a estádios de futebol. As torcidas sempre me fascinaram. Mais do que as disputas das partidas, as cenas das gerais e arquibancadas são inesquecíveis e emocionantes. Sempre vou me lembrar da torcida do Corinthians, ocupando as arquibancadas do Pacaembu e, mesmo corintiano, nunca vou me esquecer dos palmeirenses da TUP do outro lado, na curvinha. O duelo e o espetáculo, de verdade, estava nas arquibancadas. Presenciar a festa das torcidas era a maior emoção dos estádios.

Pandemia - O isolamento social da pandemia fez com que campeonatos e torneios fossem interrompidos e, mesmo com a volta dos jogos, a presença das torcidas nos estádios está proibida. O espetáculo das torcidas está proibido. O futebol ficou mais triste sem a alegria vinda das arquibancada. Mas a realização dos jogos sempre depende de trabalhadores e trabalhadoras, pessoas anônimas que trabalham na infraestrutura dos estádios e que viabilizam que os enfrentamentos aconteçam.

Contaminações - Todos os dias sabemos da contaminação de atletas e de times inteiros pela pandemia. Raramente, no entanto, ficamos sabendo de contaminações e mortes das pessoas que trabalham na iluminação ou na limpeza dos estádios de futebol. Não somos informados porque, nesses casos, os seres humanos, que morrem ou são contaminados, não ostentam, nos seus uniformes, as marcas dos patrocinadores dos espetáculos. Com a volta dos jogos, o futebol perdeu o show emocionante das torcidas nas arquibancadas, e está perdendo vidas de pessoas anônimas.

Patrocínios - Os maiores patrocinadores do futebol, no mundo inteiro, são os bancos. Mesmo quando a marca que aparece é de um produto físico identificável, o comprometimento dessa produção com o sistema financeiro é tanto e tão grande, que o beneficiário da publicidade é o financiador do produto que, uma vez comercializado, vai gerar recursos para o pagamento das dívidas do financiamento. Os bancos não se importam com a saúde dos atletas do futebol nem com a vida das pessoas que trabalham nos estádios. A prioridade, para o mercado financeiro, é o lucro. Para os que gostam do esporte, o mais importante sem será a preservação da vida. 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Versões, narrativas e consequências

História - A consolidação de versões, que influenciam o senso comum, sempre foi uma iniciativa das classes dominantes. O objetivo imediato é influenciar decisões e deliberações, e conquistar o apoio do povo em situações em que esse apoio não é automático. O processo de construção de narrativas sempre se dirige ao inimigo, sem que este tenha qualquer culpa, e faz desse falso "perigo" um argumento importante, que serve para o momento conjuntural.

Momentos - As consequências das decisões tomadas com base em versões são impossíveis de serem desfeitas ou muito difíceis de serem revertidas. Sabemos, hoje, que era mentira que as mulheres acusadas de serem bruxas fossem feiticeiras, mas, essa constatação não as devolveu a vida. Elas já haviam sido executadas. O presidente Lula foi acusado injustamente e condenado por causa de atos que nunca cometeu. A evidência da farsa, no entanto, não vai apagar o fato de ele ter ficado preso injustamente durante 580 dias.

Exemplos - No caso do presidente Lula e do PT, a enxurrada de notícias negativas foi tão grande, que comprometeu a democracia representativa e, mesmo que as sentenças sejam anuladas, isto não significa que a pecha de "ladrão" seja superada rapidamente. As classes dominantes se aproveitaram da situação para hegemonizarem o debate público, e o combate à corrupção demonstra como o conteúdo das discussões é direcionado. O caso do "leite condensado", que hegemoniza o noticiário e as redes sociais nos últimos dias é um triste exemplo de como as coisas podem acontecer. 

Cortina de fumaça - No mesmo espaço de tempo em que a suspeita de corrupção ocupou o noticiário e as redes sociais, o ministro da economia do "coiso" anunciou que o auxílio emergencial só retorna se houverem cortes na educação e o governo federal promoveu um corte de 70% nas verbas da pesquisa científica. A hegemonia da narrativa de combate à corrupção resultou na legitimação da política de corte de gastos públicos. O objetivo da narrativa moralista foi favorecer os interesses dos proprietários de títulos da dívida pública. A exposição do combate hipócrita à corrupção serviu para encobrir (ou secundarizar) medidas que favorecem os bancos. 

sábado, 23 de janeiro de 2021

Imagens, narrativas e contraposições

Narrativa - São insistentes as imagens de praias cheias e, ao mesmo tempo, são inexistentes registros fotográficos da lotação nos terminais, nos trens e nos ônibus. A insistência da divulgação das imagens vai criando, na opinião pública, a sensação de que a culpa por contaminações e mortes se deve, exclusivamente, à irresponsabilidade individual de quem frequentou praias e festas.

Genocídio - É óbvio que concentrações em lugares de lazer contribuem para a disseminação do vírus. Mas este fator não é o único e nem o mais importante. Seres humanos vivem em moradias onde é impossível qualquer tipo de distanciamento ou isolamento. Essas mesmas pessoas são obrigadas a enfrentar a lotação no transporte público, todos os dias, para se dirigirem aos seus locais de trabalho.

Legitimação - A tentativa de criar uma narrativa que exclua trabalhadoras e trabalhadores, que moram nas periferias, tem o objetivo cruel de legitimar atitudes insanas e declarações descabidas. O ministro da economia do "coiso" afirmou que o dinheiro do auxílio emergencial serviria para o povo se divertir e o "doriana" acaba de decretar fase vermelha, em todo o estado de São Paulo, a partir das 20 horas.

Criminalização - O mesmo artifício foi utilizado, recentemente, quando o noticiário culpou o PT pela corrupção e contribuiu, decisivamente, para a condenação injusta do presidente Lula. No ranking da corrupção, partidos como o MDB, o PP, o DEM e o PSDB ocupam os primeiros lugares. Mesmo assim, o senso comum decretou, com ajuda midiática, que o PT é um "partido de ladrões", embora as pessoas nem saibam direito o que foi roubado. 

Contraposição - O pronunciamento do ministro do "coiso" foi reforçado, recentemente, por um representante do mercado financeiro, que declarou que "a volta do auxílio seria um desastre para os bancos". O que pode ser ruim para o mercado financeiro é bom para o povo. O decreto do "doriana", estabelecendo a fase vermelha a partir das 20 horas é uma demonstração de que ele é sócio da armação. Uma das tarefas urgentes, neste momento conjuntural, é a defesa intransigente da volta dos pagamentos aos excluídos e vulneráveis.  

Constatação - Chegar à conclusão de que está sendo armada uma narrativa parcial é até simples. Basta ter bom senso. O problema é que os beneficiários da armação tem tanques de guerra e caças supersônicos e, do outro lado, temos estilingues e as pernas pra correr. É uma disputa muito desigual. Mas, ainda assim, é necessário resistir e se contrapor, por todos os meios possíveis, a qualquer narrativa estúpida e desumana. 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Racismo e exclusão

Insanidade - O desenvolvimento de ideias insanas teria menos sucesso se não fosse a contribuição dos grandes veículos de comunicação. O exemplo mais visível é o noticiário sensacionalista sobre violência. Os bairros mais retratados se localizam nas periferias e os mortos, em sua maioria, são pretos e pobres. Existem pessoas que sempre pensaram de acordo com o que quer a classe dominante, mas, com a eleição do "coiso", elas se sentiram encorajadas a assumir, publicamente, o seu lado canalha e desumano.

Racismo - O episódio sobre o início da vacinação é um exemplo de como isso acontece. A primeira pessoa a ser imunizada foi uma enfermeira negra, moradora do bairro de Itaquera, na zona leste da cidade de São Paulo. Pessoas que têm ligação com o bairro celebraram o fato. Teve até quem sugerisse uma placa com os dizeres "a imunização começou aqui". Integrantes da luta das mulheres, profissionais da saúde, servidores públicos e combatentes contra o racismo também comemoraram. Mas seguidores do "coiso", e racistas em geral, fizeram do episódio uma forma de mostrar o caráter excludente e desumano de suas ideias.

Exclusão - O processo de imunização da população é longo e trabalhoso. Até que a vacinação chegue a, pelo menos, 70% da população, o risco de contaminação ainda estará presente. Todos os cuidados com higiene pessoal e isolamento social continuam necessários. O combate à pandemia é uma ação coletiva da humanidade. Os governos devem colaborar com o processo de imunização, mas, no caso do Brasil, não é isso o que acontece. Desde o início da pandemia, o "coiso" vem negando o perigo da contaminação. Em relação à vacina, ele próprio e seus auxiliares criaram conflitos diplomáticos com os produtores de insumos, e isso pode prejudicar a importação de componentes da vacina.     

domingo, 17 de janeiro de 2021

Liberalismo e miséria

Mercado - Neste domingo, logo cedo, eu li a entrevista da economista chefe do Banco de Crédito da Suíça, onde ela dava uma espécie de ultimato ao país. Segundo a reportagem "o Brasil tem seis meses para realizar reformas para equilibrar as contas públicas, caso isso não ocorra, teremos aumentos do dólar, da inflação e dos juros". A pressão do mercado não é nenhuma novidade. A defesa do equilíbrio fiscal é feita com o objetivo de transformar os serviços públicos em objeto de lucro.

Dificuldade - O recado do mercado financeiro, no entanto, esbarra em uma dificuldade objetiva importante. No mesmo domingo, a Anvisa aprovou vacinas contra o Covid-19 que foram desenvolvidas por servidores públicos. O Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz são os responsáveis, no Brasil, pelos estudos que resultaram na produção dos imunizantes aprovados até agora. Para que ocorra a vacinação, em todo o país, será essencial que a rede formada pelo SUS seja utilizada. O mesmo serviço público que o mercado financeiro quer desmontar será responsável por salvar vidas. 

Contradição - A entrevista da representante do mercado financeiro também contraria a realidade recente do país. Os resultados das reformas realizadas até agora não fazem os efeitos pregados por ela para o futuro. Mesmo com o congelamento dos gastos públicos, a reforma da previdência e as supressões de direitos trabalhistas não aconteceu qualquer recuo. Ocorreu o contrário. A cotação da moeda norte-americana não para de subir e a inflação para os mais pobres está muito alta. O receituário liberal está indo na direção errada e produzindo o aumento da pobreza.        

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Conteúdo anticapitalista

Mudança - O encerramento das atividades de montadoras de automóveis no Brasil é mais um sinal da desindustrialização do país, mas, desgraçadamente. é um indício, também, de encerramento de uma  fase do capitalismo, que já esteve concentrado na produção e comercialização de bens, mas que, ultimamente, está voltado, preferencialmente, para a obtenção do lucro através de investimentos no mercado financeiro e da super exploração de trabalhadores do setor de serviços.

Trabalho - A indústria automobilística, durante bastante tempo, foi o topo de uma cadeia produtiva que empregou milhões de pessoas, em todo o mundo. Isto não acontece mais, basicamente, porque as grandes indústrias privilegiaram a lógica da "poupança de mão de obra" e, com isso, ficou mais vantajoso e mais lucrativo buscar lugares onde o preço cobrado pelo trabalho humano seja mais baixo e onde a quantidade de operários necessários para a produção seja menor.

Mentira - A desculpa utilizada pelos conservadores liberais, que falam em impostos altos como justificativa para a mudança, é mentirosa e falaciosa. Os tributos, no Brasil, nem são muito diferentes do restante do mundo, em se tratando de taxar a produção de automóveis. O que acontece, desgraçadamente, é que o capitalismo está se reorganizando, no mundo inteiro, indústrias estão escolhendo se instalar em países onde seja mais simples a "poupança de mão de obra".

Mercado - Ajustes do capitalismo também estão acontecendo no mercado financeiro. O Brasil é pioneiro na automação bancária (com dispensa de trabalhadores) e, por causa disso, o mercado financeiro é um atrativo importante para o investimento privado. Os bancos públicos têm uma clientela cativa e qualquer investidor capitalista tem interesse nisso. O desmonte do Banco do Brasil é uma iniciativa governamental para atrair investidores privados.

Capitalismo - Não é somente a indústria automobilística que passa por mudanças. O sistema capitalista, como um todo, está se reformulando, mantendo, no entanto, seu objetivo principal, ou seja, a lucratividade dos negócios. Os parceiros públicos dessa ofensiva podem ser fascistas insanos como o "coiso" ou qualquer outro governante que tenha o liberalismo como cartilha ideológica. Para fazer frente a isso, é urgente que a mobilização popular tenha conteúdo claramente anticapitalista e, no momento imediato, tenha clareza e coragem para fazer alianças pontuais contra o fascismo.     

sábado, 9 de janeiro de 2021

O poder do dinheiro

Falsidade - Há uma visão sobre o poder judiciário que, na minha opinião, exagera na neutralidade em nome de um suposto fortalecimento da democracia. Vivemos uma situação muito perigosa para assistir cenas truculentas contra adversários e inimigos sem imaginar que os mesmos métodos serão utilizados contra a esquerda. O drama desse tipo de atitude é que ela iguala a esquerda com os outros, e todos nós sabemos que as coisas, no capitalismo, não acontecem assim. Enquanto os nossos são perseguidos implacavelmente e condenados sem provas, os outros compram sentenças favoráveis e se mantém em liberdade. O poder econômico manda no judiciário.

Comunicações - No setor de comunicação acontece um fenômeno muito semelhante. A defesa genérica da liberdade de expressão serve para legitimar atitudes excludentes e racistas da mídia tradicional. O noticiário privilegia fatos negativos envolvendo pobres e pretos, legitimando a violência policial nas periferias; notícias envolvendo mulheres e homossexuais são apresentadas com parcialidade, induzindo o reforço do preconceito existente na sociedade; e fatos absurdos são noticiados com normalidade, fazendo com com que a insanidade de ações como a que ocorreu no parlamente norte-americano nesta semana, sejam enxergadas pela opinião pública como fato corriqueiro.

Democracia - Já tive a ilusão de viver em um mundo onde o poder judiciário e a imprensa agissem com bom senso. O passar do tempo me ajudou a enxergar que o poder econômico influencia os tribunais e os veículos de comunicação, de modo a favorecer a classe dominante. A mesma "força da grana que ergue e destrói coisas belas" também serve para comprar sentenças, reportagens e artigos, sempre de acordo com os interesses dos donos do dinheiro. O poder econômico, no capitalismo, é superior a qualquer tentativa de bom senso.

Despedida - Neste sábado Fernando Haddad se despediu do jornal Folha de São Paulo, com um texto onde afirma que "a Folha. em lugar de discutir ideias, prefere agredir pessoas de forma estúpida". A agressão foi desferida contra ele, através de editorial que especulou que Haddad estaria se insinuando como candidato a presidente da república, quando, na verdade, ele sempre afirmou a precedência do presidente Lula na disputa eleitoral presidencial. A violência, no entanto, não foi somente contra Fernando Haddad, mas contra todas as pessoas que constroem o PT e contra quem participa do esforço de construção de uma alternativa contra o fascismo e contra a exclusão social.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

A revolta da bengala

Campo Limpo - Tentaram barrá-lo na estação Campo Limpo do metrô, mas ele sacou a cópia de uma decisão judicial provisória e quase a esfregou na cara do guarda de roupa cinza. "Eu tenho meus direitos!" disse o velhinho passando pela catraca como um raio. O fim da gratuidade para as pessoas entre 60 e 64 anos estava suspenso por uma liminar, e ele tinha o direito viajar de graça no metrô, pelo menos até que a liminar fosse cassada.

Guaianazes - Do outro lado da cidade, na estação da CPTM de Guaianazes, um outro idoso ia arrumando confusão semelhante, mas o guarda ferroviário foi cordial e, alertado por um colega, permitiu a passagem dele pela catraca, fazendo apenas uma pergunta: "Pra onde vai o senhor com tanta pressa?". O velhinho respondeu prontamente "vou ao protesto da Avenida Paulista. Estão querendo acabar com a gratuidade no transporte público para os maiores de 60 anos.". Ele explicou que havia uma liminar, mas que o correto é que o governo "desistisse dessa maldade.".

Vila Prudente - Na estação da linha verde não teve nem ameaça de confusão. O pessoal foi passando pela linha de bloqueios contando com a ajuda dos funcionários do metrô que, naquela estação, estavam preparados para facilitar o acesso dos manifestantes que se dirigiam para a Avenida Paulista. "tomara que eles consigam derrubar o decreto que acabou com a gratuidade.", comentou um metroviário.

Trianon - Vinha gente da cidade inteira, e a estação mais próxima do Museu de Arte de São Paulo era o ponto de encontro de uma turma revoltada. "É um absurdo querer surrupiar o direito de andar de graça no transporte público." Outra pessoa, subindo as escadas rolantes, concordou com o que o primeiro tinha falado, e emendou "eu pago passagem desde que eu tinha 14 anos... ganhei o direito da gratuidade depois de pagar bastante."

Masp - Todos usando máscara e com álcool gel nas mãos, por que, afinal, eles fazem parte do grupo de risco. A manifestação só não foi maior porque algumas pessoas preferiram não comparecer para manter o isolamento. O manifestante que saiu do Campo Limpo logo depois de almoçar se encontrou com o que veio de Guaianazes e os dois combinaram com um outro, que estava numa turma vinda da Vila Prudente, de erguer as bengalas na hora dos discursos, para mostrar que quem tem direito adquirido não aceita que seja feita a maldade de retirada desse direito.  

domingo, 3 de janeiro de 2021

Dignidade e democracia

Exploração - A lógica do empreendedorismo está se espalhando perigosamente, e a situação degradante vem senso naturalizada. Andar com um carregamento de comida nas costas passando fome não é um empreendimento. Pessoas foram empurradas para esta situação por causa da própria sobrevivência. Um desafio importante para a esquerda, neste momento difícil, é contribuir para a organização para a mobilização dessas pessoas, uma forma importante de que seja enfrentada a exploração e a recuperação da dignidade desses seres humanos.

Pandemia - Os questionamentos das aglomerações de final de ano tiveram grande repercussão midiática. A mesma coisa não aconteceu com os ônibus e trens lotados desde o início da pandemia. Pessoas que dependem do trabalho para sobreviver nunca tiveram chance de qualquer isolamento social. O argumento de que "uma coisa é trabalho e sobrevivência, outra coisa é festividade" pretende naturalizar contaminações e mortes que acontecem por causa da exclusão social.

Golpe -  A decisão de negar acesso ao conteúdo de grampos telefônicos é mais uma demonstração de que o golpe continua em andamento. A atitude não é somente uma rebeldia contra uma ordem de uma instância superior. Essa questão nem devia ter chegado lá. É elementar que a defesa do presidente Lula tenha acesso a esses conteúdos para fazer o seu trabalho.

Democracia - O ano começa com a expectativa de que o juiz de Curitiba seja declarado, finalmente, suspeito. As evidências são inúmeras, e a consequência mais da decisão será o cancelamento das sentenças contra o presidente Lula e, consequentemente, o direito de ele participar da eleição de 2022, o que lhe foi negado em 2018. Existem pessoas que torcem para que ele continue inelegível, mas que, ao mesmo tempo, querem que ele esteja no palanque. 

Continuidade - As pessoas que engrossam o coro golpista pretendem viabilizar candidaturas sem perspectiva eleitoral. Acabam fazendo o raciocínio estranho de que ele não serve pra ser candidato, mas pode ajudar muito como cabo eleitoral. A anulação das sentenças contra o presidente Lula e a devolução dos seus direitos políticos são condições para a retomada da democracia. Há argumentações que se originam de pessoas que sempre estiveram do lado do golpe, e que pretendem transformar o presidente Lula em coadjuvante e excluir o PT da vida política de nosso país. Isto é inaceitável.

sábado, 2 de janeiro de 2021

O Ano Novo e os desafios da esquerda

Desafios - O ano que começa traz consigo uma série de responsabilidades e desafios para o Partido dos Trabalhadores e para a esquerda. O conservadorismo avançou demais, e isto não se resume a resultados eleitorais, mas se revela em costumes e valores que precisam ser combatidos, em todos os momentos e em todos os lugares. A disputa ideológica, necessária e urgente, não será suficiente, contudo, para enfrentar a situação.

Protagonismo - Durante o ano passado, com todas as dificuldades, conseguimos identificar e enfrentar  alguns inimigos poderosos. Os enfrentamentos ainda aconteceram com o empenho restrito dos setores excluídos, como as mulheres contra o machismo, por exemplo. É urgente amplificar a voz dos excluídos, com a produção de conteúdos que sejam capazes de enfrentar as injustiças e de reforçar o protagonismo dos movimentos sociais populares.

Comunicação - Jornais, livretos e panfletos impressos seguirão existindo e reuniões presenciais continuarão acontecendo. O que está acontecendo é que mensagens e reuniões virtuais passarão a ocupar, cada vez mais espaço, em nossas vidas. E isto não tem a ver somente com a pandemia. Ainda que o coronavírus tenha acelerado o processo, o mundo virtual vem ganhando espaço faz algum tempo. O protagonismo dos movimentos sociais populares terá que ser construído (ou reforçado) também no mundo virtual, com a produção de materiais com mensagens curtas e propositivas.

Adversários - É espantosa a quantidade de postagens e de referências aos adversários e inimigos do PT e da esquerda nas redes sociais. São inúmeras as citações ao "coiso", ao governador paulista e ao prefeito da cidade de São Paulo. Esse tipo de atitude tem consequências desastrosas. Politicamente, nos tornamos reféns de uma pauta que não é do interesse das classes populares; e, no mundo digital, acabamos reforçando a prática de quem coleciona curtidas e comentários. 

Instituições - O espaço ocupado, nas instituições pela esquerda e pelas forças progressistas não é pequeno. São inúmeros os companheiros e companheiras que são mandatários de cargos legislativos e executivos. A democracia representativa, no entanto, reforça uma dependência de políticas públicas oficiais que, mesmo sendo importantes, precisam estar acompanhadas de mobilizações que sejam capazes de potencializar as conquistas e de solidificar os avanços, inibindo qualquer tipo de retrocesso.        

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Desânimos e desafios

Desânimo - Não é raro vermos companheiros e companheiras desanimados com o futuro. Isto não é pouca coisa se considerarmos que fazemos parte de uma geração que já enxergou a revolução socialista na próxima esquina, mas é um evidente exagero. É importante registrar os avanços que conquistamos e, especialmente, é preciso verificar que, mesmo com os inúmeros avanços conquistados, os interesses do capitalismo liberal sempre estiveram à nossa frente.

Tecnologia - A derrota mais recente da esquerda aconteceu na discussão sindical sobre a implantação de novas tecnologias na produção. Nós sempre quisemos que a modernização acontecesse para eliminar tarefas insalubres e perigosas para os seres humanos. Os empresários nunca esconderam que pretendiam um processo que resultasse em "poupança de mão de obra". 

Morte - Um exemplo disso é a cultura da cana-de-açúcar. A mecanização da colheita aconteceu gradualmente, observando um calendário de diminuição da quantidade de trabalhadores. Enquanto a mecanização foi sendo implantada, milhares de trabalhadores e trabalhadoras continuaram sujeitos a condições insalubres e mortalmente perigosas.

Aplicativos - Mais recentemente, com a adoção dos aplicativos, a situação piorou. Empresas difíceis de localizar, com sedes em paraísos fiscais, exploram a mão de obra de pessoas que têm muita dificuldade de organização. O costume de conversar com trabalhadores e trabalhadoras nas portas dos locais de trabalho é uma dificuldade adicional para a esquerda. 

Desafios - Do mesmo modo que na época da implantação da novas tecnologias na produção, as classes dominantes estão fazendo uma operação para se apropriar dos lucros obtidos pelos aplicativos. Cabe à esquerda o desafio de organizar os trabalhadores e as trabalhadoras, porque eles não conseguiram inventar um jeito de isso acontecer sem a necessidade de seres humanos. As tarefas nunca serão poucas nem pequenas, mas nós iremos em frente.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Convicção e neutralidade

Convicção - Me orgulho, durante toda a minha vida, de ter colocado a convicção socialista acima de todas as outras coisas. Continuo achando que são as convicções que dominam o mundo e que constroem a história. Justamente por causa disso é que eu não acredito no arrependimento de apoiadores do "coiso". Eles podem ter mudado de opinião, mas nunca modificaram suas convicções. O arrependimento deles se deve a prejuízos financeiros. Eles sempre foram contra os seres humanos.

Neutralidade - Sempre houveram pessoas que buscaram se colocar, confortavelmente, em cima do muro. A suposta isenção, no entanto, nunca existiu. Quem se declara "neutro", na verdade, tem vergonha das próprias convicções. A neutralidade é o modo de as pessoas covardes se posicionaram. E todas elas são a favor do aprofundamento da miséria e da pobreza. A neutralidade é uma forma de defender o enriquecimento da minoria.

Perdão - Tenho o costume de entender (e perdoar) o que eu considero como arroubos momentâneos e passageiros. Algumas atitudes podem ser cometidas num átimo de tempo, exatamente naquele instante em que a razão perde o raciocínio. O perdão deve servir, exatamente para esses momentos excepcionais. É muito diferente quando o usual é o comportamento desumano, e o arrependimento é uma atitude excepcional. Nesses casos, as convicções não mudam, e o perdão, embora possa acontecer, nunca vai significar esquecimento.

Convivência - A vida em comunidade nos faz conviver com pessoas de índole perversa e má. Não é possível voltarmos a viver em cavernas ou nos isolar do mundo, mas podemos escolher quem sempre vai estar do nosso lado. Não precisamos conviver com a imbecilidade. Os seguidores do "coiso" não podem ser qualificados, simplesmente, como "bolsonaristas". Eles sempre existiram. São machistas, homofóbicos, misóginos e defensores do enriquecimento individual. Eles encontraram quem representasse suas ideias ultrapassadas.   


 

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

O sonho socialista e a retomada da civilização

Genocídio - O comportamento incentivado pelo "coiso" vai além da insanidade. Com a justificativa de estarem defendendo uma ideologia, seus seguidores estão fechando os olhos para as irregularidades do mito deles e, ao mesmo tempo, estão negligenciando, deliberadamente, a vida de milhões de pessoas. A ideologia que eles dizem defender é injusta e excludente. 

Desigualdades - O sistema capitalista promove o lucro de uma minoria e a miséria de milhões de seres humanos. O comportamento insano dos seguidores do "coiso" tem a pretensão de amplificar a tragédia. O genocídio, que já acontece por causa da exclusão social, aumenta por causa da insanidade. Os números de contaminados e mortos é muito grande nas periferias das grandes cidades, e a tragédia da pandemia seria muito maior se não existisse o SUS.

Democracia - O sistema representativo brasileiro é dominado pelo poder econômico. Não é estranho que existam bancadas fortes no parlamento brasileiro que defendem os interesses dos criadores de boi de corte, dos fabricantes de armas e dos religiosos. São empresários desses setores que financiam as campanhas eleitorais de parte significativa dos eleitos e, depois, dirigem os mandatos conforme os seus interesses.

Anulação - Mesmo diante de um cenário muito favorável ao poder econômico, a volta da democracia representativa é essencial para o país. Para que isto se concretize, é urgente que as sentenças contra o presidente Lula sejam anuladas. Ao corromper o sistema judiciário, os artífices do golpe conseguiram derrubar os alicerces de um acordo pactuado que durava desde a última redemocratização.

Fascismo - Tenho motivos para acreditar que o "coiso" não foi um acidente para os que patrocinaram o golpe de 2016. A lógica que foi trabalhada para a preparação do golpe foi o antipetismo e, por causa disso, qualquer resultado seria aceito pelos golpistas. Para a avaliação desses energúmenos o que tinha que ser evitado era a manutenção do PT no governo federal. 

Acumulação - O modo fascista de governar tem sido eficiente para suprimir direitos e para alargar as possibilidades de lucro do capital. A cumplicidade com o fascismo é um sinal de que, para eles, a radicalidade da democracia deve ser evitada, especialmente porque pode consagrar a limitação do direito de propriedade e os lucros estratosféricos do mercado financeiro.

Civilização - O empenho para o restabelecimento da democracia representativa não pode envolver o cancelamento do PT. A volta do pacto social firmado no final da ditadura instalada pelo golpe de 1964 não pode descartar a figura pública popular de maior prestígio no Brasil e no mundo. A convivência pactuada entre todos os seres humanos só será possível com a superação de injustiças e de preconceitos.   

     

         

terça-feira, 20 de outubro de 2020

"Novo normal" e desenvolvimento sustentável

Omissão - O "novo normal", propagandeado pela mídia tradicional, se limita à intensificação do trabalho em casa (para os que podem) e na adoção de medidas de proteção (uso de máscaras e de álcool gel com recomendação de distanciamento social) para os que precisarem sair de casa. São poucas as notícias referentes ao fortalecimento dos pequenos negócios, localizados mais perto de onde as pessoas moram.

Sustentável - O desenvolvimento dos pequenos negócios na periferia, apesar da omissão midiática, já está começando a acontecer. É previsível que aconteça uma dificuldade de financiamento desses empreendimentos locais, notadamente nas periferias, e isso só será superado com o fortalecimento financeiro dos poderes públicos, onde os pequenos empreendedores e as cooperativas vão procurar ajuda, uma vez que os bancos comerciais colocam tantos impedimentos e condições que isso  inviabiliza o acesso ao crédito para os pequenos negócios.

Incentivos - A tentativa de sufocamento dos pequenos empreendimentos é criminosa. As pessoas, no "pós pandemia" vão fazer o possível para diminuir os deslocamentos. A tendência é que São Paulo e outros grandes centros urbanos se tornem "cidades de quinze minutos". O companheiro Jilmar Tatto, candidato do PT à prefeitura de São Paulo, que já foi secretário de transportes da maior cidade, vai ter uma preocupação especial com a mobilidade, mas ele também vai se ocupar de promover a inclusão social e de criar um sistema municipal de incentivo aos pequenos negócios e às cooperativas.

Individualismo - Quando essa pandemia se tornou de conhecimento geral, eu tive a ilusão de que a situação poderia gerar uma compreensão de que as vidas humanas a serem preservadas superaria a ideia de lucratividade individual. A tragédia sanitária, no entanto, não foi suficiente para sensibilizar as pessoas em defesa da vida, e está acontecendo uma ofensiva desumana, que desconhece a perspectiva de crise econômica e, ao mesmo tempo, mantém a expectativa de ganhos financeiros astronômicos. 

Lucratividade - O período de sete meses, desde o início do isolamento social, é responsável, também, pelo enriquecimento de uns poucos privilegiados. Se nada for modificado, o futuro pós pandemia pode significar um aumento da miséria e da fome. O capitalismo, que se baseia na lucratividade individual, mostra, também, sua face mais desumana e mais cruel. 

Crueldade - Em plena pandemia, estamos assistindo o aumento dos lucros e o aprofundamento da ideologia neo-liberal. Governantes fascistas se apressam em acelerar terceirizações e privatizações, e está em andamento um processo acelerado de enxugamento do Estado que, no Brasil, está baseado na Emenda Constitucional 95, que prevê a redução de gastos públicos por duas décadas. A revogação dessa lei criminosa é urgente.

Contraposição - Tudo o que está acontecendo é ruim, mas não ocorre sem resistência. O movimento organizado de usuários e de funcionários do Hospital do Campo Limpo conseguiu barrar a terceirização daquele equipamento público e o povo da Bolívia acaba de nos dar um grande exemplo de como enfrentar o golpismo. Essas vitórias nos animam a seguir lutando. O futuro será melhor para todas as pessoas.

domingo, 13 de setembro de 2020

Fascismo, antipetismo e mau jornalismo,

Opinião - Quando eu li a matéria fiquei furioso mas, inicialmente, nem ia comentar. Não acho que valha a pena gastar energia com esse tipo de comportamento jornalístico antipetista. É uma espécie de rotina com a qual vou ter que me acostumar a conviver. E olha que a campanha eleitoral está apenas começando. O comportamento tendencioso da mídia tradicional ainda deve piorar bastante. 

Contraposição - O problema é que, certamente, eu não fui o único leitor do texto, e o raciocínio do articulista pode influenciar a opinião de muitas pessoas e, principalmente por causa disso, resolvi dar a minha opinião. Outro aspecto que me animou a opinar foi a certeza de que esse tipo de comportamento midiático deve aumentar bastante daqui até o dia da eleição e, se não tivermos um posicionamento sobre isso, corremos o risco de ler (e ouvir) coisas parecidas ou muito piores sobre o PT. 

Encomenda - O jornalista Ricardo Galhardo, do jornal O Estado de São Paulo e do portal Terra faz uma análise que, antes de qualquer coisa, é reveladora de como não se deve fazer jornalismo Por preguiça, ou por má intenção, ele resolveu atender uma provável encomenda de seus chefes, e escreveu um artigo onde ele reforça o título da reportagem e, ao mesmo tempo, reproduz informações recentes de conhecimento geral sobre um suposto (e inexistente) isolamento da candidatura de Jilmar Tatto à prefeitura de São Paulo. 

Exclusão I - Em nenhum momento o texto se refere à multidão de excluídos que existem na cidade mais rica do país, limitando-se a reproduzir informações de conhecimento geral e restringindo o texto a falar de aspectos internos da burocracia partidária. Não dá pra exigir do autor do texto que seja simpatizante do PT ou de Jilmar Tatto, como é o meu caso. Também é impossível pretender que Ricardo Galhardo seja simpatizante dos movimentos sociais populares. Mas é imperdoável, em termos jornalísticos, que ele ignore totalmente o outro lado.

Exclusão II - Me importaria menos se o texto tivesse se referido, por exemplo, à situação revoltante dos moradores em situação de rua da cidade de São Paulo, mesmo que essa referência favorecesse outro candidato ou outro partido político. Mas o artigo, como eu já disse, se limitou a falar sobre a discussão interna do PT, para concluir pelo suposto isolamento do PT e de Jilmar Tatto, buscando reforçar a exclusão que já existe na cidade e disseminando, ainda mais, o ódio pela política que existe em parte da população.

Esperança I - A principal diferença entre o candidato do PT e as outras candidaturas é a certeza de que os poderes públicos podem atuar decisivamente para amenizar a situação trágica de desigualdade social existente na maior cidade do país. Jilmar Tatto já disse, várias vezes, que "a mesmice" não vai resolver os graves problemas da maioria da população. Ele insiste que será necessário ter "ousadia" para enfrentar essa situação. Essa diferença gigante nem sequer é citada, e a desigualdade social, assim, é considerada como um fato natural.

Esperança II - Acredito pessoalmente que vamos vencer as eleições de 15 de novembro de 2020. Será essencial para a vitória que os movimentos sociais populares estejam mobilizados em defesa de suas demandas e reivindicações e, ao mesmo tempo, será necessário, também, que esses movimentos sociais populares estejam alinhados com as políticas públicas e projetos defendidos por Jilmar Tatto e pelo PT. 

sábado, 12 de setembro de 2020

Golpismo, eleições e luta de classes

Fascismo - O comportamento reprovável (e quase infantil) dos seguidores do "coiso" busca legitimar uma ofensiva fascista que é muito mais séria. É com base em palavras de ódio ao PT e à esquerda e em xingamentos contra todas as pessoas que não concordam com suas ideias que os seguidores do "coiso" se aproveitam para impor uma agenda que tem um conteúdo detestável e insano, mas que é tratado com parcimônia pela mídia tradicional. 

Ofensiva - A agenda fascista, desgraçadamente, vem avançando com a conivência (ou participação) dos que se declaram antipetistas por vários motivos. Declarações do tipo "o PT é coisa do passado" acabam reforçando o pensamento e as práticas conservadoras. Restrições públicas a representantes institucionais do PT podem ser utilizados em proveito do conservadorismo. 

Suicídio - É importante verificar que o projeto político conservador sempre vai querer contar com a colaboração de parte da esquerda e da oposição, que, para crescer eleitoralmente, podem contribuir com os ataques ao PT. Tudo indica que a ideia não dê certo, mas, em todo caso, é importante lembrar que os inimigos do Partido dos Trabalhadores querem o fim do PT e de todos os que discordam do "coiso". Colaborar com o antipetismo é um tiro no próprio pé. Quem reforça o discurso antipetista pode ser a próxima vítima da truculência fascista.  

Eleição - A disputa eleitoral municipal de São Paulo ainda está no início, e muita coisa pode acontecer. As convenções partidárias estão oficializando candidaturas e alianças. A ideia do conservadorismo é fulanizar a disputa ao máximo, secundarizando os conteúdos programáticos dos partidos políticos que vão participar do pleito. A fulanização das disputas eleitorais precisa ser superada. Os projetos e os conteúdos programáticos precisam ganhar destaque.  

Igualdade - Um dos grandes temas da campanha eleitoral de 2020 será o enfrentamento da exclusão social existente na cidade mais rica do país. O PT tem propostas concretas para enfrentar as desigualdades, e a divulgação das ideias e propostas do partido que já governou a cidade por três vezes pode influenciar decisivamente o cenário eleitoral. Pode ser uma expectativa otimista demais, mas a velha luta de classes é que parece que vai definir o pleito. 

Calendário - O dia 11 de setembro é uma daquelas datas em que a gente tem de lembrar o que aconteceu para reforçar a luta para nunca mais se repitam golpes como o que encerrou a experiência do governo de Unidade Popular no Chile. A mídia tradicional, obviamente, vai destacar a derrubada das Torres Gêmeas, em mais uma tentativa de criminalizar (como terroristas) todos os muçulmanos. As pessoas de bom senso relembrarão os acontecimentos tristes de 11 de setembro de 1973, especialmente porque a truculência do golpe chileno quis interromper a militância de uma geração de pessoas que estavam construindo um novo país.

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Resistência e superação

Antipetismo - Há uma clara tentativa de tornar o PT invisível. Para ter sucesso, esse tipo de iniciativa precisa contar com apoio interno (dentro do Partido dos Trabalhadores) e na esquerda. Juntamente com pronunciamentos raivosos de nossos inimigos, estamos vendo acontecer alguns posicionamentos de aliados que podem nos transformar em "substrato de pó de bosta do cavalo do bandido". 

História - O Partido dos Trabalhadores nasceu das lutas dos sindicatos de trabalhadores e dos movimentos sociais populares. O estágio atual em que nos encontramos é resultante do acúmulo que realizamos desde a última redemocratização. Se considerarmos as experiências anteriores da esquerda brasileira, vamos concluir, rapidamente, que avançamos muito mais do que os companheiros e as companheiras do PCB, por exemplo.

Valores - Assim como o Partido dos Trabalhadores, os nossos antecessores sempre se defrontaram com a oposição sistemática do sistema capitalista e da política tradicional. A esquerda, por outro lado, sempre teve dificuldades para massificar valores positivos. Ainda assim, e apesar disso, é importante verificar que avançamos, e celebrar esses avanços em todos os momentos. 

Limitações - Os avanços, no entanto, não devem nos impedir de reconhecer que falhamos em aprofundar valores e conteúdos libertários como a igualdade entre todos os seres humanos, o que eliminaria o racismo, o machismo e a homofobia; e a importância da radicalização da democracia, que é a antítese do fascismo. Como resultado dessa insuficiência de conteúdo, temos militantes de esquerda que, em certa medida, ainda são racistas, machistas e homofóbicos ou que só defendem a democracia quando ela os favorece.

Instituições - Outro limite da esquerda é a influência da política tradicional e do espaço institucional. Somos excessivamente dependentes do calendário eleitoral e, mesmo que reconheçamos a importância das eleições por causa do debate programático, é sintomático que as demandas concretas dos movimentos sociais populares percam espaço em nome de uma insana corrida atrás do voto.

Defensivismo - É natural que as mobilizações estejam acontecendo em resposta aos anúncios de medidas que avançam a pauta ultraliberal. Não é absurdo que usuários e servidores da saúde pública se defendam de tentativas de privatização e de terceirização. É bom que professores e pais de alunos se mobilizem para impedir a privatização da educação pública. É legítimo que famílias e pessoas que moram em assentamentos e ocupações se organizem para resistir a ordens judiciais de reintegração de posse.

Alternativas - A defesa de interesses populares deve estar presente em todos os momentos, mas temos que superar o comportamento defensivo, e construir, em cada situação, uma pauta propositiva que funcione como alternativa concreta para a ofensiva do neoliberalismo. A defesa de um sistema de saúde público e universal; da educação gratuita e de qualidade extensiva a todas as pessoas; e a afirmação de que todos os seres humanos devem estar na frente de todas as nossas mobilizações.   

Superação - O desafio de vencer as limitações internas e manter o enfrentamento com o campo conservador vai exigir que o PT tenha discernimento suficiente para combinar a luta cotidiana com a organização de leituras e a realização de sessões de aprofundamento que sejam capazes de dotar nossos militantes de um conteúdo anticapitalista e que, ao mesmo tempo, consigam combinar a luta institucional com a mobilização por demandas e reivindicações dos movimentos sociais populares.  

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Poder econômico e resistência popular

Democracia - Chico Buarque de Hollanda, em 1982, apoiou Franco Montoro, e utilizou a justificativa de que era preciso apoiar a oposição que podia vencer. Montoro virou governador, e teve que autorizar a utilização  do "cassetete democrático" para conter movimentos sociais populares que teimavam em enfrentar a política econômica que, já naquela época, era contrária aos interesses dos trabalhadores. Na época ainda não havia segundo turno, mas o crescimento do PT pode ser atribuído ao nosso posicionamento naquele momento político.

Crueldade - O capitalismo sempre foi cruel e assassino, mas o absurdo desses tempos de pandemia ultrapassa os limites da civilização humana. Há uma ofensiva para acelerar medidas de favorecimento do capital privado e do mercado financeiro, e a situação só não é pior por causa de alguns avanços conquistados e construídos ao longo do tempo. No Brasil, por exemplo, se não existisse o atendimento igualitário proporcionado pelo SUS e se todos dependessem da saúde privada, os mais pobres seriam excluídos de qualquer tipo de atendimento.

Ofensiva - O governo fascista está utilizando a época de pandemia para avançar a fronteira do agronegócio, estimulando a invasão de terras indígenas e quilombolas. A política econômica continua a retirada de direitos dos trabalhadores e pretende oficializar a precarização das contratações, o que deve aprofundar a situação de miséria de milhões de pessoas. A ofensiva não se limita ao governo federal. Na cidade de São Paulo, o prefeito tucano segue a mesma lógica de "aproveitar a pandemia para passar a boiada" e quer acelerar o privatizações e terceirizações na saúde, na educação, na assistência social e até no serviço funerário.

Resistência - A intenção do prefeito Bruno Covas enfrenta a resistência da população. Funcionários e usuários do Hospital do Campo Limpo, com o apoio da população da região sul de São Paulo, estão se mobilizando para combater a terceirização da unidade de saúde. As manifestações presenciais estão respeitando todos os cuidados sanitários, e a contraposição pode contar com apoio mais amplo na sociedade civil, o que pode barrar a ofensiva neo-liberal.

Genocídio - A prefeitura e o governo de São Paulo também estão pretendendo retomar as aulas presenciais em setembro, com riscos para professores e funcionários das escolas, além de ameaçar também os familiares dos estudantes. Essa é outra ideia que está enfrentando a resistência da população. Educadores e mães de alunos vem se posicionando contra o genocídio, e o crescimento da mobilização pode provocar um recuo. É óbvio que as aulas presenciais devem ser retomadas somente no ano que vem ou quando houver uma vacina capaz de barrar as contaminações.

Poder econômico - A atitude fascista do governo federal é reproduzida, nos estados e municípios, em todo o Brasil, por aqueles que cedem aos interesses do poder econômico, como é o caso do prefeito de São Paulo. A ofensiva fascista do governo federal é acompanhada pelas tentativas de privatização de serviços públicos e pela flexibilização genocida da quarentena. Somente a resistência popular organizada pode barrar a ofensiva do fascismo neo-liberal.   

terça-feira, 7 de julho de 2020

Otimismo, invisibilidade e luta de classes

Otimismo - Já confessei meu otimismo em outras ocasiões, e insisto em reafirmá-lo, em todos os momentos, para não perder o ânimo de lutar. Continuo acreditando que, depois da pandemia, o mundo não será mais o mesmo, e que alguns absurdos do capitalismo serão superados, ainda que isto vá acontecer em nome da lucratividade dos negócios.  

Limites - A esperança de que o mundo iria mudar depois da pandemia foi substituída, aos poucos, pela certeza de que ainda somos dominados pelo mercado financeiro e que, portanto, as mudanças serão poucas ou quase insignificantes. As loucuras do neoliberalismo se impuseram, e o bom senso foi substituído por medidas econômicas ultraliberais, que trataram de limitar meu otimismo aos interesses do capitalismo financeiro.

Fascismo - No Brasil a situação é um pouco pior. Um presidente fascista ocupa o Palácio do Planalto, e tem a concordância tácita de muitas pessoas para sua empreitada. É óbvio que somente alguns malucos concordam totalmente com ele, mas também é óbvio que ele conta com uma rede de apoiadores muito maior do que é possível visualizar. 

Cumplicidade - As reformas econômicas ultraliberais continuam acontecendo, e alguns dos que se autodeclaram democratas concordam com elas. Como isso tem uma consequência política clara, os que concordam com a política econômica são os que atacam o PT e a esquerda. A cumplicidade com o fascismo é tão nociva quanto o próprio fascismo, uma vez que entre esses auto-intitulados democratas estão os que pretendem nos invisibilizar ou nos destruir.

Antifascismo - O meu otimismo não está totalmente nocauteado. Acredito que as mobilizações antifascistas possam definir mudanças muito maiores e mais importantes. A esperança  se renova nos movimentos antifascistas que começam a acontecer. O combate ao racismo e a mobilização dos entregadores de aplicativos são alguns exemplos de que podemos avançar, mesmo diante de inúmeras dificuldades. 

Luta de classes - Produtos agrícolas que não respeitarem algumas regras ambientais perderão mercado, mas os trabalhadores rurais e suas entidades poderão impor limites importantes ao uso do veneno na agricultura; a desregulamentação dos contratos de trabalho vai avançar, mas mobilizações como a greve dos entregadores de aplicativos podem conquistar alguma regulamentação; as tentativas de excluir o PT e a esquerda dos debates sobre saídas para a crise vão continuar, mas as ações e elaborações da esquerda nunca serão imperceptíveis. 

terça-feira, 30 de junho de 2020

Unidade pela base

Cumplicidade - Há um clamor geral para a derrubada do "coiso", mas ele não caiu ainda por causa da cumplicidade de alguns setores que, antes de tudo, são antipetistas. Um dos exemplos dessa cumplicidade é a atuação da mídia tradicional. O noticiário televisivo é especialista em apresentar o "coiso" como um sujeito normal e as atitudes de seus seguidores como se fossem legítimas. 

Concordância - Apesar dos desmandos do governo fascista, a cumplicidade existe por causa da política econômica do "coiso". Há uma concordância explícita com medidas de desmonte do aparato estatal, com a supressão de direitos trabalhistas e com a construção de uma governabilidade para poucos. Mais recentemente o cenário piorou.

Escolhas - As restrições a maluquices do governo fascista são menores do que o antipetismo para alguns democratas de ocasião. Os debates públicos sobre soluções para a crise política se limitam a um pretenso centro democrático, que vai do MDB ao PDT, sem nunca chegar ao PT ou ao Psol. Os antipestistas de sempre acharam de relativizar as atitudes absurdas do "coiso" e um deles chegou a afirmar que "é preciso dar um desconto" para as declarações autoritárias do presidente fascista.

Radicalismo - Segundo essa ideia maluca de democracia, o PT seria igual ao "coiso", o PCdoB seria igual ao PT e o Psol seria mais radical ainda. O triste desse raciocínio é que ele pretende excluir mais de 30% do espectro político brasileiro e este posicionamento político tem conteúdo econômico. Os cúmplices do "coiso" defendem a aplicação de medidas de enxugamento da máquina estatal e de privatizações dos bens públicos que deveriam estar à disposição da população.

Frente - A construção de uma frente ampla de oposição ao fascismo é uma tarefa muito difícil. Parte dos opositores do "coiso" não discordam da sua política econômica. Parte dos que dizem defender a democracia também defendem a supressão de direitos dos trabalhadores e a redução drástica de gastos públicos. Alguns deles são abertamente antipetistas e contra qualquer ideologia mais igualitária.

Periferia - As classes populares, no entanto, encontram outras formas de construção da unidade. Os protestos contra o "coiso" vem acontecendo em vários pontos do país, e os animadores dessas manifestações são trabalhadores e trabalhadoras que moram nas periferias das grandes cidades. Chama a atenção, por exemplo, uma frente antifascista que começa a se organizar na zona sul da cidade de São Paulo.

Protagonismo - O início difícil, por causa da pandemia, não desanimou os organizadores, e neste sábado, a partir das 10 horas, acontece o lançamento público da "Frente Antifascista e Antiracista da Zona Sul". A concentração dos manifestantes será na Praça Floriano Peixoto, no centro de Santo Amaro, e os integrantes do protesto vão percorrer as ruas do bairro (de carro, de bicicleta ou caminhando) até a estação Borba Gato do Metrô.

Organização - Partidos políticos progressistas, movimentos sociais populares e entidades de vários bairros estão à frente da organização do evento. A região sul da cidade de São Paulo, que já foi pólo importante de emprego e  centro de muitas mobilizações operárias e populares está se levantando, novamente, para influenciar a conjuntura do país. A região operária de tempos atrás, desprezada pelas autoridades na pandemia, está se mobilizando para lutar contra o fascismo e em defesa dos interesses dos trabalhadores e das classes populares.   

O futebol e a defesa da vida

Espetáculos - Sempre gostei de ir a estádios de futebol. As torcidas sempre me fascinaram. Mais do que as disputas das partidas, as cenas d...