quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Luta permanente e contínua

Destruição - Por ocasião da morte de mais um militante metalúrgico da cidade de São Paulo, texto de autoria do companheiro Sebastião Neto serviu para destacar inúmeras pessoas que, em determinado tempo da vida, se dedicaram a construir a luta operária na maior cidade do país, e que, por vários motivos, tiveram o registro de suas histórias secundarizadas (ou esquecidas), especialmente porque "o capitalismo (...) é um destruidor da SOLIDARIEDADE, pedra fundamental (...) da vida operária". 

Orgulho - No texto em homenagem ao companheiro Mauro, o Neto se refere a militantes que tiveram que se reinventar profissionalmente para sobreviver, e destaca, especialmente, que "muitos não conseguiram". Me sinto feliz de ter participado desse momento importante para a cidade em que eu cresci, e acho, sinceramente, que ter conseguido me "reinventar em outras ocupações" me ajudou a me aproximar, mais ainda, da "SOLIDARIEDADE" que eu incorporei aos meus valores e costumes desde que me tornei militante.

Símbolos - Não pude comparecer aos funerais de companheiros que morreram recentemente, como o próprio Mauro e o Paulo Paraguaio. Todos eles são símbolos e referências para as lutas futuras. Eles foram firmes em reafirmar o compromisso com um mundo mais justo e mais igual e, por causa disso, sempre estarão presentes nas lutas por igualdade e por justiça.

Continuidade - A história é eterna. A luta contra o capitalismo é permanente e contínua. Seguiremos sem a presença física dos que se foram, mas seremos vitoriosos em todos os momentos que os tivermos como animadores de nossos sonhos e projetos. Apesar dos perrengues e das dificuldades, e mesmo com a ausência de alguns valorosos combatentes, somos vencedores porque somos herdeiros da "SOLIDARIEDADE" que aprendemos com os que partiram e, mesmo quando não estivermos mais aqui, nossos filhos e netos nos sucederão nas tarefas que assimilaram com a convivência com a luta.  

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Fascismo e mídia


MentirasUma das mentiras mais criminosas difundidas pelo "coiso" e por seus seguidores se refere à Lei do Áudio Visual. Tem muita gente que acredita que a lei é responsável pela distribuição indiscriminada de dinheiro público a artistas, desconsiderando totalmente a necessidade de que o projeto seja aprovado previamente pelo Ministério da Cultura, que, depois disso, autoriza a captação de recursos junto a empresas privadas para o patrocínio do filme, peça de teatro ou qualquer tipo de espetáculo cultural e desprezando a informação de que eventos culturais montados com recursos da Lei do Áudio Visual resultam na contratação de inúmeros outros profissionais (técnicos de som e iluminadores, por exemplo). 

Revoltante - A omissão dos grandes veículos de comunicação sobre a falácia ajudou na cretinização de parte da população. Partícipes e beneficiários do golpe, as empresas da mídia tradicional reforçaram a mentira quando não trabalharam para a divulgação da verdade. Antipetistas de muito tempo, os grandes veículos de comunicação se aliaram ao "coiso" para que a mentira se espalhasse e para que, com isso, a vitória eleitoral do fascismo se viabilizasse. 

Violência - Na manhã desta terça feira, o país inteiro assistiu, pela televisão, uma síntese de como o fascismo espalha suas ideias de ódio. O desfecho da ação desastrada serviu de cenário para que o maluco que, atualmente, ocupa o cargo de governador do Rio de Janeiro, aparecesse para comemorar a morte de um ser humano. O coitado do morto nem nome tinha nas transmissões e o fato de que ele é (também) um ser humano, foi totalmente ignorado.

Meio ambiente - O desastre ambiental na Amazônia serviu de mote para manifestação da Rede Globo em defesa do "coiso". Quando comparou manifestação do presidente Lula sobre auto determinação dos povos com declaração estúpida do presidente atual, o apresentador do JN pretendeu igualar coisas diferentes, espalhar a desinformação e favorecer o governo atual. Defender o direito de cada país, em legislar sobre seus recursos naturais, (como sempre fez o presidente Lula) é diferente de liberar a exploração dos recursos naturais da Amazonia, como quer o presidente fascista. A maior rede de televisão do país, ao agir assim, pretende normalizar os ataques ao meio ambiente e à vida. 

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

A luta democrática e a defesa do socialismo

Impasse - Já fui chamado de radical e sectário, várias vezes, por me posicionar em defesa de um enfrentamento de classe mais agudo e incisivo. Já fui acusado de conciliador, em muitas ocasiões, por defender recuos e entendimentos, em momentos em que haviam companheiras e companheiros que pretendiam ir mais adiante, sem nenhum acordo de convivência com qualquer setor da classe dominante.

Desafio - A conjuntura atual, de escalada do fascismo, exige uma postura ofensiva coerente com posicionamentos radicais e sectários, mas, ao mesmo tempo, impõe a construção de uma frente capaz de derrotar o fascismo. O desafio mais importante para a esquerda, neste momento polarizado, é conseguir combinar o radicalismo do movimento real com a atuação dentro dos limites do possível, muito comum no espaço institucional.

Movimentos populares -  Não é possível vacilar no apoio aos movimentos sociais populares e na propaganda das demandas e reivindicações dos trabalhadores e da população. Ao mesmo tempo, não é sensato abrir mão do debate que pode amenizar ofensivas previsíveis do capitalismo. É óbvio, por exemplo, que devemos ir contra todos os cortes de gastos públicos, mas também é evidente que precisamos debater sobre os limites e condições desses cortes.

Eleições - Estamos para enfrentar eleições municipais que serão muito difíceis. Depois de bastante tempo, vamos concorrer com candidatos apoiados pelo governo federal, e isso pode ser um diferencial importante contra o PT e contra a esquerda. É óbvio que temos que ser contra todos os cortes de gastos públicos. Esses cortes, por outro lado, podem reduzir nossa capacidade administrativa, especialmente no que se refere ao atendimento de demandas populares urgentes.

Violência - A morte de um cacique indígena, o assassinato de um trabalhador que "ousou" abrir uma reclamação trabalhista contra seus ex-patrões e a invasão de uma reunião de mulheres filiadas ao PSOL, desgraçadamente, são componentes do mesmo cenário assustador do fascismo. A luta democrática deve ganhar importância também por causa disso. O cancelamento da sentença que decidiu pela condenação arbitrária do presidente Lula é uma condição para o restabelecimento da democracia, e a nossa tarefa principal, neste momento, está em conquistar aliados em defesa da civilização humana, sem abrir mão de nossos princípios socialistas.    

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Impeachment e disputa de projetos

Agrotóxicos - Desde o início do mandato do "coiso" já foram liberados, para uso indiscriminado, quase 300 produtos agrotóxicos. Mais de 30% dos produtos são proibidos em vários países. A ofensiva governamental terá, como consequências, danos genéticos, problemas neurológicos e desregulação hormonal. Os problemas devem atingir trabalhadores rurais e a população em geral. A contraposição a essa iniciativa do governo fascista, por enquanto, é o debate de uma política nacional de agrotóxicos (PNARA), com o objetivo de frear o aumento do uso de veneno na lavoura.

Contraposição - O projeto que institui a PNARA está pronto para ser votado no plenário do parlamento, mas há fortes indícios de que prevaleça a lógica da liberação indiscriminada, a não ser que haja uma mobilização muito forte dos trabalhadores rurais e da população. O parecer do deputado petista Nilto Tato, apesar de apresentar argumentos racionais e sensatos a favor da aprovação, pode ser rejeitado, por contrariar os interesses do fascismo e dos representantes do agronegócio.

Educação - Depois de sucessivos cortes, o setor da educação pública acumula, em 2019, uma redução de mais de R$ 6 bilhões e já é o setor que mais perdeu recursos neste ano. O cenário é grave e, nesta semana, uma instituição federal chegou a ter o fornecimento de energia elétrica cortado por falta de pagamento. A intenção indisfarçável do governo fascista é inviabilizar o funcionamento das instituições públicas de ensino para que, depois, elas sejam privatizadas.

Normalidade - É surpreendentemente criminoso que os grandes veículos de comunicação noticiem as liberações dos agrotóxicos e os cortes na educação como medidas normais de qualquer governo. A preferência midiática vem sendo dada a notícias sobre alguns absurdos do governo fascista, que também são divulgadas como se fossem normais.

Oposição -  A economia com os cortes de gastos públicos tem o objetivo de produzir superávits sucessivos e, com o dinheiro resultante disso, atender o mercado financeiro. Qualquer oposição consequente deve exigir a revogação de todos os cortes de gastos, e propor a imediata recomposição do investimento público. Declarações estapafúrdias e comportamentos absurdos podem até resultar no impedimento do "coiso", mas muitos opositores institucionais do "coiso"que defendem as mesmas medidas econômicas que estão sendo implantadas. Não há qualquer indício de que esse conteúdo programático seja modificado, a menos que os movimentos sociais populares conquistem espaço para implantar um novo projeto para o país. 

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Coragem, protagonismo e construção do futuro

Derrotas - Há um trágico traço comum entre as votações no parlamento desde o golpe de 2016. Em todas as vezes obtivemos pouco mais de cem votos, enquanto que o outro lado sempre alcançou mais de trezentos e cinquenta. Outro aspecto comum é o fato de estarmos sempre respondendo à ofensiva fascista, na defensiva, e dentro da pauta imposta pelas forças conservadoras.

Golpismo- Quando da votação do impeachment da presidenta Dilma Roussef, 367 deputados federais escolheram cassar os votos de mais de 54 milhões de eleitores e votaram pela destituição dela; na mesma ocasião, obtivemos somente 137 votos a favor da democracia. O corte de gastos públicos, já na época em que era presidente Michel Temer, teve o apoio de 359 parlamentares, enquanto nós conseguimos somente 116 votos contra a PEC do fim do mundo.

Aposentadorias - Para acabar com a expectativa de aposentadoria da população brasileira, o conservadorismo conseguiu 379 votos, enquanto que a oposição ao fascismo conseguiu o apoio de 131 parlamentares. Os números não devem se modificar na segunda votação e não há qualquer perspectiva de que o senado da república modifique o panorama. 

Revelações - Os resultados não são animadores, mas a avaliação do momento político não pode ser somente negativa. Um amigo me disse que a última votação teve o papel de revelar o lado em que se posicionam aqueles (e aquelas) que se apresentam, nas eleições, como "novidade na política", que defendem uma suposta (e inexistente) "neutralidade" ou que se declaram como "alternativas à polarização entre direita e esquerda". Todos se revelaram, em vários casos, como aliados do conservadorismo.

Otimismo - Uma outra pessoa, que viveu fora do Brasil por algum tempo, me fez enxergar os inúmeros avanços que alcançamos desde a última redemocratização. Quando ela saiu do país, o dia 20 de novembro era celebrado (às escondidas) em locais que se aproximavam da clandestinidade; o dia 8 de março ainda não havia incorporado as lutas contra a violência e o feminicidio; e o mês de junho ainda não era conhecido como o da celebração da diversidade sexual.

Protagonismo I - O dia 20 de novembro passou a ser celebrado como o Dia Nacional da Consciência Negra porque as ações da comunidade afrodescendente influenciaram o conjunto da sociedade; a luta contra todo tipo de violência contra a mulher foi incorporada ao Dia Internacional da Mulher por causa do protagonismo do movimento feminista; e a celebração do amor entre pessoas do mesmo sexo só aconteceu por causa da coragem de mulheres e homens que gritaram (e continuam gritando) que qualquer maneira de amor vale a pena.

Protagonismo II - Talvez os resultados das votações parlamentares tivessem sido diferentes se tivéssemos conseguido construir o protagonismo dos democratas, dos usuários e trabalhadores dos serviços públicos e dos aposentados e beneficiários da previdência pública. Não conseguimos que as mobilizações desses setores tivessem a mesma envergadura (e força política) das que foram realizadas pelos negros, pelas mulheres e pelos homossexuais.

Futuro - Há um outro motivo importante para não esmorecermos. O militante de esquerda deve ser, sempre, um alegre e bem humorado construtor do futuro da humanidade. Não cabe desânimo na nossa vida. Sempre vai ser tempo de reunir os cacos e começar de novo. Aprendendo com o passado recente e remoto e construindo, todos os dias, um futuro melhor para todos e todas.  

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Normalização inaceitável

Absurdos -  A facada nunca explicada, o misterioso sumiço do Queiroz, as armas  de grosso calibre encontradas na casa de um vizinho do "coiso", a relação explícita com milicianos e os 39 quilos de cocaína no avião presidencial podem fazer parte de um "modus operandi" governamental que pretende adquirir legitimidade. Manifestação ocorrida no último domingo, apresentou a defesa do indefensável, o que demonstra que, desgraçadamente, o absurdo tem adeptos na população.

Mídia -  A colaboração da mídia tradicional com teses governamentais vem ganhando característica de conivência com o absurdo e de reforço do fascismo. Recentemente, no episódio da cocaína encontrada no avião presidencial, a emissora de televisão mais popular do país informou que o dono da droga prestava serviço na aeronave oficial desde os tempos do presidente Lula e da presidenta Dilma. A informação foi desmentida pela Força Aérea Brasileira (FAB). 

Reforço - Segundo a FAB, o militar que assumiu ser o dono da cocaína presta serviço no avião presidencial desde 2016, tendo começado a trabalhar para a presidência da república a partir do mandato do presidente golpista e sem voto (antecessor do "coiso"). A informação mentirosa, veiculada pela mídia tradicional, reforça pronunciamento do governo federal de que o militar foi preso "por falta de sorte". A colaboração midiática teve o objetivo explícito de ajudar o porta voz que justificou o flagrante com a falta de sorte. 

Favorecimento - Situações grotescas e absurdas, no entanto, não têm impedido que propostas programáticas sejam enviadas pelo governo fascista ao parlamento. A reforma da previdência, se for aprovada, vai confirmar o favorecimento do mercado financeiro e penalizar os aposentados e pensionistas. Não há como aceitar a normalização dos absurdos nem o aprofundamento da exclusão.   

Seletividade - Os diálogos entre o ex-juiz de Curitiba (atualmente ministro do "coiso") e o procurador da operação "Lava a Jato" são reveladores de que houve uma colaboração entre o responsável pelo julgamento e o promotor responsável pela acusação na sentença que resultou na prisão arbitrária do presidente Lula. 

Demora - A revelação confirma que houve armação para evitar a participação do candidato favorito na eleição, mas, desgraçadamente, o escândalo ainda não resultou no cancelamento das sentenças contra o presidente Lula. Seria óbvio que a revelação escandalosa fosse suficiente para a anulação, mas isso ainda não aconteceu. 

Golpismo - A normalização dos absurdos governamentais e o prolongamento da indefinição sobre as atitudes do ex-juiz confirmam que essas situações fazem parte do golpe. A ideia inaceitável de normalizar o comportamento do governo fascista segue a mesma lógica de manutenção da prisão arbitrária do presidente Lula. A intenção é afastar as classes populares de qualquer possibilidade de participação política e, ao mesmo tempo, consagrar o inaceitável como coisa normal.

Resistência - Começaram a circular, nesta semana, abaixo assinados pelo cancelamento dos processos contra o presidente Lula e contra a reforma da previdência. As centrais sindicais marcaram para o dia 12 de julho mais uma rodada de manifestações e protestos em todo o país. Há um entendimento generalizado de que as instituições só vão tomar o caminho da obviedade e da sensatez se elas forem pressionadas por manifestações populares cada vez mais fortes e representativas.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Reforçar as lutas e intensificar a mobilização

Questionamentos - Dúvidas sobre a autenticidade dos diálogos entre o juiz de Curitiba (agora ministro do "coiso" e um procurador da operação "Lava a Jato" já haviam sido levantados pela mídia tradicional, mas, agora, começam também a ser citadas pela procuradoria geral da república e por integrantes do poder judiciário. A ideia é que isto seja utilizado para validar a sentença que resultou na prisão injusta do presidente Lula.

Reconhecimento - O adiamento da conclusão do julgamento do habeas corpus do presidente Lula é uma demonstração de que, quando a decisão acontecer, ela pode ser favorável. A negativa de concessão da liminar que permitiria que o presidente Lula aguardasse em liberdade a conclusão do julgamento. Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF estão comprometidos com o golpe, e isso só pode ser mudado com manifestações populares cada vez mais fortes e incisivas.

Mobilização - O cenário reforça a necessidade de intensificação da mobilização popular em defesa da liberdade do presidente Lula e pelo restabelecimento da democracia. Sem descuidar das iniciativas institucionais (recursos judiciais), especialmente em razão da suspeição do juiz que condenou o presidente Lula sem nenhuma prova, mas, ao mesmo tempo, é preciso insistir nas manifestações populares. Lula livre.   

Prisões - Não existe quem discorde que há um número grande de imóveis desocupados e que, ao mesmo tempo, também é enorme a quantidade de pessoas sem ter onde morar. A luta para enfrentar essa injustiça, no entanto, é tratada como crime, e prisões arbitrárias pretendem impedir (ou dificultar) as ações dos movimentos de moradia. Apesar de tudo isso, no entanto, a disposição de luta continua crescendo. O tamanho da desigualdade é um fator de mobilização. As prisões arbitrárias não vão parar a mobilização popular. Lutar não é crime

Luta permanente e contínua

Destruição  - Por ocasião da morte de mais um militante metalúrgico da cidade de São Paulo, texto de autoria do companheiro Sebastião Net...