quarta-feira, 4 de abril de 2018

A construção da unidade

Manifestações - O tamanho de manifestações públicas não é, necessariamente, um termômetro que assegure que os manifestantes tenham razão. É mais simples de medir a razoabilidade das demandas e reivindicações, se verificarmos, racionalmente, o alcance de políticas públicas defendidas pelos manifestantes. A pauta contra a corrupção, ainda que possa ter razão de ser, se limita à punição individual de inimigos e adversários, sem tocar no atendimento de demandas e reivindicações que, se atendidas, podem minimizar os problemas da maioria da população. A defesa do presidente Lula, por outro lado, é bem mais abrangente. Por envolver movimentos sociais populares, ela se confunde com a luta por demandas e reivindicações históricas que, se implantadas, beneficiarão milhões de pessoas. Os grandes veículos de comunicação se especializaram em valorizar o tamanho das manifestações e, com isso, buscam criar uma dicotomia que secundariza, especificamente, os movimento sociais populares e suas demandas e reivindicações.

Fascismo - As palavras de ordem de manifestações antipetistas se concentram, sempre, no combate à corrupção. O direcionamento dos discursos é revelador sobre o seu conteúdo seletivo e fascista. As convocações para os protestos contra o PT são veiculadas pela mídia tradicional, e recebem o apoio explícito de empresas e empresários identificados com ideias conservadoras. As manifestações mais recentes se concentram em pedir a prisão imediata do presidente Lula. O conteúdo ideológico (e a prática) da maior parte dos manifestantes antipetistas valoriza o autoritarismo e a violência, e se baseia em mentiras e boatos. Tudo leva a acreditar em uma perigosa escalada fascista. Ao conquistar o governo federal em 2002, o PT se transformou em alvo de manifestações fascistas, e afirmações genéricas, contra greves e ocupações, foram se tornando mais específicas, sempre direcionadas contra o Partido dos Trabalhadores. O contraponto aos ataques ainda é insuficiente para derrotar o fascismo, mas é importante ressaltar que, apesar disso (ou por isso mesmo) o PT é o partido preferido da população brasileira e o presidente Lula é o candidato da maioria do eleitorado.

Contraposição - O enfrentamento da escalada fascista não será uma tarefa simples. Talvez demore gerações para que a ideologia socialista e libertária seja reconhecida como possibilidade concreta de organização da sociedade. Mesmo havendo uma espécie de consenso contra o capitalismo, ele ainda é genérico e insuficiente para animar a luta dos trabalhadores e dos movimentos sociais populares. O enfrentamento do fascismo pode reunir forças políticas diversas, desde comunistas chamados de sectários até democratas reconhecidamente sinceros. A constituição de uma frente política, com essa composição heterogênea, demanda trabalho e paciência. Integrantes de um coletivo antifascista têm diferenças e divergências que, em muitos casos, não são fáceis de contornar. Mas a unidade contra o inimigo comum deve motivar o esforço político pela construção da frente contra o fascismo que extrapole o embate eleitoral de outubro, e que tenha, como conteúdo mais importante das mobilizações, as demandas e reivindicações dos trabalhadores e das classes populares.  

Luta permanente e contínua

Destruição  - Por ocasião da morte de mais um militante metalúrgico da cidade de São Paulo, texto de autoria do companheiro Sebastião Net...