sábado, 22 de dezembro de 2018

Preconceito, racismo, arrogância e prepotência

Retrocesso - A derrota eleitoral de 2018 extrapola o espaço institucional, e invade, perigosamente, o campo dos valores e dos comportamentos individuais. O resultado da eleição não deve ser atribuído, exclusivamente, à esperteza do candidato vencedor durante a campanha eleitoral, especialmente porque significou a assimilação, por parte da população, de uma série de ideias retrógradas defendidas por ele. 

Civilização - O discurso eleitoral do "coiso" deu voz a uma série de ideias e sentimentos que são contrários aos avanços da civilização humana, e que, especialmente por isso, nunca se manifestaram abertamente. O ódio e a violência contra os homossexuais, por exemplo, já haviam sido condenados, várias vezes, por pessoas que, agora, tiveram a coragem de assumir a própria homofobia. 

Mulheres - Os seres humanos evoluíram até o ponto de reconhecerem a importância das mulheres no mundo do trabalho. Os salários femininos, no entanto, ainda são menores do que a remuneração dos homens para a mesma tarefa, e absurdos do tipo "mulher tem que ser tratada como ser inferior porque corre o risco de engravidar" continuam sendo determinantes no dia a dia das pessoas e das empresas. Uma das ideias do candidato vencedor, a misoginia, desgraçadamente, é partilhada por uma parcela importante da sociedade brasileira.

Negros - A escravidão negra é reconhecida como uma dos violências mais graves já cometidas pelos seres humanos contra outros seres humanos. O Brasil aboliu a escravidão em 1888, mas, desgraçadamente, mulheres e homens continuaram a ser discriminados por causa da cor da pele. As execuções, registradas nas periferias das grandes cidades, atingem, muito especificamente, os jovens negros. O racismo só não é maior no país por causa das lutas de resistência da comunidade afro brasileira. A campanha eleitoral do "coiso" conseguiu legitimar a tentativa estapafúrdia de "devolver os negros para a senzala" e pode incentivar aplausos a execuções praticadas por policiais e .

Autoritarismo -  Há uma característica execrável dos seguidores do "coiso" que condensa todas as outras. O racismo e o preconceito, muito comum entre eles, é exercido com desprezo total pela convivência com quem pensa de modo diferente. Nas solenidades de diplomação dos eleitos em 2018, eles demonstraram, publicamente, esse comportamento totalitário.

Reforma - Na audiência pública que debateu a proposta de reforma da previdência do município de São Paulo, a arrogância e a prepotência esteve presente, mais uma vez. Aliados do projeto oficial, seguidores do "coiso" ocuparam espaço nas galerias do legislativo municipal, com o único objetivo de reforçar uma claque de apoio à proposta que vai elevar a contribuição dos trabalhadores públicos da cidade de São Paulo. Os servidores públicos, principais interessados no assunto, foram tratados como se fossem iguais a integrantes do MBL e apoiadores do PSDB, que entraram clandestinamente na sede da Câmara Municipal de São Paulo, graças à facilitação de parlamentares da base aliada da administração municipal.

Resistência - O comportamento odioso dos seguidores do "coiso" não obteve sucesso nos debates dos vários projetos que ficaram conhecidos como "escola sem partido". Em São Paulo a ideia absurda foi superada pela combinação da ação direta de educadores e estudantes com a atuação de parlamentares contrários à censura. Vereadores da cidade de São Paulo conseguiram inviabilizar a votação. O mesmo aconteceu na Assembleia Legislativa, onde deputados estaduais contrários  à ideia venceram a batalha; e em Brasília, onde o projeto volta a ser debatido somente no ano que vem. Os governos de Minas Gerais, Paraíba e Maranhão editaram leis que foram chamadas de "escola sem censura" que asseguram a liberdade de ensino e de manifestação do pensamento crítico.

Luta permanente e contínua

Destruição  - Por ocasião da morte de mais um militante metalúrgico da cidade de São Paulo, texto de autoria do companheiro Sebastião Net...