sexta-feira, 20 de julho de 2018

Luta ideológica e defesa da democracia II

Nicarágua - Os acontecimentos recentes do país centro americano ajudam o enxergar, com mais clareza, os limites da implantação de medidas de inclusão social em países capitalistas. A contradição entre os interesses do capitalismo e as demandas das classes populares, no capitalismo, sempre é resolvida a favor dos donos do dinheiro, e as injustiças podem se perpetuar. O papel da mídia tradicional, como em várias outras situações, é preponderante para influenciar a opinião pública contra governos que defendem ideias e projetos socializantes.

Ortega - O atual presidente da Nicarágua cumpre seu terceiro mandato consecutivo, sempre eleito pelo voto popular. Há quase quarenta anos, ele era o comandante da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) e foi o primeiro chefe de governo, com a vitória da Revolução Sandinista, em julho de 1979. O movimento revolucionário destituiu o ditador Anastácio Somoza, apoiado pelos Estados Unidos da América do Norte, e o governo provisório pretendeu implantar um sistema democrático e igualitário.

Democracia - O eleitorado nicaraguense, tempos depois, elegeu a jornalista Violeta Chamorro, cuja família também havia participado da Revolução Sandinista. Posteriormente, Daniel Ortega se elegeu presidente do país, cargo para o qual foi reeleito, até agora, duas vezes. Vencê-lo nas urnas se tornou uma tarefa difícil para a oposição, aliada do mercado financeiro e, então, as pressões mudaram de lugar. A democracia foi secundarizada e, em seu lugar, passou funcionar um esquema de incentivo a mobilizações contra o governo, muito semelhantes às que aconteceram, no Brasil, em 2013.

Motivações - O que motivou a formidável mobilização popular de 2013, no Brasil, foi o anúncio de um reajuste das tarifas do transporte público. O que levou a população nicaraguense às ruas foi um projeto de reforma da previdência pública. As mobilizações foram hegemonizadas politicamente por opositores de governos progressistas e, no Brasil, resultou no golpe de 2016. Na Nicarágua, apesar do recuo de Daniel Ortega, as mobilizações continuaram, e se transformaram em protestos contra o governo. A mídia tradicional, ao dar informações sobre a situação, relata histórias de repressão a manifestantes contra o governo, e se abstém de falar sobre o financiamento da oposição.

Inclusão - Programas sociais, implantados na Nicarágua, são muito semelhantes aos que foram colocados em prática, no Brasil, durante os governos do presidente Lula e da presidenta Dilma. Destinados a erradicar a fome e a financiar moradia popular para a população de baixa renda, esses programas colocavam em risco a produção de sucessivos superávits financeiros, e sempre tiveram a oposição de banqueiros e de credores da dívida pública nicaraguense. A tentativa governamental de dialogar com o mercado, através da reforma da previdência, nem foi considerada, e o conservadorismo decidiu apoiar os protestos, transformando-os em uma forma concreta de derrubar o governo progressista.

Golpe - Uma eventual vitória das forças que se opõem a Daniel Ortega terá consequências desastrosas para a população nicaraguense. Não é improvável que sejam suprimidas as políticas públicas de inclusão social e que as riquezas nacionais sejam entregues a investidores internacionais. Aqui nós tínhamos o petróleo do pré-sal. Lá eles (ainda) têm a construção de um canal de ligação entre os oceanos Atlântico e Pacífico. Os financiadores do golpe de 2016, no Brasil, estão de olho nos lucros que o petróleo pode gerar. Os incentivadores da oposição a Daniel Ortega querem a exclusividade sobre a lucratividade da nova rota de navegação.

Estratégia - Os objetivos do capitalismo, no entanto, vão muito além da lucratividade imediata dos negócios. O que o golpismo pretendeu, no Brasil, foi destruir a possibilidade de viabilização do desenvolvimento econômico com distribuição de renda e de riqueza. Ao insistirem na execração pública de programas de inclusão social, eles pretendem destruir nossos sonhos, sepultando a alternativa democrática e popular. No Brasil, a resistência de mais de cem dias em Curitiba não permite que os artífices desse plano tenham sono tranquilo. Na Nicarágua, o povo que derrotou a ditadura de Anastácio Somoza saberá sustentar o governo progressista chefiado pelo principal comandante daquele luta memorável.           

Luta permanente e contínua

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