sábado, 5 de maio de 2018

Disputa da opinião pública

Imagem - A mídia tradicional nunca foi favorável aos movimentos sociais populares. Uma imagem, repetida várias vezes na TV, mostra um homem dirigindo um trator derrubando pés de laranja. O condutor da máquina é apresentado como membro do MST, e acusado de destruir a plantação. O que importava, para a mídia tradicional, era atacar a luta pela reforma agrária. Informações sobre a instalação da empresa fabricante de sucos numa área que deveria ser destinada à reforma agrária foram omitidas na divulgação da notícia.  

Tragédia -  O incêndio e debamento de um prédio localizado no centro de São Paulo é mais um exemplo do comportamento midiático. O prédio que pegou fogo e desabou estava localizado em uma região que tem o metro quadrado muito caro. A ocupação do imóvel por gente sem outra opção de moradia, era uma dificuldade para a comercialização. Uma publicidade recente de um prédio vizinho ao que desabou, fez a mágica de antecipar a tragédia. Com recursos de computação gráfica, a propaganda sumiu com o prédio ocupado. 

Notícias - O noticiário sobre o episódio se concentra no trabalho de bombeiros e socorristas. Paralelamente a essa prioridade macabra, a mídia tradicional apresenta a preocupação de criminalizar o movimento de moradia e suas lideranças. O telejornalismo da Rede Globo se concentrou na defesa de que os responsáveis pela ocupação devem ser investigados pela polícia.

Influência - Não há como esperar outro comportamento dos grandes veículos de comunicação. Alinhada com o golpismo, a mídia tradicional vai contribuir para a criminalização dos movimentos sociais populares e para a legitimidade de figuras públicas alinhadas com o golpe e com os interesses do mercado financeiro. As notícias, na mídia tradicional, sempre terão conteúdo contrário aos interesses das classes populares.

Enfrentamento - Apesar da existência de jornais, revistas, sites e blogs que se dedicam a enfrentar a ditadura midiática, a quantidade (e a influência) dos veículos de comunicação da mídia alternativa ainda é pequena para enfrentar os grandes veículos de comunicação. Por causa disso, e desgraçadamente, parte significativa da opinião pública ainda julga os trabalhadores rurais sem terra como bandidos violentos, dirigentes sindicais como principais responsáveis pelo desemprego e integrantes de movimentos sociais populares como criminosos perigosos.

Contraposição - Para fazer frente à manipulação midiática promovida pelo conservadorismo, os movimentos sociais populares e os sindicatos dos trabalhadores devem estender a circulação de seus veículos de comunicação para além das parcelas da população e das categorias profissionais representados, e passar a disputar, mais abertamente, a opinião pública. O limite da influência da mídia tradicional será, sempre, determinado pela capacidade dos movimentos sociais populares e dos sindicatos de trabalhadores de fazerem essa contraposição.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Luta pelo socialismo e participação ativa

Militância - A mesma relação existente entre a opção religiosa das pessoas e a presença nas atividades da Igreja pode ser utilizada para designar os defensores da transformação social. O termo "católico praticante", usado para identificar as pessoas que participam do cotidiano eclesial, pode ser utilizado para pessoas que, mesmo tendo uma opção clara pela ideologia de esquerda, não mantém uma militância regular nos sindicatos de trabalhadores, nos movimentos sociais populares e nos partidos políticos identificados com a luta por uma sociedade socialista e igualitária.

Prática - A discrepância entre as pessoas que professam a ideologia socialista com sua prática ativa significa um grande prejuízo para o conjunto da esquerda. O PT, segundo todas as pesquisas, conta com a adesão de mais de 20% da população brasileira. Isto significaria que, na cidade de São Paulo, poderíamos reunir uma multidão de mais de dois milhões de pessoas. É óbvio que nenhuma adesão pode ser transforma, automaticamente em mobilização, mas é evidente que as manifestações convocadas pelo Partido dos Trabalhadores e pelas organizações de esquerda deveriam contar com a presença de mais pessoas.

Direita - Os que defendem a ideologia conservadora, por outro lado, vivem uma situação muito pior. A mobilização de grandes contingentes é episódica e rara. O que o país assistiu, recentemente, quando centenas de milhares de pessoas seguiram um pato amarelo não é um feito simples de ser repetido. Um dos animadores das mobilizações conservadoras patrocinou a troca do animal (o pato virou um sapo), mas a mobilização de apoiadores do golpe segue restrita a um grupo de malucos armados e a fanáticos seguidores de uma candidatura presidencial. Embora tenham apoio midiático constante para suas convocações, os conservadores não têm conseguido reunir a mesma quantidade de pessoas que mobilizaram em defesa do golpe.

Urgência - A fragilidade militante da direita não significa que tenhamos o direito de negligenciar a nossa própria dificuldade de mobilização. É urgente que consigamos traduzir a simpatia à causa socialista em presença física nas manifestações. O enfrentamento do golpe exige que tenhamos mais poder de mobilização. O início disso está, certamente, no fortalecimento da organização dos sindicatos de trabalhadores e dos movimentos sociais populares, mas, principalmente, está na necessidade de esses lutadores sociais assumirem protagonismo histórico que determine a amplificação das lutas por igualdade e justiça social. 

      

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Déficit habitacional, tragédia e lucratividade

Previsível - O incêndio e desabamento de um prédio, no centro de São Paulo, foi uma tragédia que podia ter sido evitada. A falta de políticas públicas de habitação para a população de baixa renda provoca as ocupações, e a existência de prédios ociosos, na área central da maior cidade do país, é um indicador importante de que existem muitas casas sem ninguém dentro e muita gente sem casa.

Piora - Não há como dizer que alguém provocou a tragédia. Tudo indica que o incêndio e o desabamento ocorreram por causa de condições precárias que foram se agravando, com o decorrer do tempo. O abandono dos poderes públicos contribuiu para que as condições de moradia se tornassem mais perigosas. A situação de risco tende a piorar, com os cortes de gastos promovidos pelo governo sem voto.

Infraestrutura - A área onde estava localizado o prédio que desabou é muito valorizada. Nas proximidades funcionam equipamentos públicos de qualidade e a região conta com boa infraestrutura urbana. Não tenho informações sobre o preço do metro quadrado naquele bairro, mas é simples de imaginar que o valor deve ser bem alto.

Especulação - É previsível que, no mesmo local e em pouco tempo, sejam erguidos prédios de apartamentos, que serão comercializados a preço de mercado, gerando lucros fabulosos para a especulação imobiliária. O desleixo oficial, com esse desfecho, terá favorecido a incorporação da área por empresas e empresários do setor da construção civil.

Crime - Não há como acusar ninguém, formalmente, pelas mortes ocorridas na tragédia. Os beneficiários dela, no entanto, sempre serão identificáveis. A especulação não riscou o fósforo que provocou o incêndio, mas obterá lucros exorbitantes, provenientes da comercialização de unidades habitacionais que, muito provavelmente, serão construídas no local.       

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Violência

Inimigos - O senador da república Roberto Requião, representante do estado do Paraná, afirmou que os incentivadores da violência podem estar armando seus próprios algozes. Ele recordou a experiência dos norte americanos, que armaram o Talibã para enfrentar os soviéticos no Afeganistão, e que, anos depois, viram terroristas afegãos explodirem as torres gêmeas de Nova Iorque.

Armados - O debate de ideias, entre defensores do sistema capitalista e lutadores sociais que lutam pela transformação social, sempre será importante para a democracia. O uso da violência armada, no entanto, sempre foge ao controle dos que o iniciaram. De posse de armamentos, grupos radicais podem se voltar contra quem financiou a aquisição do material bélico.

Perigo - Cápsulas encontradas no acampamento de Curitiba e nas imediações do local onde aconteceu a execução da vereadora carioca Marielle Franco são de armas do mesmo tipo. Não há como afirmar que os projéteis têm a mesma origem. É inegável, por outro lado, que a circulação de armas de uso exclusivo das polícias e das forças armadas já acontece sem qualquer tipo de controle. Também é difícil de desmentir informações sobre o comportamento criminoso de integrantes das forças oficiais de segurança.

Resposta - No entendimento do PT, o debate de ideias e a disputa programática devem prevalecer, sempre, na disputa política. O recurso extremo sempre foi entendido, no interior do PT, como necessidade de responder à violência armada contra os trabalhadores e contra o povo. Não deve haver espaço para a prática da violência como princípio. Ela só é praticada por pessoas a quem faltam argumentos para a defesa de ideias e projetos, o que não é o caso do Partido dos Trabalhadores.

Celebrar - Nesta terça feira, movimentos sociais populares, centrais sindicais e sindicatos de trabalhadores celebram a passagem de mais um Primeiro de Maio. Lembraremos que, na origem, a data foi instituída para lembrar a morte de lideranças operárias que lutavam por melhores condições de trabalho. A atualização dessas demandas para o tempo presente vai permitir um encontro entre as lutas históricas de trabalhadores e trabalhadoras pela redução da jornada de trabalho com a luta permanente para manter as conquistas alcançadas e para ampliar os avanços civilizatórios.

Alertas - Os discursos dos representantes dos movimentos sociais populares e dos sindicalistas serão inflamados na defesa dos direitos dos trabalhadores e do povo, mas, ao mesmo tempo, defenderão a paz. Se a ausência de argumentos dos defensores da exploração capitalista forem insuficientes, e se, por causa disso, eles continuarem a recorrer à violência armada, será legítimo que a resposta aconteça. Estaremos preparados para manter o debate no nível da ideias e projetos, mas estaremos alertas para responder, prontamente, se essa for a única alternativa. 

domingo, 29 de abril de 2018

A violência e o perigo fascista

Seletividade - O entendimento de que a "justiça é para todos", estendido ao senso comum por causa da disseminação promovida pela mídia tradicional, vem sendo utilizado por antipetistas somente para atacar o presidente Lula. O discurso de ódio não cita inúmeros casos em que poderosos se beneficiaram. O episódio mais recente  é emblemático do esquecimento antipetista. Não faz muito tempo que um empresário mandou matar fiscais do trabalho que investigavam a existência de trabalho escravo em suas propriedades. Ele deveria apodrecer na cadeia, mas, ao invés disso, se tornou prefeito do município de Unaí (MG), com a conivência dos atuais defensores do argumento de que  "a justiça é para todos".

Conivência - Atos violentos, geralmente, são seguidos por manifestações de revolta e de indignação generalizadas. Foi assim no caso da execução da vereadora Marielle Franco. O desenrolar das investigações, no entanto, nem sempre combinam com a revolta e a indignação manifestadas quando da ocorrência. Decorridos quase dois meses do episódio revoltante, ainda não existem indícios de que as investigações conduzam à descoberta de mandantes e executores do crime.

Legitimação - O assassinato de Marielle Franco, os tiros contra a caravana "Lula pelo Brasil" e o ataque recente ao acampamento de Curitiba têm a mesma origem. A disseminação do ódio na mídia tradicional é a principal motivação de agressores e assassinos. A identificação de mandantes e executores das ações, embora necessária, pode não ser suficiente para conter a onda de ódio, estimulada pela legitimação política de atos condenáveis e pela divulgação de pronunciamentos do tipo "colheu o que plantou".

Fascismo - O ódio exacerbado, estimulado por discursos inflamados e pela legitimação política da imbecilidade, pode nos levar a uma experiência dolorosa. A firmeza na defesa da democracia e o uso permanente do raciocínio lógico pode, por outro lado, impedir que situações indesejáveis se apresentem, mais adiante, na história brasileira. 

Contraposição - O Partido dos Trabalhadores e os movimentos sociais populares, com coragem e determinação, vêm insistindo em defender os avanços da civilização humana. O indesejável sucesso do fascismo, além do óbvio recrudescimento da violência, pode vir acompanhado de retrocessos inaceitáveis para a maioria das pessoas. 

sábado, 28 de abril de 2018

Golpismo: resultados e violência

Desemprego - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acaba de divulgar os números mais recentes do desemprego e, apesar dos argumentos golpistas de que os empregos formais aumentariam com a reforma, o que aconteceu foi que a quantidade de desempregados aumentou. As  novas regras não se transformaram em vagas.

Precarização - As empresas estão precarizando, ainda mais, as condições de trabalho, e estão se valendo da enorme quantidade de desempregados para piorar, ainda mais, as condições de trabalho. O principal resultado do golpismo é a ampliação da lucratividade empresarial e o aumento da exploração dos trabalhadores.

Mentira -  O discurso golpista sempre foi mentiroso. O caminho mais viável para o crescimento econômico é que ele aconteça com distribuição de renda. A liberdade do presidente Lula é essencial para que isto aconteça. As manifestações do Primeiro de Maio deste ano, além de defender direitos, que o golpismo tenta eliminar, também vai levantar bem alto a bandeira do movimento "Lula livre".

Violência - Na madrugada deste sábado, o acampamento de Curitiba foi atacado, covardemente, por fascistas. O ataque é legitimado por atitudes e pronunciamentos que incentivam o ódio. Nossas ideias são à prova de balas, mas a existência de dois feridos não serão aceitas passivamente pelos acampados. A tentativa de intimidação pode produzir a contraofensiva dos acampados e dos apoiadores do presidente Lula, e os atentados pretendem provocar uma guerra.

Resistência - Ao recorrer à intimidação armada, os fascistas pretendem provocar uma guerra para impor sua ideologia. O fascismo não vai triunfar, pois a quantidade de pessoas que simpatiza com as causas populares, representadas pelo presidente Lula, é muito grande. Apesar da violência, do ódio e do apoio da mídia tradicional, o projeto que contempla as reivindicações dos trabalhadores e das classes populares é amplamente majoritário na população brasileira. A resistência ao fascismo é muito maior do que a inexistente simpatia alardeada por defensores de uma candidatura presidencial.   

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Revelações e objetivos

Golpismo - A divulgação midiática, de supostas revelações bombásticas de Antonio Paloci, é parte da dinâmica do golpe, que funciona a partir da justiça federal de Curitiba, com apoio, explícito e atuante, da mídia tradicional. A pretensão golpista é devolver a um certo juiz curitibano, processos que estavam com ele sem qualquer motivo, e que haviam sido transferidos para outra jurisdição, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Delações - Os depoimentos de Paloci devem ocupar espaço no noticiário, dos próximos dias, contribuindo para uma desejável (e necessária) invisibilidade do presidente Lula e, ao mesmo tempo, requentando acusações e suspeitas contra o PT. Apesar do barulho midiático, os depoimentos de Paloci não devem ter qualquer consequência prática concreta. Ele não tem (nem nunca teve) qualquer prova do que diz.

Ignorância - Quando se refere a bancos e empresas do mercado financeiro, como supostos beneficiários de políticas públicas dos tempos em que o PT esteve no governo federal, Paloci ignora que eles são os principais patrocinadores do golpe, principalmente porque discordam da orientação econômica do presidente Lula, da presidenta Dilma e do PT, que defendem (sempre defenderam) que a dívida pública nunca será paga com a fome do povo.

Direitos - O governo sem voto e o presidente ilegítimo preferem o caminho de eliminar direitos, suprimir aposentadorias e pensões, privatizar bens públicos e cortar gastos, com o objetivo de produzir sucessivos superávits que servirão para o pagamento da dívida pública. Os apoiadores do golpismo na implantação dessas medidas, também são incentivadores da delação de Paloci.

O futebol e a defesa da vida

Espetáculos - Sempre gostei de ir a estádios de futebol. As torcidas sempre me fascinaram. Mais do que as disputas das partidas, as cenas d...