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Ofensiva golpista

Escravidão legalizada - A ideia de amenizar o combate governamental ao trabalho escravo tem o objetivo de legalizar a superexploração do trabalho humano, legalizando situações que a civilização humana já entendeu como além dos limites suportáveis. Através de medidas supressivas de direitos, o golpismo pretende estabelecer uma realidade em que o trabalhador concorde (individualmente) com a exploração da própria força de trabalho, única mercadoria que tem para vender, sem qualquer assistência sindical coletiva. Ao amenizar a fiscalização do trabalho escravo, o governo sem voto pretende, também, que situações de super-exploração do trabalho favoreçam empresas e negócios localizados longe dos grandes centros. A medida, implantada através de portaria governamental, quer favorecer parlamentares que representam o agro-negócio, e tem o objetivo de angariar apoios para o presidente ilegítimo no seu esforço para escapar a denúncias de corrupção.

Bode na sala - O provável recuo do prefeito tucano da cidade de São Paulo, em relação à distribuição (na rede pública de educação e de assistência social) de um composto alimentar formado por restos de comida, pode representar uma demonstração de que a ofensiva golpista pode estar iniciando um processo de tornar "menos pior" a situação da população excluída da maior cidade do país. Se o recuo acontecer, será a reedição de uma fábula antiga em que um soberano, mesmo diante da situação de penúria da população, determinou que cada família criasse um bode na sala de casa e que, depois de reclamações generalizadas, resolveu revogar a determinação anterior, desobrigando as famílias da tarefa de criar o animal. Diante da segunda decisão, o soberano foi aclamado como justo e bondoso, e a população se esqueceu das condições de penúria anteriormente existentes. Esperemos que o eventual recuo do prefeito tucano da cidade de São Paulo não tenha a mesma interpretação do ato do soberano da fábula, e que o episódio sirva para fortalecer a luta por direitos na maior cidade do país.

Sem surpresas -  A votação do senado da república, que inocentou o senador Aécio Neves e lhe devolveu o mandato que havia sido retirado por deliberação do Supremo Tribunal Federal (STF), não pode ser olhada com espanto ou surpresa. O resultado era previsível. A votação favorável ao tucano foi conseguida através de benesses distribuídas pelo governo sem voto, uma vez que ele é um dos principais aliados do presidente ilegítimo. O objetivo do golpismo no episódio, além de ampliar o descrédito com a política, é o de fortalecer sua base de sustentação e, ao mesmo tempo, se distanciar de qualquer tipo de combate à corrupção, notadamente quando isto se refere a aliados do governo sem voto e apoiadores do golpismo.  

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