As raízes da violência

Armamento - O presidente dos Estados Unidos da América do Norte recomendou, publicamente, que a comunidade escolar se arme para a defesa contra atiradores que, de tempos em tempos, promovem assassinatos em massa em escolas daquele país. A recomendação de Donald Trump tem efeito semelhante à ofensiva da "bancada da bala" que, no parlamento brasileiro, defende os interesses das empresas brasileiras fabricantes armas. A lógica de que a liberação generalizada do uso de armas pode ser um remédio eficaz contra a violência é frágil e oportunista. O pronunciamento do presidente norte americano e o comportamento da "bancada da bala" buscam reforçar o ódio entre os seres humanos, e podem resultar em mortes evitáveis, ao invés de prevenir o registro de ocorrências violentas.

Medo - Ao evidenciar ocorrências policiais e acontecimentos violentos, os grandes veículos de comunicação contribuem com a lógica armamentista, destacando o medo da população, e apoiando, explicitamente, medidas institucionais como a recente intervenção militar no Rio de Janeiro. O presidente norte americano, a bancada da bala, a mídia tradicional e o governo sem voto, assim, concordam em que a violência só pode ser combatida com mais violência. Um raciocínio que pode ser catastrófico para as futuras gerações.

Crime - O noticiário sobre a Venezuela é revelador da influência do poder econômico na política. Informações insistentes sobre a fuga de habitantes da Venezuela para o Brasil ignoram a atuação de empresas e empresários da indústria de alimentos e do agronegócio, que não hesitam em punir a população por discordarem do governo daquele país. A atitude criminosa do empresariado venezuelano é reforçada pela mídia tradicional que, ao disseminar informações lamentáveis, poupa os que fazem da acumulação capitalista um modo de vida. O raciocínio bélico se especializou em defender o ponto de vista de que a miséria pode ter fim com a eliminação física dos miseráveis.

Armamentismo - Nas raízes da violência (nos Estados Unidos, no Brasil e na Venezuela) está o aumento da miséria. O raciocínio, sempre qualificado como excessivamente acadêmico, não é simples nem exclusivo, mas os aspectos sociológicos da violência deveriam ser considerados na divulgação das notícias que, desgraçadamente, se concentram em fatos e acontecimentos violentos, reforçando o raciocínio armamentista.    

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