Carnaval e disputa política II

Golpismo - A "Escola de Samba Paraíso do Tuiuti" conquistou o segundo lugar no carnaval do Rio de Janeiro. Foi superada por apenas um décimo pela agremiação que venceu a competição. O resultado é especialmente importante porque o enredo da  escola de samba de São Cristóvão apresentou um protesto explícito contra o governo apoiado pelo golpismo, chegando, inclusive, a apresentar o presidente sem voto como um vampiro e antipetistas como fantoches manipulados pela mídia tradicional.

Referência - O refrão "não sou escravo de nenhum senhor"  se transformou em referência para a população, cativou os jurados e, muito especialmente, motivou os adversários do golpe. O entusiasmo, no entanto, pode ter terminado com a divulgação das notas dos jurados e a celebração da vitória representada pela conquista do segundo lugar. Assim como protestos anteriores contra o racismo e contra a exploração do capitalismo, o conteúdo do enredo da "Paraíso do Tuiuti" pode ser reduzido a cinzas e se tornar uma remota lembrança para as pessoas que admiraram o desfile.

Diferença - O conteúdo do enredo, no entanto, pode ter outro rumo. Como existe um forte movimento contra o golpe, não é improvável que as expressões contidas nos versos do samba sejam utilizadas em manifestações populares. A diferença entre o momento em que vivemos e o passado é que o desfile da "Escola de Samba Paraíso do Tuiuti" expressou a voz das ruas, o que pode resultar em uma evolução importante, através de manifestações populares e de sindicatos de trabalhadores.

Esperança - O conteúdo do desfile da "Escola de Samba Paraíso do Tuiuti" foi além do protesto contra o golpismo. Ao explicitar o protesto contra medidas supressivas de direitos e ao evidenciar a continuidade da escravidão, o enredo pode incentivar o enfrentamento da realidade atual e fomentar o desenvolvimento de uma cultura anticapitalista.

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